Este Blog conterá a história de minha família, bem como narrações de fatos pitorescos e interessantes ocorridos pelas gerações. Famílias: Addeu e Miorin (famílias ascendentes: Addeo, Naddeo, Nadeu, Sabbeta, Corsini, Bacete, Doratiotto, Visentin, Gaeta, e outras). Acima estão as montanhas de pedras brancas dolomíticas. Maravilha do norte da Itália. Se quiser falar comigo, abaixo das postagens, clique em comentário e deixe sua mensagem.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O Canivete de meu avô materno Eugênio Miorin

Meu avô materno Eugênio Miorin desde sua juventude usava cigarro de palha. Para os mais jovens talvez seja preciso explicar o que é isso. Meu avô comprava palha seca de milho e essa palha precisava ser alisada e cortada manualmente. Primeiro ele passava o canivete no meio da palha para “afinar” e “ajustar” a textura, fazia isso puxando e comprimindo a palha entre o dedo polegar e o lado cortante do canivete por várias vezes; depois ele cortava as pontas da palha e ela adquiria forma retangular. Isso ele fazia usando um bonito canivete que tinha. Posteriormente as palhas para esse tipo de cigarro já vinham cortadas e afinadas e eram embaladas em pacotinhos, prontas para o uso.

Para o fumo, meu avô comprava o chamado “fumo de corda”, isso porque o fumo enrolado parecia um rolo de corda preta. Havia várias marcas de fumos e  eram vendidos por gramas nas tabacarias. Um dia, eu fui à cidade e meu avô perguntou se eu poderia comprar um pedaço de fumo para ele: “cento e cinqüenta gramas”. Perguntei a ele qual deveria comprar e ele me disse para comprar o da marca “poço fundo” que era melhor, pois o da marca “goiano” não era bom; porém se não tivesse o “poço fundo”, poderia trazer o “goiano” mesmo. Então fui no centro da cidade e ao passar na tabacaria, me aproximei e vi que havia muitos rolos de fumo, uns grossos outros finos. Tinha muitas marcas diferentes. Então perguntei se tinha o “poço fundo” e o comerciante mostrou um rolo de fumo grosso e preto. Pedi para ele cortar a quantidade que meu avô havia pedido. Ele cortou, pesou, embrulhou e eu paguei. Por curiosidade perguntei sobre o fumo “goiano”. Era um rolo menor, fino e preto meio amarelado...

Trazendo para casa o pedido de meu avô, ele ficou muito contente e já logo desembrulhou para conferir o pedido. Como sempre, sentou na escadinha do alpendre lateral e começou a picar o fumo com seu canivete. Depois de muito bem picado ele o enrolava na palha já afinada e cortada. Com uma pequena tira de palha ele amarrava o cigarro para não abrir e com o canivete ainda dobrava as duas pontas da palha para não escapar o fumo. E assim ele fazia vários cigarros, para quando quisesse fumar já tinha pronto.

Claro que muitas vezes eu estava sentado ao lado dele, pois gostava de observar as coisas que meu avô fazia e também porque sempre vinha uma história familiar junto com tudo isso... e eu adorava.

Uma vez ele me contou como eram feitos os fumos, as folhas verdes que eram colhidas e colocadas para secar e enroladas com mel, fazendo uma grande corta. Havia o curtimento das folhas e a secagem certa. Não me lembro se também haviam outros ingredientes na confecção do fumo, ou mesmo se era defumado ou só curtido. Eu conhecia a planta do tabaco, porque um dia minha avó havia me mostrado.

Na verdade eu gostava mesmo é de estar ali, perto do meu avô, ouvindo as inúmeras histórias que ele sempre me contava. Não só o conteúdo das histórias, mas o modo que ele as contava são coisas difíceis de narrar aqui. Eu gostava muito de tudo isso.

Outra coisa de se notar era o canivete de meu avô, que parecia ser muito simples e muito usado. Tinha um cabo de madre-pérola amarelado e uma lâmina solingen alemã (Solingen não é marca, mas o nome da cidade Alemã onde se fazia o aço). Só quando fiquei mais velho é que soube disso. Era um canivete muito prático, bom e meu avô usava muito.

Uma das irmãs de meu avô, Celeste Miorin, era casada com Carlos Mauri. Inicialmente morava no Estado do Paraná e depois mudaram para São Paulo, no Bairro do Ipiranga (se eu não me engano). Ela vinha sempre nos visitar. Estando na minha casa vi o seu marido mostrar um canivete diferente: tinha uma lâmina larga, sem ponta, parecendo quase um facão em miniatura. Achei que meu avô gostaria de ter um canivete desses e acabei depois comprando um para ele, da marca Tramontina.

Assim que ganhou o canivete, meu avô ficou olhando aquela lâmina grande e passou a usa-lo. Depois comprei um outro canivete para ele, também da marca Tramontina, de lâmina larga, mas de ponta fina. Este último meu avô não gostou muito e continuava a usar o anterior. Eu não conhecia bem as marcas de canivetes, pois era jovem. A melhor marca que havia era “Corneta”, famosa. Esses canivetes antigos eram conhecidos também pelo apelido de “pica-fumo”. Apelido bem apropriado.

Os dois canivetes que eu dei para meu avô eram fortes e cortavam tudo, seria muito apropriado para quem trabalhasse na roça. Já o canivete antigo de meu avô (o alemão) era apenas para uso doméstico e comum: picar fumo e alisar palha, por isso era bem mais leve e fácil de trazer no bolso. Ao cabo de alguns meses, meu avô voltou a usar o seu antigo canivete que era mais prático, menor e melhor para carregar no bolso.

O Canivete é uma faca dobrável que guarda sua lâmina encaixando no próprio cabo. Tão antigo o canivete recebeu nos últimos anos melhorias tão grandes que acabou sendo objeto de colecionador, além de ser muito útil na vida comum.

