Este Blog conterá a história de minha família, bem como narrações de fatos pitorescos e interessantes ocorridos pelas gerações. Famílias: Addeu e Miorin (famílias ascendentes: Addeo, Naddeo, Nadeu, Sabbeta, Corsini, Bacete, Doratiotto, Visentin, Gaeta, e outras). Acima estão as montanhas de pedras brancas dolomíticas. Maravilha do norte da Itália. Se quiser falar comigo, abaixo das postagens, clique em comentário e deixe sua mensagem.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Mooca e seus grandes nomes

Atribui-se a data de descobrimento do Brasil, a data de chegada da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, aos 22 de abril de 1500.

A cidade de São Paulo, surgiu como missão jesuítica, em 25 de janeiro de 1554, graças ao trabalho incansável do Padre Manoel da Nóbrega e do Pe. José de Anchieta.

No dia 17 de agosto de 1556,começava o marco de uma grande história, era o surgimento da Moóca.

Como se pode ver, a história da Moóca, acompanhou a história de São Paulo e do Brasil.

Descendo do Planalto do Piratininga (primeiro nome de São Paulo), havia campos, florestas e indígenas que conheciam ou já tinham ouvido falar do Pe. José de Anchieta. Vi pinturas daquela região, e posso dizer que aquilo era simplesmente magnífico. Não era um matagal selvagem. Havia um clima ameno onde rios e vegetação se harmonizavam. Que lugar era esse? Futuramente chamou-se Moóca. Muitos falam sobre os vários significados da palavra indígena “Moóca”. Inclusive relacionadas a construção de casas. Mas na língua indígena, “oca” quer dizer “casa”, onde os índios moram. Quando uma “oca” é grande e bem feita é uma “Maior Oca” ou uma “Mor Oca” ou ainda abreviando, uma “Mó-Oca”. Não seria exata esta tradução de Moóca?

A palavra “mor” hoje em dia muito pouco usada, era muito utilizada há alguns anos atrás. O altar principal de uma igreja, era o maior dos outros altares laterais, por isso era chamado de “Altar-Mór”.

Quando uma Oca era mal construída, ou construída de qualquer jeito, era uma "Mal-Oca", ou "maloca".

Ali naquele lugar, no ano de 1556 já haviam moradores brancos, encantados pela beleza da região, construindo suas primeiras casas. As tribos indígenas que havia naquela região eram Tupis-Guaranis, curiosos, observando seus novos vizinhos. Neste mesmo ano, houve um comunicado na governança de Santo André da Borda do Campo, sobre a necessidade da construção de uma ponte sobre o Rio Tameteai (hoje, Tamanduateí); nesse comunicado havia uma menção sobre a “Mó-Oca”.

Posteriormente, no ano de 1605, já havia grandes propriedades de terras naquela região, e uma delas era o Arraial de Nicolau Barreto, onde o Bandeirante Brás Cubas construiu a capela de Santo Antônio, mais tarde transferida para a Praça do Patriarca.

No ano de 1868, houve a instalação na Moóca, da Ferrovia São Paulo Railway (Estrada de Ferro Santos Jundiaí).

Assim, num breve resumo, essa é a Moóca. A Moóca cuja história remonta o início da história do Brasil, o início da história da Cidade de São Paulo... 

A Moóca é um bairro tipicamente italiano na Capital de São Paulo. Mantém as tradições italianas, bem como criou um sotaque próprio, meio “italianado” denominado sotaque mooquense. Um bairro em grande ascensão, muito valorizado e cada vez crescendo mais, sem se esquecer de suas tradições.

Por falar em história, tenho uma boa novidade. Chegou em minhas mãos um livro espetacular: “ELES CHEGARAM... A SAGA DOS BARBULHO”, que narra a história da família Barbulho, da imigração italiana, contando também histórias da nossa São Paulo antiga. Confesso que é um livro de leitura obrigatória, imperdível. Seu autor é Euclydes Barbulho, um nome para ser lembrado na história da Moóca.

