Este Blog conterá a história de minha família, bem como narrações de fatos pitorescos e interessantes ocorridos pelas gerações. Famílias: Addeu e Miorin (famílias ascendentes: Addeo, Naddeo, Nadeu, Sabbeta, Corsini, Bacete, Doratiotto, Visentin, Gaeta, e outras). Acima estão as montanhas de pedras brancas dolomíticas. Maravilha do norte da Itália. Se quiser falar comigo, abaixo das postagens, clique em comentário e deixe sua mensagem.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Neyde Nadeu - uma homenagem

Dia 28 de maio de 2014, às 7:00’ horas, faleceu na cidade de São Paulo, Neyde Nadeu. A dor da perda é sempre dilacerante; muito mais forte quando amamos; indizível quando é de uma família de valor. E assim foi Neyde. Querida por todos, sempre dando bons conselhos, acolhendo a família sempre de braços abertos.

"É estranho e doloroso ver que, quem amamos já não está mais entre nós. A saudade vai aumentando cada vez mais e a lembrança que fica é sempre o sorriso." – Essas foram algumas das manifestações que colhi de alguns parentes por ocasião de seu passamento.

"Neyde sempre foi a mulher forte e digna. A mulher mais sincera, mais amiga... a grande educadora... Gostava de ouvir músicas italianas e assistia os programas da RAI (programa de televisão italiano)." - continuam manifestando os parentes.


Tenho escrito muito sobre a família Nadeu, que é o ramo materno de minha mãe. Tenho encontrado maravilhas para contar. A Neyde nos últimos anos de sua vida enviou várias contribuições para a história da família. Me escrevia sempre que podia. Era vontade dela ver a história escrita e incentivava essa iniciativa. Vejamos o que ela escreveu:

Euclydes, estou gostando de sua habilidade, pois pelos textos  que já li, estão maravilhosos, dignos de um grande escritor.  Fico feliz que tenha gostado do meu texto, pois é difícil retratar uma vida de 70 anos e  como lhe falei tem inúmeros detalhes, com o leiteiro que vinha com a cabra  e tomávamos o leite  na porta, meu  nono que adora e ia assistir às operas no Municipal, casamento  do tio Mario (ele era o meu xodó) gravado na minha memória, uma festona para a época , as viagens do meu pai  e minha mãe a Xavantes onde morava o tio Zé e por ai vai. Fico à disposição no que puder ajudar.

Não sei como andam as informações da Tia Catarina, que envolvem o tio Mario.  Mas eles tiveram quatro filhos, que você deve saber que são:Luiz Carlos Nadeu, Maria Lucia, Roberto Nadeu e Sonia.Escrevi o sobrenome dos homens porque eles também levarão o NADEU; para  outras gerações e pelo menos o Luiz Carlos tem filho homem, do Beto não me lembro se são mulheres ou homens, quase não tenho contato, mas isso é fácil de saber através  da Sonia, com quem  mais falamos, que mora com a Tia Catarina.   Tinha até pensado em mandar cópia do meu texto para a Sonia  ter uma idéia, mas achei meio temerário enviar sem consultar você e também não tenho certeza do que exatamente você quer.

Noutra ocasião, me escreveu falando mais da família:

Euclydes, como você mesmo disse, é muito difícil falarmos sobre nós mesmos. Vou tentar e você publique somente o que achar conveniente. Faça um resumo [...].

O que me lembro  e que eventualmente possa te interessar é:

Da união de Eraquillo Nadeu e Maria Priolli Nadeu, primeiro filho homem de Vicente Nadeu e Joanna Corsini, nasceram os filhos: Neyde, Nair, Neuza Maria  e Nilton/Nilce gêmeos. 

Lembro-me, da minha  infância, que éramos muitos humildes, mas muito dignos e  morávamos em uma casa  muito pequena mais cheia de muito amor. Éramos em doze pessoas, (nono, nona, Ana, Natal, papai, mamãe e meus irmãos). Lembro também que o fogão era  a lenha e sempre tinha  em cima dele, no teto, um varal de lingüiças feitas em casa para  que as mesmas  ficassem  defumadas. O macarrão, a pasta, também eram feitos em casa ou pela nona ou minha mãe, excelente cozinheira.

A nossa primeira geladeira, (isso há mais ou menos 60 anos atrás), era abastecida com pedras de gelo que eram deixadas no portão diariamente.  Televisão não existia na época. Tínhamos um rádio com uma caixa enorme e principalmente à noite nos reuníamos para  ouvi-lo, pois durante o dia todos trabalhavamos ou estudavamos. Não se jantava ou almoçava ouvindo rádio, ficávamos todos sentados à volta de uma mesa enorme: coisa inexistente hoje em dia.

Era a hora em que discutíamos todos os problemas do dia. A vida para nós naquela época era de muita dificuldade. O nono, papai e tio Mario trabalhavam na Prefeitura. Papai era fiscal, essa função hoje não existe mais.

Apesar  de tudo éramos  muito felizes, tínhamos muita união que até hoje, principalmente eu, faço de tudo para mantê-la,  pois hoje em dia com todo o  progresso e modernidade, fica difícil.  Alias isso é típico e bem próprio de família italiana.

Daquela época me lembro  que o nono  (eu era ainda muito jovenzinha), me levava  no carnaval  para ver o corso na Av. São João, era a gloria  para mim. Íamos de bonde, às vezes aberto ou outras no camarão (bonde fechado para quem não sabe). Também ficou registrado na minha memória que ele me levava sempre nos comícios. Ele me tinha sempre por perto e eu era a queridinha dele.

Final de ano, ou seja, Natal e Ano Novo eram aguardados com a maior pompa possível. Naquela época não existia a ceia. A  mesa era colocada  na hora do almoço e ficava montada o dia todo, com aquela comilança,  bem conhecida dos italianos e muito vinho. Voltando no tempo lembro que a tia Rosa* e tio Eugenio** sempre estavam, se não para o almoço era para o jantar. Vinham  também o pessoal de Ourinhos, Tio Zé e tia Antonietta como tambem  o pessoal de Potirendaba, tia Jacomina e filhos.    Natal para o papai sem a presença do tio Zé (pai da Zélia)    não era Natal e não tinha graça.