No final do século XIX, Karl Elsener viu que o exército suíço comprava na Alemanha seus canivetes. Então resolveu desenvolver na Suíça tal arte de cutelaria e acabou por ser internacionalmente conhecido. De qualidade ímpar os canivetes suíços a principio tiveram duas versões: uma para os soldados e outra para os oficiais. Os canivetes vinham acompanhados de ferramentas para todas as ocasiões. Posteriormente a idéia se desenvolveu e acabou se criando um canivete para cada situação (são mais de duzentos tipos), embora alguns tenham tantas funções e são tão caros que passaram a ser objetos de colecionadores.

A melhor, a pioneira, sempre foi a empresa suíça de Karl Elsener, que com o advento do aço inoxidável e o falecimento de sua mãe Victória resolveu fazer uma homenagem passando o nome da empresa à Victorinox. 

No decorrer de minha vida acabei conhecendo o canivete suíço da marca Wenger. Esta empresa surgiu depois da Victorinox e se chamava Paulo Boechat & Cie, que depois foi adquirida por seu gerente geral Theodore Wenger. Aqui está a origem dos canivetes suíços Wenger. Seus canivetes eram mais baratos, porém entrou em crise e acabou sendo comprada pela Victorinox de qualidade inigualável. Os canivetes suíços são os melhores do mundo, tendo garantia vitalícia, eterna. Quem os têm sabe o quanto são úteis e práticos.

Aqui no Brasil antigamente as pessoas usavam mais canivetes, meu avô tinha alguns deles e bons. Na Europa o uso é mais comum. Quando fui almoçar em Paris, no sub solo da Igreja La Madeleine, um francês na minha frente estava descascando uma laranja com seu canivete suíço. Não pude deixar de ficar olhando. Ele percebeu meu interesse e me disse: “Este canivete é Suíço mesmo”. E continuou cortando sua laranja com dignidade e orgulho. Eu concordei com a cabeça.

Recentemente, ganhei de presente um canivete Suíço. The original Swiss Army - Rucksack (Canivete militar Suiço de mochila). Suas medidas, peso e funções foram desenvolvidos também para uso diário comum.

Embora seja muito parecido com o Swiss Army Forester (guarda florestal), tem diferenças. O Rucksack tem cabo vermelho fosco e é um pouco mais grosso, porém mais leve, do que o Forester (que é preto). Sua lâmina de corte é fortíssima, tendo uma trava diferenciada do canivete militar Forester. O cabo anatômico e rugoso é feito para encaixe perfeito na mão e serve para não escorregar, por isso não é vermelho brilhante. Ambos têm doze funções distintas e utilíssimas.

Alguns canivetes suíços são tão repletos de instrumentos e ferramentas que fica inviável carrega-lo. Dentre as funções de canivetes especiais encontrei até uma lâmina de plástico para raspar velas para passar nos esquis. Os canivetes não são diferentes por acaso, mas cada qual tem uma história, uma função, uma destinação especial de praticidade ou mesmo estético.

O bom mesmo é que o canivete possa ser levado com o seu proprietário, por isso deve ser leve e prático.

Na foto, mostro um canivete suíço com 100 ferramentas e até um revolver calibre .22 com capacidade para cinco balas. Foi produzido no século 19 (ano de 1880) para demonstrar a incrível habilidade dos artesãos da época. Suas medidas são 8,9 x 8,9 x 23,5 centímetros, nada fácil de se carregar. É um objeto de exposição no Buffalo Bill Centre of the West localizado em Wyoming, nos EUA, e pertence à Instituição Smithsonian.

Entre suas ferramentas, encontramos facas de todo tipo, diapasão, navalha, serras, punhais, canetas, lápis, espelho, garfinho para queijo, saca-rolhas, bisturí, corta-charutos, punhais, várias tesouras entre outros.

Fonte das fotos: Internet. Fonte das informações sobre canivete:
http://www.forttiori.com.br/site/home/8-webblog/499-canivete-suico-do-seculo-19-conta-com-100-ferramentas-e-ate-um-revolver

http://www.megacurioso.com.br/utensilios/39378-canivete-suico-do-seculo-19-conta-com-100-ferramentas-e-ate-um-revolver-.htm?utm_source=facebook.com&utm_medium=referral&utm_campaign=imggrande

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Registro de Estrangeiro de minha nonna Angela Doratiotto


Fonte: https://familysearch.org/

Uma contribuição do primo Michael Oliveira. Obrigado primo pela pesquisa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Felice Addeo ou Agostino Felice Addeo? Um Bispo na família

Há 102 anos atrás, no ano de 1913, o grande Papa São Pio X, nomeou Monsenhor Agostino Felice Addeo como Bispo de Nicósia (Enna - Itália), que na época tinha apenas 37 anos de idade e era o mais jovem Bispo italiano, cargo que deixou no ano de 1950 (aos 75 anos de idade). Aposentou-se na Cúria dos Agostinianos por via do Santo Oficio de Roma, cidade onde teve a amizade de Monsenhor Montini (futuro Papa Paulo VI). Acabou falecendo 7 anos depois com 81 anos de idade, aos 07 de fevereiro de 1957. Era o orgulho e a dignidade do Episcopado Siciliano.

Embora essa informação possa ser encontrada em livros, ainda não se fez a homenagem merecida a esse Bispo de uma personalidade extraordinária como religioso e como cientista.

Em primeiro lugar, é necessário ter em vista que o Papa São Pio X foi um dos maiores santos do início do século XX. Exerceu seu pontificado do ano de 1903 até a data de sua morte no ano de 1914. Ser nomeado Bispo por um Papa santo é uma honra sem igual, mas para isso, era preciso que nosso Bispo Addeo tivesse muitas virtudes. E ele as tinha.

Quem foi o Bispo Monsenhor Agostino Felice Addeo?