O futuro que une tradições. Foi através de minha prima Cristiane que acabei conhecendo esse grande amigo: Euclydes Barbulho. Esse nome não me era estranho, pois tanto meu avo João Addeu, quanto meu pai que também chamava-se Euclydes, já falavam nesse nome. Eu, que ainda era um jovem, apenas ouvia os dois conversarem, sem saber ao certo sobre o que seria. Anos mais tarde, o próprio Euclydes Barbulho me disse que havia trabalhado com meu avô João Addeu, na empresa Semer. Na Moóca as coisas são assim, as amizades se transmitem de pai para filho.

Euclydes Barbulho é Administrador de Empresas, palestrante, professor, e muito especialmente um grande escritor, entre tantos outros títulos que tem. Escreveu vários livros. Minha homenagem a esse grande amigo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Provérbios em Talian - o dialeto Vêneto-Brasileiro

No período entre os anos de 1876-1920, vieram da Região do vêneto 365.710 imigrantes. Da Campânia, 166.080; da Calábria, 113.155; da Lombardia, 105.973; do Abruzzo-Molise, 93.020; de Toscana, 81.056; de Emilia-Romagna, 59.877; da Basilicata, 52.888; da Sicília, 44.390; do Piemonte, 40.336; da Puglia, 34.833; do Marche, 25.074; do Lacio, 15.982; da Úmbria, 11.818; da Ligúria, 9.328 e da Sardenha, 6.113.

Como se vê a região da Itália de onde vieram mais imigrantes, foi a Região do Vêneto. Eles vieram e se estabeleceram no sudeste e sul do Brasil, com seu dialeto próprio, que se manteve durante os anos.

O vêneto falado no sul do Brasil é arcaico quando comparado ao vêneto falado atualmente na Itália, pois é semelhante ao usado no século XIX. Ademais, com o advento da rádio e da televisão, começou uma forte interferência da língua portuguesa no vêneto falado pelos imigrantes no Brasil. Em decorrência, o vêneto brasileiro evoluiu de forma diferente da variedade falada na Itália, uma vez que incorporou itens lexicais do português e se manteve ligado à maneira como era falado no século XIX. Assim, usa-se o termo talian para diferenciar o vêneto falado no Brasil do dialeto vêneto hoje usado na Itália.

O talian é uma variante brasileira da língua vêneta, da mesma forma que o Riograndenser Hunsrückisch é um dialeto falado por descendentes de alemães no Sul do Brasil. O talian não é considerado uma língua estrangeira no Brasil, mas sim uma língua nacional brasileira, porém, sem status de língua oficial.

Hoje eu trago alguns provérbios no dialeto de Vêneto, aqui no Brasil conhecido como “Talian”:

"Can vècio no'l ghe sbaia a la luna" - Cão velho não late pra lua

"Come noantri no ghen'è altri" - Como nós, não há nenhum outro

"Come San Tomaso, no'l ghe crede se no'l ghe mete el naso" - É como São Tomé, não acredita se não mete o nariz

"Chi fà de so testa, paga de so borsa" - Quem faz da sua cabeça, paga do seu bolso

"A caval de un porco grasso" - A cavalo de um porco gordo (Sem nenhuma segurança)
"Amor sensa barufa el fa la mufa" - Amor sem briga, da dor de barriga

"A paroni e mati no se ghe comanda mia." - A donos e loucos não se pode dar ordens.

"Ari che semo apari." - Opa que estamos de acordo..!

"Beati i ùltimi se i primi i ga creansa." - Benditos os últimos se os primeiros são educados.

"Brina su el pantan , piova inco o doman." - Geada na lama, chuva na cama.

"Bruta come el temporal." - Feia como a tormenta.

"Cativa come na brespa." - Braba como uma vespa.

"Chi dà, se smentegá; chi riceve se ricorda." - Quem dá, esquece; quem recebe se lembra.

"Chi è stato rè, el sarà sempre maestà." - Quem foi rei, será sempre majestade.

"Chi fà el prim paga el vin." - Quem faz o primeiro, paga o vinho.