Nota do Blog: * e ** Tia Rosa e Tio Eugênio são os meus avós maternos, Rosa Nadeu era irmã do pai da Neyde (Eraquillo Nadeu, ou Tio Roque, como era conhecido)

Ainda me escreveu uma última vez, o qual também transcrevo:

Meus pais sempre foram muito trabalhadores e minha mãe um exemplo de mulher, uma avó maravilhosa, batalhadora que  trabalhava fora, cuidava da casa e dos filhos e fomos muito bem educados por ela, pena que Deus a levou muito cedo, 59 anos, quando já estávamos  com  uma situação bem definida, mas torno a repetir, foi muito feliz enquanto viveu. Não deixamos que faltasse nada a ela.

Quanto ao papai, após sua aposentadoria, muito jovem ainda, realizou o sonho da vida dele que era ter uma chácara. A principio com apenas uma casa de pau a pique e as plantações que ele fazia. A coisa que o deixava mais feliz era quando alguém ia passear lá, pois lá, para ele, era o paraíso. Com o passar do tempo, esse casebre virou uma boa casa, com todo conforto, piscina,  churrasqueira etc. Acabou ganhando o nome de “Recanto do Roque”*** (pois todos o conheciam como Roque). Esse lugar, que realmente era maravilhoso, desfrutamos de festas e reuniões memoráveis e inesquecíveis e que, infelizmente, pela falta da presença física, já não se repetem com a mesma intensidade. Em memória a ele, continuamos, na medida do possível, mantê-la ativa e, sempre que podemos, desfrutamos do lazer que ela proporciona e que é muito gostoso.

Nota do Blog: *** Nesse sítio uma vez meu Tio Roque pediu para eu acompanha-lo. Eu era muito pequeno ainda. Então fomos nós três: Eu, o Tio Roque e sua boníssima esposa Tia Maria. Esse fato merece uma postagem especial, pois muitas coisas boas aconteceram nos três dias em que passei com esses meus Tios-Avós maravilhosos.

Com trabalho e dedicação vencemos as dificuldades e hoje  vivemos um outro mundo, com conforto e modernidade. Eu, assim como meus irmãos estudamos, conseguimos trabalhar em boas empresas e, automaticamente, conseguimos vencer. Considero-me uma vitoriosa. Aposentei-me exercendo a função de secretária de diretoria na multinacional Alcan Alumínio do Brasil S. A. Hoje em dia aproveito o tempo com ginástica, hidro, pintura e afazeres manuais, que gosto muito. Viajei bastante. Adoro todos meus sobrinhos com a mesma intensidade.

Abraços, Neyde

sábado, 23 de maio de 2015

O Palácio da Família Corsini

O Palazzo Corsini al Parione é um dos mais suntuosos palácios privados de Florença, situando-se no nº 10 do homónimo Lungarno Corsini, frente ao Rio Arno.

Os Corsini fixaram-se na estagnada cena florentina do século XVII como a mais rica família da cidade, depois dos Grão-Duques, naturalmente. Na realidade, a origem da casa é florentiníssima, com uma ascendência iniciada na Baixa Idade Média como banqueiros, constelada por algumas importantes personagens como Santo André Corsini, Bispo de Fiesole no século XIV, e caracterizada por uma riqueza cada vez mais crescente, graças ao rendimento do Banco Corsini, sobretudo no estrangeiro, em particular na praça de Londres, onde se tornou numa das mais importantes instituições financeiras da capital inglesa. 

O patrimônio acumulado foi reinvestido em numerosos terrenos, sobretudo nos Estados Pontifícios, por cuja magnanimidade não tardou que chegasse o título de Marquês para o chefe da família, mais tarde transformado em Príncipe pelo Papa Urbano VIII. Em 1740, Lorenzo Corsini foi eleito como Papa Clemente XII, coroando uma ascensão social com a duração de séculos.

O Palazzo Corsini al Parione é o principal palácio da família Corsini em Florença. No terreno onde foi erguido encontrava-se uma casa de Maquiavel (obtida, por via herditária, por Maddalena, mãe de Bartolomeo Corsini, em 1650), o Casino del Parione, com parque, do Grão-Duque Fernando II de Médici, erguido sobre casas confiscadas a Bindo Altoviti e adquirido pelos Corsini em 1649, e outras propriedades adquiridas até 1728, entre as quais também se encontrava a casa do advogado Tommaso Compagni.


 Bartolomeo Corsini começou a construção do novo palácio em 1656, inicialmente com o contributo do arquiteto Alfonso Parigi o jovem, ao qual sucedeu, na década seguinte, Ferdinando Tacca e depois, de 1679 a 1683, Pierfrancesco Silvani: à intervenção deste último é atribuído o projeto contemporâneo em forma de "u" e a singular escadaria de forma helicoidal, documentada como tendo sido construída naqueles anos. Depois da morte de Silvani (1685), sucedeu-lhe Antonio Maria Ferri, a quem é devida grande parte do que se pode ver atualmente: os três corpos articulados em torno dum pátio central, a escadaria monumental, a fachada com o original vuoto na parte central. Típicos do período tardo-barroco são os terraços no último andar, decorados por estátuas e vasos em terracota. Algumas fontes indicam certas datas da edificação: em 1687 foi iniciado o lado do rio; em 1690, a fachada; em 1699, o edifício foi mencionado na Guida di Firenze de Raffaello del Bruno, entre outras. A conclusão definitiva dos trabalhos só se deu, contudo, em 1737, embora nem todo o projeto tenha sido executado: do Arno vê-se como a fachada é assimétrica pela falta do corpo esquerdo em direção à Ponte allá Carraia. Também era necessário aplanar uma nova estrada para criar um acesso monumental em direção à cidade, através do corte da Via del Parione até à Via della Vigna Nuova no sítio do Palazzo Rucellai.

Palazzo Corsini al Parione.
O palácio assinalou a passagem do estilo meirista para o barroco em Florença: o usp dos corpos avançados, o terraço central, as janelas com arcos elípticos, os áticos com a balaustrada decorada por vasos e estátuas, eram, todos eles, elementos então inéditos para Florença, os quais seriam frequentemente copiados, sobretudo nos edifícios suburbanos como as villas e os casini.

 

Interiores:

No andar térreo encontra-se uma graciosa gruta artificial, obra de Ferri executada entre 1692 e 1698 com as contribuições do estucador Carlo Marcellini e dos pintores Rinaldo Botti e Alessandro Gherardini.

Do pátio central pode aceder-se à escadaria helicoidal de Silvani e à escadaria monumental de Ferri. Esta última apresenta uma decoração de estátuas neoclássicas e é coroada pelas estátuas do Para Clemente XII, no primeiro andar, e de Lorenzo Corsini, no segundo, esculpida por Carlo Monaldi e disposta por Ticciati em 1737. 