FELICE ADDEO nasceu aos 17 de maio de 1876 em Vico di Palma, diocese de Nola, região da Campânia, Província de Nápoles. Seus pais deram-lhe o nome de Felice merecidamente, pois desde sua mais tenra infância, o menino tinha índole dócil e era muito humilde. Não decepcionou aqueles que diziam que um dia ele seria Bispo. Fez seus estudos elementares em sua aldeia natal. Ao se tornar um jovem, começou o estudo do ensino médio (ginásio) na Ordem de Santo Agostinho, onde ingressou como noviço. Aos 07 de dezembro de 1890, vestiu o hábito de Santo Agostinho, ganhando a confiança de seus superiores, pois era um religioso que observava as regras da ordem, era piedoso e praticava a pobreza. Fez sua profissão e seus votos em 29 de junho de 1892, recebendo o nome de “Agostinho” (em homenagem a Santo Agostinho), passando a se chamar Padre AGOSTINO FELICE ADDEO.
 
Com seu exemplo e com sua palavra ensinava a vida perfeita a toda a comunidade religiosa. O que mais realçava nele era sua pureza, sua inocência e sua firmeza nas regras da vida monástica. Pelas suas virtudes era amável com todos.

Quando se formou, fez um exame brilhante, sendo nomeado Lettore em Filosofia em 1899. Foi professor de Ciências Físicas e Químicas no Colégio de Viterbo. Foi também um profundo investigador e especialista dos mistérios da natureza. Ele deu prova de sua ciência num livrinho impresso em 1903, em Viterbo, chamado “A previsão do Tempo”, onde vemos a clareza de idéias e a precisão de investigação, a perspicácia das observações e as genialidades das hipóteses. Em outra brochura importante, embora por outro campo, escreveu sobre artes. Destacou-se nos estudos feitos e recebeu o título de Mestre em Teologia alcançando o posto acadêmico mais alto na Ordem.
 
Foi escolhido para ser o Prior no convento da Santíssima Trindade de Viterbo (região do Lácio – Italia), conhecida como “cidade dos Papas”. Mais uma vez, com sua modéstia e bondade, simplicidade e prudência, era respeitado por todos. O esplendor das virtudes robustas não podia mais ser escondido, e todos o admiravam.

Dizia Massimo Onofri: O próprio sobrenome já diz tudo “Addeo” que quer dizer em latim “ad Deo” para Deus. Teve sua vida dedicada ao serviço de Deus.

No ano de 1913 o Papa São Pio X o nomeou Bispo de Nicosia (Enna, Itália).

O Santo Padre Pio X, de santa memória, precisava de um homem manso e humilde para ser enviado à Diocese de Nicósia na Sicília e seu olhar atento descansou no jovem agostiniano. Em 13 de maio 1913 elegeu-o como Bispo de Nicosia, sendo consagrado pelo próprio Secretário de Estado de Sua Santidade, o Cardeal Mery Del Val, na suntuosa Igreja de Santo Agostinho em Roma. Nessa época o jovem Bispo tinha apenas 37 anos de idade. Todos os Agostinianos se alegraram com tal nomeação merecida.

Monsenhor Addeo, como um bom pastor, tomou posse de sua diocese e endereçou ao Clero e aos fiéis uma carta pastoral. Desejava fundar um seminário, erigir uma residência, criar focos de Ação Católica, casas religiosas e obras de piedade.

Monsenhor Addeo ensina tudo: Italiano, Latim, Francês, ciência, matemática, filosofia, teologia, moral, lei, diplomacia, arquivista, eloqüência, tudo...

Busca casas religiosas para estabelecer jardins da infância, mosteiros Agostinianos, Franciscanos, Capuchinhos. Pensa em fundar Associações Pias de Catecismo, também para as vocações eclesiásticas, dá incremento a todas as associações Ação Católica.

Ganha o respeito de todas as autoridades civis e religiosas. É nomeado pelo Governo como Comendador da Coroa da Itália e ganha uma cruz peitoral de ouro em troca da sua que era de metal.

EM GENAZZANO:

Ocorreu um fenômeno extraordinário na Cidade de Genazzano, próximo a Roma. Noticias de vários milagres. Quem deveria investigar? Quem deveria recolher os inúmeros milagres lá havidos e que ainda existem até hoje?
Não poderia ter sido outro senão Monsenhor Addeo.

Quem não ouviu falar de Nossa Senhora do Bom Conselho? A história se encontra em vários lugares na internet.

Uma pintura de Nossa Senhora lindíssima e antiqüíssima que havia sido feita no reboco de uma parede na Albânia se desprendeu e milagrosamente flutuou no céu e atravessou o Mar indo parar nas cercanias de Roma na Itália. Foi seguida por dois albaneses: Gjorgji e De Sclavis.

Numa cidade próxima de Roma - Genazzano - a viúva Petruccia e toda a população local estava reunida para festejar a festa de São Marcos (25 de abril), quando viram o estupendo milagre: O quadro de Nossa Senhora descendo do céu com uma nuvem. Daí por diante foi conhecida como Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano.

Além dos milagres, a imagem por si mesma é extraordinária, pois ela desde o século XV permanece como que suspensa no ar, sem moldura ou fixação, afastada da parede cerca de três centímetros, apenas parcialmente tocando uma base em sua borda inferior. Relatos diversos afirmam ainda que a fisionomia da Virgem muda de acordo com certas circunstâncias. No decorrer dos anos, milhares de peregrinos chegaram ao local ocorrendo inúmeros e incontáveis milagres. Uma das pessoas responsáveis em recolher os depoimentos e narrar os quase infinitos milagres foi um Bispo da Ordem dos Agostinianos: Monsenhor Agostino Felice Addeo.