"Chi fà dopo, paga tropo (pròpio)" - Quem faz depois, paga para os dois. (de fato)

"Chi ga prèssia, magna crudo." - Quem tem pressa, come cru.

"Chi ga mia testa, ga gambe." - Quem não tem cabeça, tem pernas.

"Chi guadagna ga sempre rason." - Quem ganha tem sempre razão.

"Chi ride, vive depì." - Quem ri, vive mais.

"Chi sparagna, el gato magna." - Quem economiza, o gato come.

"Chi va drio ai altri, no riva mai prima." - Quem segue os outros, nunca chega primeiro.

"Ciari come le mosche bianche." - Raros como as moscas brancas.

"Ciucia fighi." - Chupa figos..! (Explorador, vigarista.)

"Ciuco come na porta". - Bêbado que nem uma porta.

"Coion el ozel chel ga s-chifo del so nido". - Bobo o passarinho que despreza o próprio ninho.

"Co l’àqua la toca el col se impara nodar". - Quando a água chega ao pescoço aprende-se a nadar.

"Col ghe riva, nol dòpera mia la scala". - Quando alcança não usa escada.

"Come San Tomaso; el crede s’el ghe mete el naso". - Como São Tomaz; acredita só se mete o nariz.

"Come valo el cuor..? – A colpi, a colpi". - Como vai o coração..? – A golpes... A golpes...!

"Cossì, cossì, come na dona sensa el marit." - Assim, assim, como uma mulher sem o marido.

"Contar busie l’è dir el contràrio de quel che se pensa". - Mentir é dizer o contrário do que se pensa.

"De note, un soco el par un orso". - À noite, um toco assemelha-se a um urso.

"De tanto ndar al posso el baldo el perde el mànego". - De tanto ir ao poço o balde perde o cabo.

"Disi sempre che la è cota". - Diga sempre que já está cozida. (Concordar é melhor que contestar)

"Dona bruta, rispeto a casa". - Mulher feia, respeito em casa.

"Dopo del oio, tuto sbrìssia". - Depois da graxa, tudo desliza.

"Drito come un ciodo". - Reto como um prego.

"El balordo el perde el capel e el scrive el so nome". - O maluco perde o chapéu e escreve seu nome.

"El can de tanti paroni el more da fame". - O cão de muitos donos morre de fome.

"El formàio gratà , el fa spissa ai zenoci". - O queijo ralado faz comichão nos joelhos.

"El ga na sorte come un can in cesa". - Tem tanta sorte como um cachorro na igreja. (Só leva coices)

"El gato broà, el ga paura, fin de àqua freda". - Gato escaldado tem medo de água fria.

"El ghe trà a la bocia e el ciapa el bocin". - Atira na bochas e acerta o balim.

"El ghe piomba i vermi". - Leva-o à destruição.

"El la capisse sempre a la reversa". - Compreende sempre às avessas.

"El malan el porta el san". - O doente conduz o sadio.

"El mèio dea festa l’è pareciarla". - O melhor da festa é prepará-la.

"El menestro el ga perso el mànego". - A concha perdeu o cabo. (Um chefe perdeu autoridade)

"El pi busier el lo cata". - O mais mentiroso o encontra (Um perdido..)

"El piande el mort par ciavar el vivo". - Chora o defunto para lograr o sobrevivente.

"El pianta aio par catar sù séole". - Planta alho para colher cebolas.

"El primo di che se va in campagna no se fa mia formàio". - O primeiro dia que se vai ao campo não se fabrica queijo.

"El pi grando inferno in tera , la è na fameia in guera". - O maior inferno na terra é uma família em guerra.

"El scrive come un dotor". - Escreve como um doutor. (Ilegível)

"El va farse benedir". - Vai ao paraíso. (Mais candidamente)

"El va indrio come i gàmbari". - Retrocede como os caranguejos.

"El vol sconder el sol col tamiso". (crivel) - Quer tapar o sol com a peneira.

"Fàcile come el ovo de Colombo". - Fácil como o ovo de Colombo.