Numerosos são as salas e salões ricos de afrescos, decorações e tapeçarias originais. No andar nobre (piano nobile) abre-se uma loggetta com afrescos executados entre 1650 e 1653 por Alessandro Rosi e Bartolomeo Neri. A pouca distância está presente o majestoso Salão do Trono (Salone del Trono), de grandiosas proporções e ricamente decorado, com colunas e lesenas ao longo das paredes, com uma galeria superior de estátuas antigas e com bustos de vários autores setecentistas colocados sobre as portas e janelas. No teto encontra-se o afresco com a "Apoteose da Casa Corsini" (Apoteosi di Casa Corsini), de Anton Domenico Gabbiani e assistentes, de 1696: entre as cenas representadas, duas figuras aladas levam um modelo do palácio até ao céu.

A sala seguinte é o Salão de Baile (Sala da Ballo), com a abóbada pintada por Alessandro Gherardini. As salas que se seguem formam uma sucessão de preciosos ambientes, com pinturas executadas, entre 1692 e 1700, por Anton Domenico Gabbiani, Cosimo Ulivelli, Píer Dandini, Giovanni passanti, Rinaldo Botti, Andréa Landini e Atanásio Bimbacci, entre outros. Notáveis são, também, as portas e janelas.

O primeiro andar também hospeda vários quadros, a chamada Galleria Corsini, a mais importante coleção privada de arte em Florença, centrada na pintura seiscentista e setecentista italiana e européia, mas contendo, também, alguns interessantes testemunhos da arte renascentista. A coleção foi começada por Dom Lorenzo Corsini, sobrinho do Papa Clemente XII, em 1765.

Atualmente, o palácio, em parte ainda habitado pelos Príncipes Corsini, é usado como sede de exposições e eventos (como a Bienal de Antiguidades (Biennale di Antiquariato), anteriormente hospedada no Palazzo Strozzi, podendo ser visitado.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Palazzo_Corsini_al_Parione

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Beatificada Maria Corsini – exemplo de família cristã

Os irmãos Rosa Nadeu (minha avó materna), Ana Nadeu, Eráquilo Nadeu (Tio Roque), Antonieta Nadeu e Mario Nadeu – infelizmente todos já falecidos, eram filhos de Vicente (Vincenzo) Naddeo e de Joanna Corsini. Assim, ao estudar o ramo materno de minha mãe acabo entrando num universo de maravilhas tanto do lado da Família Naddeo (atual Nadeu e variações), quanto do lado da Familia Corsini. Logo que fui informado sobre a Beatificação de Maria Corsini, pelo Papa João Paulo II, tratei de estudar o assunto para publicar aqui. Logo achei a postagem abaixo, transcrita do site: Acidigital. Vejamos o que consta:

Em meio a uma multidão de famílias, os esposos Luigi e Maria Corsini Beltrame Qattrocchi foram beatificados na Basílica de São Pedro, apesar das inclemências do clima.

Sua beatificação, sem dúvida alguma, ajudaria a relançar novamente os valores próprios de uma vida cristã, tão pisoteados por uma sociedade hedonista e uma cultura de morte, assim como também estaria sendo impulsionado o sentido cristão do matrimônio como caminho de santidade.

Maria Corsini nasceu em Florença em 24 de junho de 1881; enquanto Luigi Beltrame nasceu em Catânia em 12 de janeiro de 1880. Ambos se conheceram em Roma quando eram adolescentes e se casaram na basílica Santa Maria Maior em 25 de novembro de 1905.

Os dois foram criados no seio de uma família católica e desde pequenos praticaram fervorosamente sua fé, assistindo todos os domingos a Missa e participando dos sacramentos. Devido a este legado, decidiram criar a seus filhos nos princípios e valores da fé católica.

Em 1913, a jovem família atravessou um momento doloroso e bastante incerto quando a gravidez de Maria teve sérias complicações e os médicos prognosticavam não sobreviveria ao parto, e nem mesmo o bebê não nascido.

Ainda que os doutores manifestassem que o um aborto poderia salvar a vida de Maria, esta consultando a seu esposo decidiu confiar na proteção divina. E embora a gravidez tenha sido dura, tanto mãe como filho, milagrosamente, sobreviveram. Esta experiência levou toda a família a consolidar sua vida de fé e trabalhar duro por seus anseios de santidade.

Maria deu à luz a mais três crianças; seus dois filhos homens professaram o sacerdócio; Filippo é agora o Mons. Tarcísio da diocese de Roma (com 95 anos de idade) e Cesare é o P. Paolino (92 anos de idade), um monge trapense.

A filha mais velha, Enrichetta (com 87 anos de idade), a que sobreviveu a essa difícil gestação, constituiu um lar segundo o modelo de seus pais; enquanto que sua irmã Stefania ingressou na congregação dos beneditinos, sendo conhecida por todos como a Madre Cecília, e que faleceu em 1993.

Os três irmãos estiveram presentes na beatificação de seus pais.

A família Beltrame Quattrocchi foi conhecida por todos por sua ativa participação em muitas organizações católicas. Luigi foi um respeitado advogado, que ocupou um cargo importante dentro da política italiana. Maria trabalhou como voluntária assistindo aos etíopes durante a Segunda guerra mundial.

O agora Beato Luigi foi chamado à Casa do Pai em 1951, e a Beata Maria, sua fiel esposa, o fazia posteriormente em 1965.

A Congregação para a Causa dos Santos tratou este caso como algo especial, e com a aprovação do Papa João Paulo II, esclareceu-se o caminho para sua beatificação assim que foi reconhecido um milagre de sua intercessão.

O Prefeito desta Congregação, Cardeal José Saraiva Martins, afirmou que era impossível beatificá-los separadamente devido a que não dava para separar sua experiência de santidade, a qual foi vivida em comum e tão intimamente. "Seu extraordinário testemunho não podia permanecer escondido", enfatizou o Purpurado.

Pelo menos 40 mil pessoas assistiram à cerimônia de beatificação dos esposos, que se realizou no interior da basílica de São Pedro devido a forte chuva que desatou desde as primeiras horas da manhã. O plano original contemplava a realização da cerimônia na Praça São Pedro.

Também assistiram à cerimônia os dois filhos homens do matrimônio. Filippo e Cesare que concelebraram a Missa de beatificação com o Papa João Paulo II. A terceira, Enrichetta, estava sentada entre os peregrinos que lotaram o maior templo da cristandade.