Consta na Associação Histórico Cultural Santo Agostinho o seguinte:

Dom Agostino Felice Addeo publicou uma importante coleção de documentos (a primeira parte do volume XX do Anuário Agostiniano (Analectos Augustiniana) da página 1 até 140), sobre Nossa Senhora do Bom Conselho de Gennazano. Sem contar os inúmeros boletins de devoção que ele publicou, de vários lugares, que mostram uma luz sobre o assunto Nossa Senhora do Bom Conselho de Gennazano.

__________________________________________________

ESCRITOS DE MONSENHOR AGOSTINO FELICE ADDEO

Scritti:

La previsione del tempo. Viterbo, Tip. Donati e Carlini, 1903, in 4°.

Su un affresco rappresentante il B. Giacomo Agostiniano, Arciv. di Napoli ed altri dipinti mural i scoperti nel Refettorio del Convento della SS.ma Trinità in Viterbo. Viterbo, Tip. Agnesotti, 1910, in 8°.

Prima lettera pastorale ai suoi diocesani. Roma, Tip. Poliglotta Vaticana, 1913, pp. 18.

Il primo dovere della vita spirituale. Lettera pastorale per la Quaresima del 1914. Nicosia, Tip. ed. del Lavoro, 1914, pp. 21.

Per la Dottrina Cristiana ai fanciulli. Lettera pastorale nella Quaresima 1915. Nicosia, Tip. ed. del Lavoro, 1915, pp. 22.

La mia prima visita pastorale. Lettera per la Quaresima 1916. Nicosia, Tip. ed. del Lavoro, 1916; pp. 23.

Dalla croce pende la salvezza nostra. Lettera per la Quaresima 1917. Ib. iisdem Typ. 1917.

Gerusalemme urbe celeste e beata visione di pace. Lettera Pastorale per la Quar. 1918. Ib. Iisdem Typ. 1918, pp. 20.

Il nuovo codice nel centenario del Vescovato. Pastorale per la Quares. del 1919. Ibidem, iisdem Typ., 1919, pp. 15.

Vangeli festivi con brevi considerazioni da esporsi ai fedeli durante la Messa. Ibidem, iisd. Typ. 1919, pp. 120.

I Diritti di Dio. Pastorale per la Quaresima 1920. Ibidem, 1920, pp. 19.

Il Sacramento dell'Amore. Pastor. per la Quares. 1921. Ibidem et iisdem Typ. 1921, pp. 21 et in suo «Bollettino Ecclesiastico» an. VII-VIII.

Il Dono di Dio per i Fedeli e gl'Infedeli. Pastorale per la Quaresima del 1922. Ibidem, iisdem Typ., 1922.

La Religione. Lettera Pastorale. 1923, Ibidem, et iisd. Typ. 1923.

La Divina Liturgia. Lettera Pastorale 1924. Ibidem, et iisd. Typ. 1924.

Il Giubileo dell'Anno Santo, 1925. Ibidem, et iisdem Typ. 1925.

La fede. Lettera Pastorale per la Quaresima 1926. Nicosia, Tip. Edit. del Lavoro, 1926, in 8 pp. 19.

La fede agli infedeli. Lettera Pastorale per la Quaresima 1927. Nicosia, ibidem, 1927, in 8 pp. 26.

S. Agostino nel XV centenario della sua morte (430-1930). Lettera Pastorale. Nicosia, Tip. Ed. del Lavoro, 1929, in 8 pp. 86.

L'Eucaristia e S. Agostino. Lettera Pastorale. Nicosia, ibidem, an. 1931, in 8 pp. 25.

Il Corpo di S. Agostino Vescovo e Dottore nella Basilica di S. Pietro in del d'oro in travia. Opusculum editimi in «Bollettino Storico Agostiniano» an. VIII ed IX atque alia.

Madonna del Buon Consiglio, Miracoli

Raccolta di documenti (Costituiscono la prima parte del vol. XX di Analecta Augustiniana da p. 1 a 140).

Numerosi bollettini di devozione

FONTES:

NOSSA SENHORA DOS ANJOS pelo PP. AGOSTINIANI em Cassano Murge (Bari) - ANO IX - N.7-8 julho-agosto 1938
Mons. Br Felice Addeo Agostino no 1º Episcopal Jubileu
P. Domenico Prisco.




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Batizado de Eugênio Miorin - Basílica de Nossa Senhora do Belém

Era um domingo de primavera na cidade de Itatiba, interior do Estado de São Paulo, naquele dia 20 de novembro de 1904. O sino tocava alegremente. Antonio Miorin e sua esposa Ângela Doratiotto, estavam diante da maravilhosa Igreja de Nossa Senhora do Belém, construída de Taipa (pau-a-pique), para batizar seu filho Eugênio Miorin. O Padre Francisco de Paula Lima os esperava para a cerimônia. Foram padrinhos Pedro Benedetti e Itália Miorin.

A Igreja, depois de reformada, foi honrada com um privilégio honorífico do próprio Papa, foi elevada a Basílica Menor de Nossa Senhora do Belém no ano de 1991 e ficou posta diretamente sob proteção apostólica do Pontífice. O Padre Francisco de Paula Lima, pelos seus méritos de honra, ficou sendo patrono do Museu da cidade que se chama Museu Padre Francisco de Paula Lima.

Foi o que encontrei no livro histórico de batizados do ano de 1904:

Igreja Nossa Senhora do Belém – Batismos do ano de 1904, folha 26 verso:

“EUGÊNIO – Aos vinte de Novembro de mil novecentos e quatro, batizei Eugênio, de quarenta dias, filho de Antonio Miorin e de Ângela Doratiotto. Padrinhos: Pedro Benedetti e Itália Miorin. O Vigário: Francisco de Paula Lima.”



Basílica Menor de Nossa Senhora do Belém

Em 1830 iniciou-se a construção da Igreja de Nossa Senhora do Belém (Igreja Matriz), em Itatiba (interior do Estado de São Paulo), hoje elevada a Basílica Menor diretamente sujeita à jurisdição do Papa. Sua construção durou até o ano de 1850, sob a direção do Padre Miguel Correa Pacheco.