"Fate furbo..!" - Acorda..!

"Fin che la dura, mai paùra". - Até que é robusto, nada de susto.

"Fumana bassa, la piova la passa". - Cerração baixa, sol que racha.

"Fumana u el monte, piova tea fronte". - Cerração no morro, chuva no coro.

"Furbo come la volpe". - Esperto como a raposa.

"Furbo come un merlo". - Esperto como um melro. (Dorminhoco)

"Ghe tiro a chi no vedo e copo chi no credo". - Atiro no que vejo e acerto no que não creio.

"Giusto come un deo tel naso". - Exato como um dedo no nariz.

"Giusto come trè e trè i fa sèi". - Exato como "três e três são seis.”

"Giusto come un mostacio". - Certo como o fio de bigode.

"Gras come un porsel". - Gordo que nem um porco.

"Guadagnà in festa, fora par la finestra". - Ganho na festa, fora pela janela. (Ganho fácil, gasto rápido)

"Indormenso col can, dismìssio co i puldi". - Adormeço com o cão, acordo com as pulgas.

"In driocul come un gàmbaro". - De ré, como um caranguejo.

"Inocente come un gal de sete ani". - Inocente como um galo de sete anos.

"Intrigà morir". - Lutando para morrer.

"I se vol un ben da can". - Se prezam que nem cachorros.

"I soldi i fa balar anca el orso". - O dinheiro faz dançar até os ursos.

"I tosati e i colombi i sporca le case". - As crianças e os pombos sujam as casas. (Não guardam segredo)

"La alegria la spanta la malatia". - A alegria espanta a doença.

"La cavra che sbèrega la perde el bocon". - A cabra que berra perde o bocado.

"La morte dea piégora, la salute dei can". - A morte da ovelha é a saúde do cão.

"La mussa e i trenta soldi". - A mula e os trinta dinheiros (Para quem quer tudo).

"La ociosità la è la mama de tuti i vìssii". - A ociosidade é a mãe de todos os vícios.

"La sìmia che se grata, la ciama i balini". - Macaco que se coça quer chumbo.

"La soméia un pèrsego maduro". - Parece um pêssego maduro. (A moça muito bonita.)

"Le busie le ga le gambe curte". - As mentiras têm as pernas curtas.

"L'è come el diàolo ntel àqua santa". - É como o diabo na água benta.

"L'è pi indrio che le patate del porco". - É mais atrasado que batata de porco.

"L'è sordo come na campana". - É surdo como um sino.

"L'è un descanta baùchi". - É um desperta dorminhocos.

"Maledeta la prèssia". - Maldita a pressa.

"Magna quel che te gh’è e tasi quel che te sè". - Coma o que tiveres e cala o que souberes.

"Magna panoce..!" - Comedor de milho ..! (Para chamá-lo de animal)

"Magnemo polenta e pessi ntel rio". - Comemos polenta e peixes no rio.

"Na disgràssia no la vien mai sola". - Uma desgraça nunca vem sozinha.

"Na bronsa querta". - Uma brasa coberta. (Imprevisível.)

"Nissun l'è tanto grando che nol possa imparar; nissun l'è tanto pìcolo che nol". - Ninguém é tão grande que não possa aprender; ninguém é tão pequeno que não possa ensinar.

"Nol ghe vede un palmo davanti el naso.." - Não enxerga um palmo diante do nariz.

"Ntel perìcolo lè mèio starghe distante, che saverla longa". - No perigo é melhor ausência de corpo do que presença de espírito.

"O magna sto osso o salta sto fosso". - Ou come este osso ou pula este poço.

"Ogni busa la ga la so scusa". - Toda a cova tem sua desculpa.

"Ogni fuso el ga el so buso". - Cada barbante tem sua passagem.

"Par ndar in Paradiso bisogna diventar inocenti come i tosatèi". - Para ir ao céu é preciso tornar-se inocente como as crianças.

"Pimpian se va a lontan, forte se va a la morte". - Devagar se vai ao longe; forte se vai à morte.