Em sua homilia, o Santo Padre assegurou que os esposos beatos, durante mais de seus 50 anos como matrimônio souberam viver "uma vida ordinária de maneira extraordinária". "Entre as alegrias e as preocupações de uma família normal - afirmou o Papa - souberam realizar uma existência extraordinariamente rica de espiritualidade. No centro, a eucaristia diária, à que se acrescentava a devoção filial à Virgem Maria, invocada com o Terço recitado todas as noites, e a referência a sábios conselhos espirituais".

O Pontífice manifestou que os esposos "viveram à luz do Evangelho e com grande intensidade humana o amor conjugal e o serviço à vida". "Assumiram com plena responsabilidade a tarefa de colaborar com Deus na procriação, dedicando-se generosamente aos filhos para educá-los, guiá-los e orientá-los no descobrimento de seu desígnio de amor", acrescentou.

[...] "Uma autêntica família, fundada no matrimônio, é em si mesma uma 'boa notícia' para o mundo".

[...]
fonte: Acidigital

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os dois extremos: a bisavó e a bisneta

Odete Bonato Colombo (descendente da Família Addeu) e sua graciosa neta (Isadora Simões Bovani). A importância da Família Colombo na vida da Família Addeu merece uma postagem especial, eis que é rica em fatos e detalhes de grande importância (oportunamente falarei sobre isso).

A família Addeu tem muitas histórias para contar. Difícil reunir todas numa só postagem. Por isso pretendo fazer aos poucos, postando as histórias por partes.

Aqui vai uma parte da história:

Francisco Addeu era casado com Maria Baptista Fiorilla Addeu e tiveram dois filhos. Ela ficou viúva prematuramente e perdeu também um dos filhos muito jovem, vítima de uma patada de cavalo enquanto ajudava a mãe, no trabalho. Isso fez com que a Viúva Maria Baptista (minha trisavó) se apegasse demasiadamente ao seu único filho sobrevivente: Paschoal Addeu (meu bisavô), tratando-o de forma muito especial, pois temia que o mesmo pudesse acontecer a ele.

Vindos da província italiana de Salerno, na Região da Campânia, cuja capital é Nápoles, se estabeleceram no Brasil, no Bairro da Mooca, na Capital de São Paulo. Diferentemente de muitos imigrantes, esse ramo da família Addeu não foi trabalhar na lavoura e nas fazendas, mas se aglutinou na região urbana, trabalhando nas cidades. A cultura italiana, dessa forma, estava também reunida nos bairros urbanos da nossa cidade de São Paulo.

Maria Baptista Fiorella Addeu, era uma trabalhadora incansável. Era também muito esperta para negócios vivendo do comércio, na Mooca. O Conde Matarazzo, com quem ela comercializava produtos, falava sempre que “era melhor negociar com 20 homens do que com a Maria Baptista”, visto que ela era muito boa para negócios e não perdia o preço. Com isso ela acabou comprando uma vila de casas na Rua Borges de Figueiredo (Bairro da Mooca – Capital de São Paulo).

Com o seu trabalho, mais os alugueis que recebia das casas da vila, vivia sossegadamente. Seu filho Paschoal (meu bisavô paterno) jamais precisou trabalhar enquanto esteve solteiro, vivendo das rendas de sua Mamarella (forma carinhosa e italiana de chamar a mãe). Mesmo porque a mamarella, não o deixava trabalhar porque tinha medo de perdê-lo de acidente, como aconteceu com o irmão. 

No entanto, nem sempre a juventude permanece para sempre. E ao completar a maioridade, Paschoal conheceu uma imigrante italiana muito bonita, Renata Sabetta, e com ela se casou. Na época, casar-se sem estar trabalhando era uma anormalidade, mas assim ocorreu. Sua vida de casado foi um episódio a parte e irei contar numa outra oportunidade, eis que foi repleta de fatos interessantes também. Tiveram dezesseis filhos sendo a primeira, Maria Baptista Addeu que depois se casou com José Augusto Bonato, e estes por sua vez tiveram uma única filha chamada ODETE (a simpática prima do meu pai, nas fotos acima. Esta última foto acima mostra Odete com seus pais).

Odete casou-se com Orlando Colombo, passando a ser chamada de Odete Bonato Colombo e teve três filhos: Maria Angela, Augusto Pedro e Carlos Alberto. Como toda família, tiveram que enfrentar os problemas que surgiram pelo caminho, porém os seus três filhos estudaram em ótimos colégios, tiveram formação universitária, e uma formação e educação ilibadas, sendo dignos de elogios.


Deixo minha prima Maria Angela Colombo Simões, narrar com suas próprias palavras a interessante história da família:

Odete foi a primeira neta dos nonos Paschoal e Renata

Filha única da filha mais velha do casal, Maria Baptista e do bem sucedido guarda-livros Augusto José Bonato, Odete, nascida em 25 de outubro de 1926, permaneceu como única criança da família, por quase dez anos, sendo muito mimada pelos seus pais, avós e tios. Sua escolaridade foi grande para a época e para nossa família. Estudou até o segundo ano científico, no Colégio São José, de onde teve de sair por problemas financeiros e depois estudou bordado no Colégio Santa Maria, onde bordou todo seu enxoval, o que era costume entre as moças prendadas da época. Estudou também piano, chegando a dar aulas deste instrumento para ajudar no orçamento da casa. 

(Notícia ao lado foi publicada no jornal: “Correio Paulistano” de 23 de novembro de 1939)

Aos treze anos, perde o pai, vítima de enfarto e volta a morar com a família, na vila da Rua Borges de Figueredo, na Moóca, de propriedade de seus pais, até casar-se em 29 de maio de 1950, com Orlando Colombo, com quem viveu por 57 anos e teve três filhos: Maria Angela, Augusto Pedro e Carlos Alberto e 6 netos: Daniela, Guto e Felipe do casamento de Maria Angela com Fausto; Camila do casamento de Augusto com Jane e Marina e Manuela filhas do Carlinhos com Patrícia.

Conta minha mãe que durante todo noivado dela com meu pai (Orlando Colombo), ela passou tocando, no piano, trechos de óperas que ele, cantava, embora fosse desafinado. Mas isso passava despercebido pela família que o incentivava, principalmente minha avó que era sua fã ardorosa.

A Vila na Rua Borges de Figueiredo era inicialmente herança do nono Paschoal. Por problemas financeiros, ela teve de ser hipotecada e para que a família não ficasse sem teto, meu avô Augusto José Bonato comprou a propriedade, permitindo que a família continuasse morando lá.