Atualmente suas características de arquitetura já não são mais as mesmas da época de sua construção, já que foi reformada por diversas vezes. Chegou a ser reconstruída no ano de 1960, ocasião em que perdeu suas características Barrocas. O único marco que sobrevive desde o século XIX é a torre monumental, uma das mais altas, belas e grandiosas do interior paulista, edificada a partir de 1874 pelo Padre Francisco de Paula Lima (Patrono do Museu). Alguns dos vitrais maravilhosos, que ornamentam as janelas, foram elaborados pelo artista polonês Aeystarch Kaskurewicz, que veio ao Brasil em 1952, fugindo dos problemas causados pela II Guerra Mundial.

O corpo da Igreja foi reformado sucessivamente e em 1962, após 121 anos, toda a velha Matriz de taipa foi demolida, restando apenas a magnífica torre com seus históricos sinos, que sobreviveu até hoje. Sua reconstrução se deu muito rapidamente. E tanto sua história como sua arquitetura são maravilhosos.

Desde os primórdios da povoação sua vida esteve ligada à devoção a Nossa Senhora do Belém, Padroeira da Cidade de Itatiba, cuja data se comemora em 8 de setembro.

FONTES:

http://www.itatiba.sp.gov.br/Pontos-Turisticos/paroquias-e-igrejas.html

http://www.itatiba.sp.gov.br/Pontos-Turisticos/arquiteturas-religiosas/Pagina-2.html

http://cidade.portalitatiba.com.br/igrejas.htm

Todo o mérito de pesquisa do batizado de meu avô se deve ao primo Dr. Michael Vinicius de Oliveira, descendente de Itália Miorin, advogado na cidade de Maringá – Estado do Paraná – Brasil. Obrigado meu primo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mapa do Brasil desenhado por um veneziano


Mapa Geográfico do Brasil

Descrição: Este mapa do Brasil foi publicado por Giovanni Battista Albrizzi (1698-1777), um proeminente editor veneziano de livros e mapas. As notas no mapa, em italiano, incluem várias observações especulativas acerca das pessoas e da geografia do interior do Brasil, nessa época, ainda bastante desconhecido dos europeus. Albrizzi, que herdou o negócio do pai, fazia parte de uma família ativa na publicação e venda de livros em Veneza há 150 anos. Ele desempenhou um importante papel na vida intelectual da cidade e editou um boletim semanal, Novelle della Repubblica delle Lettere (Notícias da república das letras), que analisava e comentava os livros publicados por toda a Europa.


Brasil

Descrição: Este antigo mapa do Brasil é de Jacopo Gastaldi (cerca de 1500-cerca de 1565), um cartógrafo piemontês que trabalhou em Veneza e ascendeu à posição de cosmógrafo da República Veneziana. Gastaldi produziu mapas e ilustrações para partes de Delle Navigationi et Viaggi (Jornadas e viagens), uma compilação de diários de viagem do diplomata e geógrafo veneziano Giovanni Battista Ramusio (1485-1557). A obra de Ramusio compreendia mais de 50 memórias, incluindo os escritos de Marco Polo.

Fonte: Biblioteca Digital Mundial - http://www.wdl.org/pt/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Euclydes Claudio Addeu e a Dona Michelina do Di Cunto

Demorei muito para escrever alguma postagem sobre meu pai, porque falar dele, das lembranças das coisas que ele me contava, muito me emociona. Porém não tive como evitar a lembrança de um fatinho que ele sempre me contava. Tal lembrança me veio ao ler um livro chamado “Mooca – 450 anos” do escritor Euclydes Barbulho. O autor, sem duvida nenhuma, é uma pessoa singular e acabei conhecendo-o através de minha prima Cristiane Addeu Buen famosa artesã de doces incluindo chocolates, e pães de mel. Na coluna lateral direita deste blog tem uma indicação dos chocolates finíssimos de minha prima onde direciona para as fotos das festas e eventos especiais e de altíssimo nível de seu produto.

Euclydes Barbulho, homem de singular importância no bairro da Mooca – que coincidência – era amigo do meu avô paterno João Addeu. Ambos trabalhavam na industria de fogões da Semer S. A. (dos Irmãos Semeraro – como meu avô falava). Esse mundo é pequeno demais e na Mooca as sucessivas gerações sucedem também na amizade.

Eu e Euclydes Barbulho nos encontramos para tratar de assuntos relativos à história das famílias e da Mooca, já que ambos éramos estudiosos e escritores. Nesse encontro fui presenteado pelo próprio autor do livro “Mooca – 450 anos”. Tive a alegria de ter ainda uma dedicatória especial: “Ao Euclydes, meu xará e escritor, que com sua simpatia conquista as pessoas e à mim, um forte abraço.” (assinatura de Euclydes Barbulho e a data de 06/05/2014)

Não posso deixar de dizer que me surpreendi com a gentileza do autor e sua atenção especial. Tantas histórias para contar, tantas recordações, saudades dos anos de ouro e da imigração italiana de nossos ancestrais. A grande coincidência de nós dois termos o mesmo nome: Euclydes – e ainda os dois com “y”.

Ao ler o livro “Mooca – 450 anos”, por um momento me esqueci do mundo deixei o livro cair de minhas mãos e viajei na lembrança do passado... Na página 188, conta a história da Família Di Cunto – hoje famoso restaurante, salgadinhos e doceria da Mooca. Nem sempre o “Di Cunto” foi assim, antes era uma simples padaria. E que padaria, ao modo italiano!