"Piova de inverno, deventa un inferno". - Chuva no inverno, vira um inferno.

"Piova de istà, beati chi la ga". - Chuva de verão, benditos os que a terão.

"Piove a sece roverse". - Chove aos baldes.

"Prima San Piero, dopo i so Apòstoli". - Primeiro São Pedro, depois os outros apóstolos.

"Rosso come un gàmbaro tea padela". - Vermelho como um caranguejo na frigideira.

"Rosso come un garòfolo". - Vermelho como um cravo.

"Scarpe nove fa mal ai pié". - Sapato novo machuca o pé.

"Se Dio vol e el toro el me assa". - Se Deus quiser e o touro permitir.

"Sgionfo come un rospo". - Estufado como um sapo.

"Va farte benedir..!" - Vá fazer-te abençoado..!

"Va piantar patate..!" - Vá plantar batatas..!

Quem quiser saber mais sobre o Talian:

Fonte dos provérbios em Talian:

Fonte da foto: Capa da Revista Talian - Brasil

sábado, 15 de junho de 2013

O Salvo Conduto e minha bisavó Ângela Doratiotto Miorin

Depois que passaram a morar no Bairro da Moóca (Capital de São Paulo), meus bisavós Antonio Miorin e Angela Doratiotto Miorin viveram tranquilamente, seus filhos arranjaram emprego e a vida prosseguia normalmente. Porém um de seus filhos havia ficado na cidade de Campinas: o filho que permanecera solteiro e que trabalhava numa leiteria: Luiz Miorin.

Luiz Miorin, vinha sempre visitar seus pais (meus bisavós) no bairro da Mooca. Há muita história para contar sobre ele, algum dia vou fazer uma postagem só sobre os filhos de meus bisavós maternos.

Porém a situação política mundial agravava e os povos não mais se entendiam. Depois da Primeira Grande Guerra, veio a Segunda Guerra Mundial. Os empresários italianos tinham que transferir a sua empresa para gente de confiança que tinha nacionalidade brasileira. Era proibida a livre circulação de estrangeiros em território nacional. Para viajar de uma localidade para outra era preciso estar acompanhado de um “salvo-conduto”.

Minha bisavó, Angela Doratiotto Miorin, certamente preocupada com as restrições de livre circulação em razão da guerra, como seu filho não vinha mais visita-la, e ainda preocupada porque seu filho Luiz Miorin tinha um certo problema de saúde, resolveu então ela mesma ir para Campinas visitá-lo na Leiteria Sant'Ana. Mas não era fácil pegar o trem e partir livremente, a policia poderia causar algum embaraço, pois minha bisavó era italiana. Foi assim que ela foi obrigada a solicitar das autoridades um documento chamado "Salvo-Conduto" que lhe permitia viajar sem qualquer problema. Ela deveria pegar o trem rumo à cidade de Campinas para ir à Leiteria Sant’Ana, onde trabalhava seu filho Luiz Miorin. Com o "Salvo-Conduto" cujo documento está em foto nesta postagem, ela poderia ir de trem.

Então foi solicitado perante às autoridades brasileiras a emissão de um salvo-conduto, para viajar de trem até Campinas, na Leiteria Sant’Ana.

Uma observação importante é que no salvo conduto, constou a data de nascimento de minha bisavó como sendo 19/07/1874, sendo que na verdade sua data de nascimento correta é 15 de janeiro de 1876, conforme consta no seu documento de identidade.


O SALVO CONDUTO, era válido para uma viagem com destino até Campinas, através de trem (Via Férrea), cujo endereço final era: Leiteria Sant’Ana – motivo da viagem: visita. Era válido até 09/03/1944.

O estrangeiro, portador da presente caderneta “salvo-conduto”, só poderá obter o “visto” afim de viajar para localidade determinada e com prazo certo.

Chegando ao destino, deverá apresentar-se à autoridade policial da localidade, à qual exibirá esta caderneta, para as devidas anotações.

Ao retirar-se da localidade, deverá obter novo “visto” para a localidade que de destina.