Odete e Orlando, sempre mantiveram contacto com a família e quando os filhos éramos pequenos, foram responsáveis, junto com o meu tio-avô Armando Addeu, pelas reuniões de natal e fim de ano de toda família.

Sempre recebíamos, em nossa casa da Mooca, visitas constantes dos primos Euclydes Cláudio Addeu, Milton Balboni e Rodolfo Bastiglia e dos tios-avós: Luiza Addeu, Romualdo Addeu, João Addeu, Zilda Gomes Addeu e Isolina Bastiglia.

Entretanto de todos os tios-avós, com quem mais convivemos foi com a família da tia-avó Carmen (Carmela Addeo Gonzalez), que segundo minha mãe, substituiu minha avó na vida dela e com quem tínhamos uma grande ligação e da família do tio-avô Armando Addeu, de quem éramos vizinhos e que se sentiu responsável por ela desde a morte prematura do pai e que segundo palavras dela “a acompanhou até o casamento”.

Das primas, embora ela tivesse uma ligação quase que fraterna, com a Dionea (filha da tia-avó “Carmen” Carmela Addeo Gonzalez), a preferida sempre foi sem dúvida, a Rosa Maria (filha do tio-avô Armando Addeu), de quem é também madrinha de batismo e de casamento.

Dos primos, o queridinho foi sempre o Augustinho (Augusto, filho do tio- avô Armando Addeu), de quem foi também madrinha de casamento e comadre, por ter batizado sua segunda filha, a Cristiane.

Muito rígida com a educação dos filhos, tinha entre nós o “doce” apelido de “come-gente”!

Tínhamos uma casa de praia, no litoral de São Paulo, que durante anos foi palco de felizes recordações. Na mesma praia tinham casa também a Dionea (filha da tia-avó Carmela) e o tio-avô Armando Addeu, o que aumentava nossa convivência, pois estávamos sempre juntos, tanto nos feriados, quanto nas férias.

Outra característica: suas amizades sempre foram antigas e duradouras. Suas melhores amigas são a amiga de infância a tia Nininha e a tia Jandira, amiga de quase 60 anos, com as quais mantém contacto até hoje.

Gostaria de salientar a importância de meus pais na formação médica do meu irmão Augusto, pois é muito difícil para os pais sustentarem um filho em uma faculdade de medicina, arcando com a mensalidade, custeando também a moradia, e principalmente o lado emocional, pois ele saiu de casa com apenas 18 anos.

Quanto ao Carlinhos – meu irmão caçula, meus pais simplesmente mudaram todo rumo da vida dele, através de um grande gesto de amor. Quem sabe a história da nossa família, sabe do que estou falando...

Quanto a mim, foi inegável o apoio dos meus pais na criação de meus filhos, dois deles com problemas gravíssimos de saúde. Se não fosse pela ajuda e pelo apoio de meus pais, eu teria sucumbido. Minha filha Daniela, hoje advogada, é casada com Fabio Bovani e tem uma filhinha linda chamada Isadora (foto acima)

Minha mãe Odete cuidou do meu pai, que nos últimos anos estava deprimido, com a saúde bastante debilitada e com a visão muito comprometida, até o ultimo dia de sua vida. Uma vez meu pai ficou internado por quase dois meses e minha mãe ficou cuidando dele a ponto de contrair uma baita anemia.

Outra vez, eles vieram para São Paulo e meu irmão Augusto Pedro foi buscá-los para jantar. Meu pai que tinha muita dificuldade de visão e se apoiava em tudo, apoiou-se na porta do carro. Nessa hora, minha mãe, distraída, bateu a porta e com isso arrancou a ponta do polegar dele.

Passaram-se uns dias... No dia do aniversário do meu pai, eles estavam conversando sobre tudo, e meu pai disse a ela: não posso me queixar da vida, criei e formei meus filhos e vivi tanto, que deu até tempo de você me arrancar um pedaço de dedo fora. Lembravam disso rindo.

Nos dez últimos anos da sua vida de casada, minha mãe foi morar em Valinhos (interior do Estado de São Paulo), permanecendo lá até quatro anos atrás, quando teve um problema sério de coração e decidimos que, embora ela fosse independente, por problemas de saúde, ela não deveria morar mais sozinha. Hoje, estamos muito contentes desfrutando de sua companhia.

Atualmente está com 88 anos, e é a sobrevivente mais velha do clã dos Addeu e embora diga que se sente um robô, pois usa óculos; aparelho auditivo; tem prótese dentaria sobre implante; estente e marca passo no coração, o importante é que ela está conosco e lúcida para aproveitar a companhia das pessoas que a amam.

NOTA DO BLOG: FELIZ ANIVERSÁRIO TIA ODETE! Obrigado minha prima Maria Angela, por me trazer tão comovente história.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Escrever a ponta do Iceberg

Quando algum escritor escreve sua história, certamente ali está somente a ponta do iceberg. O que quero dizer com isso? Todos conhecem um iceberg: um imenso bloco de gelo que fica flutuando nos mares gelados. O curioso é que apenas uma parcela dele emerge. Quando se vê, no mar, um iceberg, vemos apenas a ponta dele fora da água, 10% (dez por cento) de seu real tamanho. A maior parte dele está submerso, fora do alcance dos nossos olhos. É uma montanha de gelo, e só vemos sua ponta.

Assim também é o historiador que escreve e que conta suas histórias. Apenas uma parte da história aparece aos olhos dos leitores. O texto fica ali, para que todos leiam, mas as lembranças mais profundas, a grande situação de época de onde brotaram o fato narrado, as memórias, a descrição exata e colorida de uma época especial... tudo isso, se o escritor fosse externar, muitas vezes um simples artigo se transformaria num livro. Não é só isso. Muitas vezes o escritor oculta situações ou fatos que não pode tornar público, mas que faz parte de toda uma certa situação que só mesmo quem viveu isso é que pode saber.

Mesmo assim, quando o escritor é bom, ele consegue transportar o leitor para a época de onde surgiu o fato narrado, e lendo o leitor consegue entender coisas que não leu, sentindo tudo completamente como se fosse um sonho. Alguém leu um conto, entendeu o que leu e também entendeu para além do que foi escrito. E às vezes, em pensamentos, até viaja para a época ou situação do conto narrado. Realmente tem escritores que escrevem com as mãos, e outros que escrevem com o coração.