Nos idos anos de 1934, depois de mortos os pais Di Cunto, os filhos decidiram reabrir uma antiga padaria fundada pelo pai em 1896 no bairro da Mooca. Entre os irmãos estava a irmã Michelina casada com Lorenzo. Essa Dona Michelina conheceu meu pai bem menino. E pelo que meu pai contava ela era uma senhora muito boa. Logo falarei da Sra. Michelina. De inicio foi difícil, tiveram que reformar todo o prédio, pois estava desocupado há quatro anos. Lorenzo era um hábil carpinteiro e ajudou muito a colocar a casa em ordem. E em 14 de março de 1935, os irmãos Di Cunto reacenderam o forno restaurado. Para alegria dos italianos e descendentes na região, a padaria era uma maravilha.

Muito comum na época venderem por caderneta, que os fregueses se propunham a pagar no final do mês, e por várias vezes recebiam “calotes”. Caderneta era um caderno pequeno onde se anotava o valor das compras. Mas com muito esforço e dedicação venceram as dificuldades e hoje a Di Cunto é a potencia maravilhosa que todos gostam.

A Padaria Di Cunto estava estabelecida (e ainda é) na Rua Borges de Figueiredo, bem próxima a uma antiga vila (que hoje não existe mais) onde morava a família Addeu: O Nono Paschoal Addeu e sua esposa Renata Sabetta, com seus vários filhos. A vila de casas servia primeiramente para manter a família com os alugueis, depois serviu de morada para os filhos que foram se casando. Um dos filhos de Paschoal Addeu e Renata Sabetta, era o meu avô paterno João Addeu.

É curioso como as coisas acontecem. Andando tranqüilamente pelas ruas do bairro do Belém, João Addeu acabou tropeçando na calçada e se não fosse rápido das pernas teria caído no chão. O tropeção parece ter sido engraçado, pois uma moça que estava na janela de sua casa acabou dando uma suave risada. Foi então que meu avô viu que estava sendo observado e diante dessa moça, retribuiu com um sorriso. Esse foi o primeiro contato que meu avô teve com essa moça que depois acabou namorando e foi sua esposa: Zilda Gomes de Andrade (descendente de família da alta sociedade paulistana, especialmente por parte de mãe. Seu pai tinha um cargo de confiança do Estado de São Paulo).

Casando-se João e Zilda, por um espaço de tempo foram morar na vila da Rua Borges de Figueiredo, muito próximo da Padaria dos irmãos Di Cunto. Desse casamento, nasceu apenas um filho, meu saudoso pai, Euclydes Cláudio Addeu.

Meu pai sempre me contava que, quando era pequeno, sua mãe pedia sempre que ele fosse na padaria Di Cunto comprar pães. E meu pai, ainda muito menino não tinha paciência de ficar aguardando na fila, e então ficava atrás da Dona Michelina pedindo insistentemente:

- Dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães.

Tanto que meu pai insistia, que a Dona Michelina passava meu pai na frente dos demais e lhe dava os pães e ele lhe dava o dinheiro que trazia enrolado na sua pequena mão. Não era comum ter o pãozinho que hoje conhecemos. O Pão era comprido e era chamado de bengala e vinha enrolado num papel.

Meu pai contava isso e ria muito, pois era uma outra época, onde as pessoas se conheciam e tinham um relacionamento muito bom e agradável.

Fonte: Livro “Mooca - 450 anos” de Euclydes Barbulho
As fotos são do meu pai quando era muito jovem.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Neyde Nadeu - uma homenagem

Dia 28 de maio de 2014, às 7:00’ horas, faleceu na cidade de São Paulo, Neyde Nadeu. A dor da perda é sempre dilacerante; muito mais forte quando amamos; indizível quando é de uma família de valor. E assim foi Neyde. Querida por todos, sempre dando bons conselhos, acolhendo a família sempre de braços abertos.

"É estranho e doloroso ver que, quem amamos já não está mais entre nós. A saudade vai aumentando cada vez mais e a lembrança que fica é sempre o sorriso." – Essas foram algumas das manifestações que colhi de alguns parentes por ocasião de seu passamento.

"Neyde sempre foi a mulher forte e digna. A mulher mais sincera, mais amiga... a grande educadora... Gostava de ouvir músicas italianas e assistia os programas da RAI (programa de televisão italiano)." - continuam manifestando os parentes.


Tenho escrito muito sobre a família Nadeu, que é o ramo materno de minha mãe. Tenho encontrado maravilhas para contar. A Neyde nos últimos anos de sua vida enviou várias contribuições para a história da família. Me escrevia sempre que podia. Era vontade dela ver a história escrita e incentivava essa iniciativa. Vejamos o que ela escreveu:

Euclydes, estou gostando de sua habilidade, pois pelos textos  que já li, estão maravilhosos, dignos de um grande escritor.  Fico feliz que tenha gostado do meu texto, pois é difícil retratar uma vida de 70 anos e  como lhe falei tem inúmeros detalhes, com o leiteiro que vinha com a cabra  e tomávamos o leite  na porta, meu  nono que adora e ia assistir às operas no Municipal, casamento  do tio Mario (ele era o meu xodó) gravado na minha memória, uma festona para a época , as viagens do meu pai  e minha mãe a Xavantes onde morava o tio Zé e por ai vai. Fico à disposição no que puder ajudar.

Não sei como andam as informações da Tia Catarina, que envolvem o tio Mario.  Mas eles tiveram quatro filhos, que você deve saber que são:Luiz Carlos Nadeu, Maria Lucia, Roberto Nadeu e Sonia.Escrevi o sobrenome dos homens porque eles também levarão o NADEU; para  outras gerações e pelo menos o Luiz Carlos tem filho homem, do Beto não me lembro se são mulheres ou homens, quase não tenho contato, mas isso é fácil de saber através  da Sonia, com quem  mais falamos, que mora com a Tia Catarina.   Tinha até pensado em mandar cópia do meu texto para a Sonia  ter uma idéia, mas achei meio temerário enviar sem consultar você e também não tenho certeza do que exatamente você quer.

Noutra ocasião, me escreveu falando mais da família:

Euclydes, como você mesmo disse, é muito difícil falarmos sobre nós mesmos. Vou tentar e você publique somente o que achar conveniente. Faça um resumo [...].