Os “vistos” dos Salvos-Condutos só serão válidos para uma viagem.

O portador da presente caderneta fica obrigado por ocasião do embarque ou durante a viagem, a exibir, quando solicitado, juntamente com esta, a prova de nacionalidade.

SOBRE O SALVO CONDUTO:

Salvo-conduto é um documento emitido por autoridades de um Estado que permite a seu portador transitar por um determinado território. O trânsito pode ocorrer de forma livre ou sob escolta policial ou militar.

Os salvo-condutos são emitidos principalmente em tempos de guerra para cidadãos que potencialmente possam ser capturados sob alegação de diversos motivos.

No Brasil, os salvo-condutos foram emitidos em larga escala durante a Segunda Guerra Mundial aos milhares de imigrantes italianos, alemães e japoneses. O salvo-conduto era necessário para que os imigrantes pudessem se deslocar dentro do Brasil, que havia declarado guerra ao Eixo. Era também muito comum que fossem emitidos salvo-condutos também aos filhos destes imigrantes já nascidos no Brasil, mas que pouco falavam a língua portuguesa por viverem dentro das colônias sem contato com as grandes cidades.

Atualmente, o salvo-conduto é um privilégio diplomático.

Este também é uma ação constitucional, o "Habeas Corpus". Ao garantir a proteção de liberdades individuais de locomoção quando esta se encontra indevidamente em vias de violação. Sendo mera ameaça de violação do direito de ir e vir o Habeas Corpus é obtido por meio de um 'salvo-conduto'.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvo-conduto

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Famílias Miorin e Doratiotto - uma amizade eterna

Minha bisavó materna, Ângela Doratiotto, havia chegado como imigrante no Brasil, no ano anterior ao de sua própria família. Segundo ela mesma dizia, viera ao Brasil com a família de Sperandio Miorin. 

Sua nora, Rosa Nadeu (minha avó materna) comentava comigo que não sabia se isso era verdade. Mas, anos depois, estudando a história da imigração, pude constatar que ela realmente não veio para o Brasil com seus pais Giuseppe Doratiotto e Santa Basetta (que chegaram no Brasil, desembarcando no porto da cidade de Santos, com o Vapor Solferino, em 19/12/1892, com seus demais filhos).

Sperandio Miorin, nascido no ano de 1858, morava em Treviso com sua mulher Ângela Padovese (casados em 18/04/1887). Juntamente com sua família, trouxeram minha bisavó (Ângela Doratiotto), para o Brasil alguns meses antes de seus pais. Ela ainda era uma menina. Chegaram ao porto de Santos (Estado de São Paulo – Brasil), com o Vapor N. América em 11/09/1891.

Porque ela veio junto com Sperandio e não com sua família? A hipótese mais provável dos estudos, como tudo indica, leva a crer que minha bisavó Ângela Doratiotto, quando menina, trabalhava para Sperandio Miorin, fazendo serviços domésticos e cuidando dos filhos pequenos do casal: Luigi (3 anos de idade) e Fiorella (1 ano de idade). Ângela Doratiotto era ainda bem jovem (tinha uns 13 ou 14 anos), mas provavelmente queria ajudar no orçamento familiar de sua família que era modesta. Seu pai, Giuseppe Doratiotto (filho de Pasquale Doratiotto), era cozinheiro num mosteiro de frades ou seminário.

A Família Doratiotto, mais remotamente veio das regiões montanhosas do Norte da Itália. Acostumados a neve pesada e montanhas escarpadas, vales de ouro e rios de prata, pequenas casas cobertas de flores – como diz a música Trentina e do Alto Ádige. Montanhas de pedras brancas, confundindo o turista, se ainda é a Itália ou a trilha que leva ao Paraíso.