Por mais que eu escreva neste blog os vários fatinhos que ocorreram na minha família, jamais vou conseguir registra-los todos e com a riqueza de detalhes que merecem, porque são infindos, porque são também tão especiais. Torna-se difícil, muito difícil escrever trazendo-os do passado remoto ao presente com o mesmo sabor e riqueza de detalhes que tiveram outrora. Ouvir o que nossos avós e bisavós disseram, ao vivo, com o sabor histórico de sua vivência, o convívio com os mais antigos da família, é coisa que não tem como reproduzir com exata fidelidade de sentimento, e muita coisa acaba sendo deixada sem ser escrita... Quem viveu tudo isso, como eu vivi e muitos ainda de minha família também, sabe o quanto há de história para contar... e quanto há de verdade no que falo.

Mesmo com a falta de tempo que eu tenho, estou procurando ser muito fiel aos fatos e fatinhos familiares. Inicialmente pensei que esta história transformada em livro teriam 5 (cinco) volumes: O PRIMEIRO VOLUME com breve história de São Paulo e do Bairro da Mooca (para onde vieram meus ancestrais), falando no decorrer dos tempos modernos sobre meus pais e seus filhos; O SEGUNDO VOLUME com a história do lado paterno de meu pai; O TERCEIRO VOLUME com a história do lado materno do meu pai; O QUARTO VOLUME com a história do lado paterno de minha mãe; e, finalmente o QUINTO VOLUME com a história do lado materno de minha mãe.

Porém aconteceram três coisas:

A primeira, é que com meus estudos históricos sobre a família e as cidades, descobri tantos fatos novos com os quais fiquei admirado pela qualidade de texto e quantidade de coisas interessantes e que ajudariam a criar o ambiente antigo.

A segunda, é que depois que comecei a fazer o blog da família e tornar alguns fatos públicos, começaram a aparecer parentes distantes que eu não tinha contato e que me enviaram tantas outras coisas sobre nossa família que, me impressionou também pela quantidade de fatos, histórias familiares e documentos raros. Vieram de todos os ramos familiares do Brasil e da Itália.

A terceira, é que os meus parentes mais próximos, que antes me enviavam algum documento e alguma história que conheciam, ao ler o blog (atualmente com mais de 20.000 visitantes pelo mundo todo), começaram a enviar muitas novas contribuições, riquíssimas em detalhes e narrando situações que eles presenciaram e eu não conhecia. E não bastasse isso, amigos da família também enviaram noticias, fatos e histórias que enriqueceram de forma especial o livro.

O que fazer com tão excelente material, porém com tão pouca falta de tempo para organizar, classificar, separar, escrever corrigir, etc?

Dessa forma eu pensei: “Tem que continuar sendo cinco volumes, vou ter que condensar os textos. Mas com certeza serão volumes grossos...” Muitas fotos, muitos documentos, alguns desenhos, depoimentos...

Como agradecer a tanta gente? Como agradecer a imensa alegria?  Difícil responder. Com certeza Deus recompensará a todos e dará a cada um, em especial, muita saúde, felicidades, e todas as graças e bênçãos reservadas aos mais amados por Ele.


Foto retirada da internet, desconheço o autor

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Mooca e seus grandes nomes

Atribui-se a data de descobrimento do Brasil, a data de chegada da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, aos 22 de abril de 1500.

A cidade de São Paulo, surgiu como missão jesuítica, em 25 de janeiro de 1554, graças ao trabalho incansável do Padre Manoel da Nóbrega e do Pe. José de Anchieta.

No dia 17 de agosto de 1556,começava o marco de uma grande história, era o surgimento da Moóca.

Como se pode ver, a história da Moóca, acompanhou a história de São Paulo e do Brasil.

Descendo do Planalto do Piratininga (primeiro nome de São Paulo), havia campos, florestas e indígenas que conheciam ou já tinham ouvido falar do Pe. José de Anchieta. Vi pinturas daquela região, e posso dizer que aquilo era simplesmente magnífico. Não era um matagal selvagem. Havia um clima ameno onde rios e vegetação se harmonizavam. Que lugar era esse? Futuramente chamou-se Moóca. Muitos falam sobre os vários significados da palavra indígena “Moóca”. Inclusive relacionadas a construção de casas. Mas na língua indígena, “oca” quer dizer “casa”, onde os índios moram. Quando uma “oca” é grande e bem feita é uma “Maior Oca” ou uma “Mor Oca” ou ainda abreviando, uma “Mó-Oca”. Não seria exata esta tradução de Moóca?

A palavra “mor” hoje em dia muito pouco usada, era muito utilizada há alguns anos atrás. O altar principal de uma igreja, era o maior dos outros altares laterais, por isso era chamado de “Altar-Mór”.

Quando uma Oca era mal construída, ou construída de qualquer jeito, era uma "Mal-Oca", ou "maloca".

Ali naquele lugar, no ano de 1556 já haviam moradores brancos, encantados pela beleza da região, construindo suas primeiras casas. As tribos indígenas que havia naquela região eram Tupis-Guaranis, curiosos, observando seus novos vizinhos. Neste mesmo ano, houve um comunicado na governança de Santo André da Borda do Campo, sobre a necessidade da construção de uma ponte sobre o Rio Tameteai (hoje, Tamanduateí); nesse comunicado havia uma menção sobre a “Mó-Oca”.

Posteriormente, no ano de 1605, já havia grandes propriedades de terras naquela região, e uma delas era o Arraial de Nicolau Barreto, onde o Bandeirante Brás Cubas construiu a capela de Santo Antônio, mais tarde transferida para a Praça do Patriarca.

No ano de 1868, houve a instalação na Moóca, da Ferrovia São Paulo Railway (Estrada de Ferro Santos Jundiaí).

Assim, num breve resumo, essa é a Moóca. A Moóca cuja história remonta o início da história do Brasil, o início da história da Cidade de São Paulo... 

A Moóca é um bairro tipicamente italiano na Capital de São Paulo. Mantém as tradições italianas, bem como criou um sotaque próprio, meio “italianado” denominado sotaque mooquense. Um bairro em grande ascensão, muito valorizado e cada vez crescendo mais, sem se esquecer de suas tradições.

Por falar em história, tenho uma boa novidade. Chegou em minhas mãos um livro espetacular: “ELES CHEGARAM... A SAGA DOS BARBULHO”, que narra a história da família Barbulho, da imigração italiana, contando também histórias da nossa São Paulo antiga. Confesso que é um livro de leitura obrigatória, imperdível. Seu autor é Euclydes Barbulho, um nome para ser lembrado na história da Moóca.