O que me lembro  e que eventualmente possa te interessar é:

Da união de Eraquillo Nadeu e Maria Priolli Nadeu, primeiro filho homem de Vicente Nadeu e Joanna Corsini, nasceram os filhos: Neyde, Nair, Neuza Maria  e Nilton/Nilce gêmeos. 

Lembro-me, da minha  infância, que éramos muitos humildes, mas muito dignos e  morávamos em uma casa  muito pequena mais cheia de muito amor. Éramos em doze pessoas, (nono, nona, Ana, Natal, papai, mamãe e meus irmãos). Lembro também que o fogão era  a lenha e sempre tinha  em cima dele, no teto, um varal de lingüiças feitas em casa para  que as mesmas  ficassem  defumadas. O macarrão, a pasta, também eram feitos em casa ou pela nona ou minha mãe, excelente cozinheira.

A nossa primeira geladeira, (isso há mais ou menos 60 anos atrás), era abastecida com pedras de gelo que eram deixadas no portão diariamente.  Televisão não existia na época. Tínhamos um rádio com uma caixa enorme e principalmente à noite nos reuníamos para  ouvi-lo, pois durante o dia todos trabalhavamos ou estudavamos. Não se jantava ou almoçava ouvindo rádio, ficávamos todos sentados à volta de uma mesa enorme: coisa inexistente hoje em dia.

Era a hora em que discutíamos todos os problemas do dia. A vida para nós naquela época era de muita dificuldade. O nono, papai e tio Mario trabalhavam na Prefeitura. Papai era fiscal, essa função hoje não existe mais.

Apesar  de tudo éramos  muito felizes, tínhamos muita união que até hoje, principalmente eu, faço de tudo para mantê-la,  pois hoje em dia com todo o  progresso e modernidade, fica difícil.  Alias isso é típico e bem próprio de família italiana.

Daquela época me lembro  que o nono  (eu era ainda muito jovenzinha), me levava  no carnaval  para ver o corso na Av. São João, era a gloria  para mim. Íamos de bonde, às vezes aberto ou outras no camarão (bonde fechado para quem não sabe). Também ficou registrado na minha memória que ele me levava sempre nos comícios. Ele me tinha sempre por perto e eu era a queridinha dele.

Final de ano, ou seja, Natal e Ano Novo eram aguardados com a maior pompa possível. Naquela época não existia a ceia. A  mesa era colocada  na hora do almoço e ficava montada o dia todo, com aquela comilança,  bem conhecida dos italianos e muito vinho. Voltando no tempo lembro que a tia Rosa* e tio Eugenio** sempre estavam, se não para o almoço era para o jantar. Vinham  também o pessoal de Ourinhos, Tio Zé e tia Antonietta como tambem  o pessoal de Potirendaba, tia Jacomina e filhos.    Natal para o papai sem a presença do tio Zé (pai da Zélia)    não era Natal e não tinha graça.

Nota do Blog: * e ** Tia Rosa e Tio Eugênio são os meus avós maternos, Rosa Nadeu era irmã do pai da Neyde (Eraquillo Nadeu, ou Tio Roque, como era conhecido)

Ainda me escreveu uma última vez, o qual também transcrevo:

Meus pais sempre foram muito trabalhadores e minha mãe um exemplo de mulher, uma avó maravilhosa, batalhadora que  trabalhava fora, cuidava da casa e dos filhos e fomos muito bem educados por ela, pena que Deus a levou muito cedo, 59 anos, quando já estávamos  com  uma situação bem definida, mas torno a repetir, foi muito feliz enquanto viveu. Não deixamos que faltasse nada a ela.

Quanto ao papai, após sua aposentadoria, muito jovem ainda, realizou o sonho da vida dele que era ter uma chácara. A principio com apenas uma casa de pau a pique e as plantações que ele fazia. A coisa que o deixava mais feliz era quando alguém ia passear lá, pois lá, para ele, era o paraíso. Com o passar do tempo, esse casebre virou uma boa casa, com todo conforto, piscina,  churrasqueira etc. Acabou ganhando o nome de “Recanto do Roque”*** (pois todos o conheciam como Roque). Esse lugar, que realmente era maravilhoso, desfrutamos de festas e reuniões memoráveis e inesquecíveis e que, infelizmente, pela falta da presença física, já não se repetem com a mesma intensidade. Em memória a ele, continuamos, na medida do possível, mantê-la ativa e, sempre que podemos, desfrutamos do lazer que ela proporciona e que é muito gostoso.

Nota do Blog: *** Nesse sítio uma vez meu Tio Roque pediu para eu acompanha-lo. Eu era muito pequeno ainda. Então fomos nós três: Eu, o Tio Roque e sua boníssima esposa Tia Maria. Esse fato merece uma postagem especial, pois muitas coisas boas aconteceram nos três dias em que passei com esses meus Tios-Avós maravilhosos.

Com trabalho e dedicação vencemos as dificuldades e hoje  vivemos um outro mundo, com conforto e modernidade. Eu, assim como meus irmãos estudamos, conseguimos trabalhar em boas empresas e, automaticamente, conseguimos vencer. Considero-me uma vitoriosa. Aposentei-me exercendo a função de secretária de diretoria na multinacional Alcan Alumínio do Brasil S. A. Hoje em dia aproveito o tempo com ginástica, hidro, pintura e afazeres manuais, que gosto muito. Viajei bastante. Adoro todos meus sobrinhos com a mesma intensidade.

Abraços, Neyde

sábado, 23 de maio de 2015

O Palácio da Família Corsini

O Palazzo Corsini al Parione é um dos mais suntuosos palácios privados de Florença, situando-se no nº 10 do homónimo Lungarno Corsini, frente ao Rio Arno.