Pasquale Doratiotto (meu tetra-avô que nasceu no ano de 1811) tinha dois filhos: Giuseppe Doratiotto (nasceu em 1844) e Giovanni Doratiotto (nasceu em 1846). Todos nasceram e viviam na comune de Roncade (Província de Treviso, Região do Vêneto). Vieram para o Brasil como imigrantes, se estabelecendo na cidade de Itatiba – interior do Estado de São Paulo. Posteriormente a família se dividiu: os descendentes de Giovanni Doratiotto se mudaram para a cidade de Atibaia (interior de São Paulo) e ainda hoje lá se encontram de grande número. Os descendentes de Giuseppe Doratiotto, vieram para o bairro da Mooca – Capital de São Paulo.

Giuseppe Doratiotto (meu tri-avô materno), era casado com Santa Basetta. Tiveram vários filhos e filhas. Minha bisavó Ângela Doratiotto (filha de Giuseppe e Santa), nasceu na comune de Roncade, Província de Treviso, Região do Vêneto, aos 15/01/1876 (faleceu no ano de 1968, com 92 anos de idade, no bairro da Mooca – São Paulo, Brasil), e sempre contava que, em Treviso, ela morava numa praça muito bonita, onde no centro havia uma Igreja.

A minha tri-avó Santa Basetta, era descendente de família do norte da Itália também, da região da Lombardia, cuja capital é Milão. Fica perto da região do Piemonte (Torino, Vale d’Aosta, Genova), região dos grandes Alpes cobertos de Neve.

Mas tudo começou quando a família toda se estabeleceu, como imigrantes, na cidade de Itatiba – interior de São Paulo, sobre a qual falarei mais adiante.

ELO DE LIGAÇÃO DE AMIZADE ENTRE OS DORATIOTTO E OS MIORIN:

Qual era a ligação entre os Miorin e os Doratiotto? Ambas famílias moravam em Treviso – Região do Vêneto. Os Miorin moravam em sua grande maioria na Região de Friuli Venezia Giulia, na Província de Pordenone, comune de Cordenons. Mas muitos moravam na Província vizinha de Treviso, na Região do Vêneto. 

A família Miorin sempre foi muito amiga da família Doratiotto. A família de minha bisavó vivia muito modestamente, mas os Miorin, apesar de também sofrerem as enormes dificuldades da época, tinham terras e plantavam. Cultivavam e faziam cordas de fibras vegetais que vendiam para toda a região bem como para os países vizinhos, como a Áustria.

Meu bisavô Antonio Miorin, que no Brasil veio a casar-se com minha bisavó Ângela Doratiotto, freqüentava escola (na Itália e depois no Brasil), sabia ler e escrever italiano e português, era muito inteligente. Como líder natural, acostumado com os negócios de família, comandava os imigrantes nos trabalho nas fazendas. De madrugada, antes de raiar o sol, ia para adiante das vilas de casas e puxava a corda do sino que trouxera da Itália, para acordar seus irmãos imigrantes, e iniciar os trabalhos da fazenda.

A FAMÍLIA MIORIN NA ITÁLIA E DEPOIS EM ITATIBA:

Na Itália, Francesco Miorin (meu tetra-avô) era casado com Catterina Simonetti (que era da região de Treviso). Ambos tinham família muito numerosa. Mantinham sua propriedade rural, com plantações e especialmente de fibra vegetal para a produção de cordas que eles mesmo fabricavam. Cordas, na época eram muito utilizadas em vários setores.

Já escrevi em outras postagens, que recomendo a leitura, sobre a terrível crise que se abatia sobre a Europa no século das imigrações. Com a abertura dos portos aos imigrantes, a América atraiu para si milhares de europeus. Faziam propaganda das férteis terras brasileiras, do clima tropical, do futuro promissor aos desbravadores europeus... Era irresistível.

Um dos filhos de meu tetra-avô Francesco Miorin, chamava-se Francisco Miorin (nascido no ano de 1845 - meu tri-avô), era casado com Celeste Visentin (minha tri-avó). Casaram-se em Treviso, na Itália, aos 21/11/1871.