O futuro que une tradições. Foi através de minha prima Cristiane que acabei conhecendo esse grande amigo: Euclydes Barbulho. Esse nome não me era estranho, pois tanto meu avo João Addeu, quanto meu pai que também chamava-se Euclydes, já falavam nesse nome. Eu, que ainda era um jovem, apenas ouvia os dois conversarem, sem saber ao certo sobre o que seria. Anos mais tarde, o próprio Euclydes Barbulho me disse que havia trabalhado com meu avô João Addeu, na empresa Semer. Na Moóca as coisas são assim, as amizades se transmitem de pai para filho.

Euclydes Barbulho é Administrador de Empresas, palestrante, professor, e muito especialmente um grande escritor, entre tantos outros títulos que tem. Escreveu vários livros. Minha homenagem a esse grande amigo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Provérbios em Talian - o dialeto Vêneto-Brasileiro

No período entre os anos de 1876-1920, vieram da Região do vêneto 365.710 imigrantes. Da Campânia, 166.080; da Calábria, 113.155; da Lombardia, 105.973; do Abruzzo-Molise, 93.020; de Toscana, 81.056; de Emilia-Romagna, 59.877; da Basilicata, 52.888; da Sicília, 44.390; do Piemonte, 40.336; da Puglia, 34.833; do Marche, 25.074; do Lacio, 15.982; da Úmbria, 11.818; da Ligúria, 9.328 e da Sardenha, 6.113.

Como se vê a região da Itália de onde vieram mais imigrantes, foi a Região do Vêneto. Eles vieram e se estabeleceram no sudeste e sul do Brasil, com seu dialeto próprio, que se manteve durante os anos.

O vêneto falado no sul do Brasil é arcaico quando comparado ao vêneto falado atualmente na Itália, pois é semelhante ao usado no século XIX. Ademais, com o advento da rádio e da televisão, começou uma forte interferência da língua portuguesa no vêneto falado pelos imigrantes no Brasil. Em decorrência, o vêneto brasileiro evoluiu de forma diferente da variedade falada na Itália, uma vez que incorporou itens lexicais do português e se manteve ligado à maneira como era falado no século XIX. Assim, usa-se o termo talian para diferenciar o vêneto falado no Brasil do dialeto vêneto hoje usado na Itália.

O talian é uma variante brasileira da língua vêneta, da mesma forma que o Riograndenser Hunsrückisch é um dialeto falado por descendentes de alemães no Sul do Brasil. O talian não é considerado uma língua estrangeira no Brasil, mas sim uma língua nacional brasileira, porém, sem status de língua oficial.

Hoje eu trago alguns provérbios no dialeto de Vêneto, aqui no Brasil conhecido como “Talian”:

"Can vècio no'l ghe sbaia a la luna" - Cão velho não late pra lua

"Come noantri no ghen'è altri" - Como nós, não há nenhum outro

"Come San Tomaso, no'l ghe crede se no'l ghe mete el naso" - É como São Tomé, não acredita se não mete o nariz

"Chi fà de so testa, paga de so borsa" - Quem faz da sua cabeça, paga do seu bolso

"A caval de un porco grasso" - A cavalo de um porco gordo (Sem nenhuma segurança)
"Amor sensa barufa el fa la mufa" - Amor sem briga, da dor de barriga

"A paroni e mati no se ghe comanda mia." - A donos e loucos não se pode dar ordens.

"Ari che semo apari." - Opa que estamos de acordo..!

"Beati i ùltimi se i primi i ga creansa." - Benditos os últimos se os primeiros são educados.

"Brina su el pantan , piova inco o doman." - Geada na lama, chuva na cama.

"Bruta come el temporal." - Feia como a tormenta.

"Cativa come na brespa." - Braba como uma vespa.

"Chi dà, se smentegá; chi riceve se ricorda." - Quem dá, esquece; quem recebe se lembra.

"Chi è stato rè, el sarà sempre maestà." - Quem foi rei, será sempre majestade.

"Chi fà el prim paga el vin." - Quem faz o primeiro, paga o vinho.

"Chi fà dopo, paga tropo (pròpio)" - Quem faz depois, paga para os dois. (de fato)

"Chi ga prèssia, magna crudo." - Quem tem pressa, come cru.

"Chi ga mia testa, ga gambe." - Quem não tem cabeça, tem pernas.

"Chi guadagna ga sempre rason." - Quem ganha tem sempre razão.

"Chi ride, vive depì." - Quem ri, vive mais.

"Chi sparagna, el gato magna." - Quem economiza, o gato come.

"Chi va drio ai altri, no riva mai prima." - Quem segue os outros, nunca chega primeiro.

"Ciari come le mosche bianche." - Raros como as moscas brancas.

"Ciucia fighi." - Chupa figos..! (Explorador, vigarista.)

"Ciuco come na porta". - Bêbado que nem uma porta.

"Coion el ozel chel ga s-chifo del so nido". - Bobo o passarinho que despreza o próprio ninho.

"Co l’àqua la toca el col se impara nodar". - Quando a água chega ao pescoço aprende-se a nadar.

"Col ghe riva, nol dòpera mia la scala". - Quando alcança não usa escada.

"Come San Tomaso; el crede s’el ghe mete el naso". - Como São Tomaz; acredita só se mete o nariz.

"Come valo el cuor..? – A colpi, a colpi". - Como vai o coração..? – A golpes... A golpes...!

"Cossì, cossì, come na dona sensa el marit." - Assim, assim, como uma mulher sem o marido.

"Contar busie l’è dir el contràrio de quel che se pensa". - Mentir é dizer o contrário do que se pensa.

"De note, un soco el par un orso". - À noite, um toco assemelha-se a um urso.

"De tanto ndar al posso el baldo el perde el mànego". - De tanto ir ao poço o balde perde o cabo.

"Disi sempre che la è cota". - Diga sempre que já está cozida. (Concordar é melhor que contestar)

"Dona bruta, rispeto a casa". - Mulher feia, respeito em casa.

"Dopo del oio, tuto sbrìssia". - Depois da graxa, tudo desliza.

"Drito come un ciodo". - Reto como um prego.

"El balordo el perde el capel e el scrive el so nome". - O maluco perde o chapéu e escreve seu nome.

"El can de tanti paroni el more da fame". - O cão de muitos donos morre de fome.

"El formàio gratà , el fa spissa ai zenoci". - O queijo ralado faz comichão nos joelhos.