Os Corsini fixaram-se na estagnada cena florentina do século XVII como a mais rica família da cidade, depois dos Grão-Duques, naturalmente. Na realidade, a origem da casa é florentiníssima, com uma ascendência iniciada na Baixa Idade Média como banqueiros, constelada por algumas importantes personagens como Santo André Corsini, Bispo de Fiesole no século XIV, e caracterizada por uma riqueza cada vez mais crescente, graças ao rendimento do Banco Corsini, sobretudo no estrangeiro, em particular na praça de Londres, onde se tornou numa das mais importantes instituições financeiras da capital inglesa. 

O patrimônio acumulado foi reinvestido em numerosos terrenos, sobretudo nos Estados Pontifícios, por cuja magnanimidade não tardou que chegasse o título de Marquês para o chefe da família, mais tarde transformado em Príncipe pelo Papa Urbano VIII. Em 1740, Lorenzo Corsini foi eleito como Papa Clemente XII, coroando uma ascensão social com a duração de séculos.

O Palazzo Corsini al Parione é o principal palácio da família Corsini em Florença. No terreno onde foi erguido encontrava-se uma casa de Maquiavel (obtida, por via herditária, por Maddalena, mãe de Bartolomeo Corsini, em 1650), o Casino del Parione, com parque, do Grão-Duque Fernando II de Médici, erguido sobre casas confiscadas a Bindo Altoviti e adquirido pelos Corsini em 1649, e outras propriedades adquiridas até 1728, entre as quais também se encontrava a casa do advogado Tommaso Compagni.


 Bartolomeo Corsini começou a construção do novo palácio em 1656, inicialmente com o contributo do arquiteto Alfonso Parigi o jovem, ao qual sucedeu, na década seguinte, Ferdinando Tacca e depois, de 1679 a 1683, Pierfrancesco Silvani: à intervenção deste último é atribuído o projeto contemporâneo em forma de "u" e a singular escadaria de forma helicoidal, documentada como tendo sido construída naqueles anos. Depois da morte de Silvani (1685), sucedeu-lhe Antonio Maria Ferri, a quem é devida grande parte do que se pode ver atualmente: os três corpos articulados em torno dum pátio central, a escadaria monumental, a fachada com o original vuoto na parte central. Típicos do período tardo-barroco são os terraços no último andar, decorados por estátuas e vasos em terracota. Algumas fontes indicam certas datas da edificação: em 1687 foi iniciado o lado do rio; em 1690, a fachada; em 1699, o edifício foi mencionado na Guida di Firenze de Raffaello del Bruno, entre outras. A conclusão definitiva dos trabalhos só se deu, contudo, em 1737, embora nem todo o projeto tenha sido executado: do Arno vê-se como a fachada é assimétrica pela falta do corpo esquerdo em direção à Ponte allá Carraia. Também era necessário aplanar uma nova estrada para criar um acesso monumental em direção à cidade, através do corte da Via del Parione até à Via della Vigna Nuova no sítio do Palazzo Rucellai.

Palazzo Corsini al Parione.
O palácio assinalou a passagem do estilo meirista para o barroco em Florença: o usp dos corpos avançados, o terraço central, as janelas com arcos elípticos, os áticos com a balaustrada decorada por vasos e estátuas, eram, todos eles, elementos então inéditos para Florença, os quais seriam frequentemente copiados, sobretudo nos edifícios suburbanos como as villas e os casini.

 

Interiores:

No andar térreo encontra-se uma graciosa gruta artificial, obra de Ferri executada entre 1692 e 1698 com as contribuições do estucador Carlo Marcellini e dos pintores Rinaldo Botti e Alessandro Gherardini.

Do pátio central pode aceder-se à escadaria helicoidal de Silvani e à escadaria monumental de Ferri. Esta última apresenta uma decoração de estátuas neoclássicas e é coroada pelas estátuas do Para Clemente XII, no primeiro andar, e de Lorenzo Corsini, no segundo, esculpida por Carlo Monaldi e disposta por Ticciati em 1737. 

Numerosos são as salas e salões ricos de afrescos, decorações e tapeçarias originais. No andar nobre (piano nobile) abre-se uma loggetta com afrescos executados entre 1650 e 1653 por Alessandro Rosi e Bartolomeo Neri. A pouca distância está presente o majestoso Salão do Trono (Salone del Trono), de grandiosas proporções e ricamente decorado, com colunas e lesenas ao longo das paredes, com uma galeria superior de estátuas antigas e com bustos de vários autores setecentistas colocados sobre as portas e janelas. No teto encontra-se o afresco com a "Apoteose da Casa Corsini" (Apoteosi di Casa Corsini), de Anton Domenico Gabbiani e assistentes, de 1696: entre as cenas representadas, duas figuras aladas levam um modelo do palácio até ao céu.

A sala seguinte é o Salão de Baile (Sala da Ballo), com a abóbada pintada por Alessandro Gherardini. As salas que se seguem formam uma sucessão de preciosos ambientes, com pinturas executadas, entre 1692 e 1700, por Anton Domenico Gabbiani, Cosimo Ulivelli, Píer Dandini, Giovanni passanti, Rinaldo Botti, Andréa Landini e Atanásio Bimbacci, entre outros. Notáveis são, também, as portas e janelas.

O primeiro andar também hospeda vários quadros, a chamada Galleria Corsini, a mais importante coleção privada de arte em Florença, centrada na pintura seiscentista e setecentista italiana e européia, mas contendo, também, alguns interessantes testemunhos da arte renascentista. A coleção foi começada por Dom Lorenzo Corsini, sobrinho do Papa Clemente XII, em 1765.

Atualmente, o palácio, em parte ainda habitado pelos Príncipes Corsini, é usado como sede de exposições e eventos (como a Bienal de Antiguidades (Biennale di Antiquariato), anteriormente hospedada no Palazzo Strozzi, podendo ser visitado.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Palazzo_Corsini_al_Parione