"El ga na sorte come un can in cesa". - Tem tanta sorte como um cachorro na igreja. (Só leva coices)

"El gato broà, el ga paura, fin de àqua freda". - Gato escaldado tem medo de água fria.

"El ghe trà a la bocia e el ciapa el bocin". - Atira na bochas e acerta o balim.

"El ghe piomba i vermi". - Leva-o à destruição.

"El la capisse sempre a la reversa". - Compreende sempre às avessas.

"El malan el porta el san". - O doente conduz o sadio.

"El mèio dea festa l’è pareciarla". - O melhor da festa é prepará-la.

"El menestro el ga perso el mànego". - A concha perdeu o cabo. (Um chefe perdeu autoridade)

"El pi busier el lo cata". - O mais mentiroso o encontra (Um perdido..)

"El piande el mort par ciavar el vivo". - Chora o defunto para lograr o sobrevivente.

"El pianta aio par catar sù séole". - Planta alho para colher cebolas.

"El primo di che se va in campagna no se fa mia formàio". - O primeiro dia que se vai ao campo não se fabrica queijo.

"El pi grando inferno in tera , la è na fameia in guera". - O maior inferno na terra é uma família em guerra.

"El scrive come un dotor". - Escreve como um doutor. (Ilegível)

"El va farse benedir". - Vai ao paraíso. (Mais candidamente)

"El va indrio come i gàmbari". - Retrocede como os caranguejos.

"El vol sconder el sol col tamiso". (crivel) - Quer tapar o sol com a peneira.

"Fàcile come el ovo de Colombo". - Fácil como o ovo de Colombo.

"Fate furbo..!" - Acorda..!

"Fin che la dura, mai paùra". - Até que é robusto, nada de susto.

"Fumana bassa, la piova la passa". - Cerração baixa, sol que racha.

"Fumana u el monte, piova tea fronte". - Cerração no morro, chuva no coro.

"Furbo come la volpe". - Esperto como a raposa.

"Furbo come un merlo". - Esperto como um melro. (Dorminhoco)

"Ghe tiro a chi no vedo e copo chi no credo". - Atiro no que vejo e acerto no que não creio.

"Giusto come un deo tel naso". - Exato como um dedo no nariz.

"Giusto come trè e trè i fa sèi". - Exato como "três e três são seis.”

"Giusto come un mostacio". - Certo como o fio de bigode.

"Gras come un porsel". - Gordo que nem um porco.

"Guadagnà in festa, fora par la finestra". - Ganho na festa, fora pela janela. (Ganho fácil, gasto rápido)

"Indormenso col can, dismìssio co i puldi". - Adormeço com o cão, acordo com as pulgas.

"In driocul come un gàmbaro". - De ré, como um caranguejo.

"Inocente come un gal de sete ani". - Inocente como um galo de sete anos.

"Intrigà morir". - Lutando para morrer.

"I se vol un ben da can". - Se prezam que nem cachorros.

"I soldi i fa balar anca el orso". - O dinheiro faz dançar até os ursos.

"I tosati e i colombi i sporca le case". - As crianças e os pombos sujam as casas. (Não guardam segredo)

"La alegria la spanta la malatia". - A alegria espanta a doença.

"La cavra che sbèrega la perde el bocon". - A cabra que berra perde o bocado.

"La morte dea piégora, la salute dei can". - A morte da ovelha é a saúde do cão.

"La mussa e i trenta soldi". - A mula e os trinta dinheiros (Para quem quer tudo).

"La ociosità la è la mama de tuti i vìssii". - A ociosidade é a mãe de todos os vícios.

"La sìmia che se grata, la ciama i balini". - Macaco que se coça quer chumbo.

"La soméia un pèrsego maduro". - Parece um pêssego maduro. (A moça muito bonita.)

"Le busie le ga le gambe curte". - As mentiras têm as pernas curtas.

"L'è come el diàolo ntel àqua santa". - É como o diabo na água benta.

"L'è pi indrio che le patate del porco". - É mais atrasado que batata de porco.

"L'è sordo come na campana". - É surdo como um sino.

"L'è un descanta baùchi". - É um desperta dorminhocos.

"Maledeta la prèssia". - Maldita a pressa.

"Magna quel che te gh’è e tasi quel che te sè". - Coma o que tiveres e cala o que souberes.

"Magna panoce..!" - Comedor de milho ..! (Para chamá-lo de animal)

"Magnemo polenta e pessi ntel rio". - Comemos polenta e peixes no rio.

"Na disgràssia no la vien mai sola". - Uma desgraça nunca vem sozinha.

"Na bronsa querta". - Uma brasa coberta. (Imprevisível.)

"Nissun l'è tanto grando che nol possa imparar; nissun l'è tanto pìcolo che nol". - Ninguém é tão grande que não possa aprender; ninguém é tão pequeno que não possa ensinar.

"Nol ghe vede un palmo davanti el naso.." - Não enxerga um palmo diante do nariz.

"Ntel perìcolo lè mèio starghe distante, che saverla longa". - No perigo é melhor ausência de corpo do que presença de espírito.

"O magna sto osso o salta sto fosso". - Ou come este osso ou pula este poço.

"Ogni busa la ga la so scusa". - Toda a cova tem sua desculpa.

"Ogni fuso el ga el so buso". - Cada barbante tem sua passagem.

"Par ndar in Paradiso bisogna diventar inocenti come i tosatèi". - Para ir ao céu é preciso tornar-se inocente como as crianças.

"Pimpian se va a lontan, forte se va a la morte". - Devagar se vai ao longe; forte se vai à morte.

"Piova de inverno, deventa un inferno". - Chuva no inverno, vira um inferno.

"Piova de istà, beati chi la ga". - Chuva de verão, benditos os que a terão.

"Piove a sece roverse". - Chove aos baldes.

"Prima San Piero, dopo i so Apòstoli". - Primeiro São Pedro, depois os outros apóstolos.

"Rosso come un gàmbaro tea padela". - Vermelho como um caranguejo na frigideira.

"Rosso come un garòfolo". - Vermelho como um cravo.

"Scarpe nove fa mal ai pié". - Sapato novo machuca o pé.

"Se Dio vol e el toro el me assa". - Se Deus quiser e o touro permitir.

"Sgionfo come un rospo". - Estufado como um sapo.

"Va farte benedir..!" - Vá fazer-te abençoado..!

"Va piantar patate..!" - Vá plantar batatas..!

Quem quiser saber mais sobre o Talian:

Fonte dos provérbios em Talian:

Fonte da foto: Capa da Revista Talian - Brasil