Reuniram a família, conversaram, e muitos decidiram vir para a “América” (como eles chamavam o Brasil). Decisão muito difícil na época, pois tinham bens e negócios. Mas a crise provocada por movimentos revolucionários abatia todos. Mudanças na Europa, queda de monarquias, movimento de unificação da Itália, tudo levava para um caos que parecia não ter fim. Depois de uma reunião em família, resolveram vender tudo, deixando apenas algumas coisas para os que ficavam em solo italiano. Meu tri-avô trouxe para o Brasil uma mala cheia de dinheiro austríaco (certamente fruto da venda da fazenda). Entre irmãos, cunhados, primos, filhos, esposas, etc, acredita-se que umas 90 pessoas dos Miorin daquela região, resolveram vir para “América”.

Pegaram seus filhos, primos, irmãos e partiram para a mais dolorosa despedida: a despedida de seus parentes que ficavam. Sabiam que jamais voltariam a se ver novamente, e então diziam: “Nos encontraremos no Paraíso”.

Trouxeram um sino de Igreja de tamanho médio, para que os acompanhasse nessa viagem rumo ao desconhecido. Um dos seus filhos que cuidava do sino era o meu bisavô Antonio Miorin (nascido em 29/05/1874). O sino que trouxeram de Vêneto, acompanhou meu bisavô durante toda sua vida na fazenda, em Itatiba. Na Casa do Imigrante (Bairro do Brás - Capital de São Paulo), consta nos registros dos livros, a existência do sino a que me refiro. Depois esse sino desapareceu.

Em Treviso, o acumulo de imigrantes era grande esperando o trem que iria levá-los até Gênova,  onde tinha o porto de navios. Chegando o trem, todos se abraçam, choram, pegam as crianças e os pesados baús e malas de viagem e colocam no trem. Depois amontoam-se nas janelas para dar o último adeus aos que ficavam. O trem atravessa todo o norte da Itália rumo à Gênova, onde havia o porto de navios. Antigamente, os navios que vinham para o Brasil eram a vela, e demoravam em torno de três meses para chegarem. Mas agora os navios já são à vapor e somente demoram um mês de viagem. Enfrentar o mar, era coisa de heróis. Ondas gigantes, ventos fortes, noites frias, chuvas... havia notícia de que um navio já tinha afundado matando todos os seus tripulantes. Antes de partir, havia uma missa. Rezavam, pediam bençãos, levavam objetos religiosos para trazerem ao Brasil. Consta na "trajetória dos imigrantes" que eles vinham nos navios rezando seus terços.

O Navio que transportaria a família Miorin era o Vapor Colombo. Balançando heroicamente sob as ondas do mar oceano, levavam consigo sua família, sua bagagem e sua fé católica.

O Vapor Colombo chegou no porto do Rio de Janeiro em 25/04/1892 e depois de mais oito dias, chegou ao porto de Santos em 03/05/1892, onde desembarcaram. Olharam o mar, a Itália já não estava mais ali. Olharam para o continente, as montanhas estavam ali. Subiram no trem e desembarcaram na Casa do Imigrante no bairro do Brás na Capital de São Paulo. De lá, depois de descansarem, dormirem e se alimentarem, foram encaminhados para as fazendas de café da cidade de Itatiba – interior de São Paulo, nas terras do Barão de Ibitinga.

Em Itatiba, trabalharam, mostraram sua cultura e foram admirados pelos coronéis e barões do café. Uma das fazendas que conserva até hoje a história da imigração italiana é a Fazenda Nossa Senhora da Conceição. Nossa família cultivou naquelas terras de Itatiba, uva e outras plantações típicas italianas, além de cuidar do café das fazendas. Das uvas nossa família fazia preciosos vinhos para consumo doméstico, bem como queijos de sabores inigualáveis. Antonio Miorin (meu bisavô), sabia fazer queijos.

Com o passar do tempo, os filhos foram crescendo e o pai Francesco Miorin acabou ficando velho, cego e viúvo. Os filhos, que aos poucos iam se casando e tendo outras obrigações, não tinham tempo de cuidar do pai viúvo Francesco Miorin. Quem conta essa história é meu tio-avô Pedro Miorin:

“Tendo se tornado viúvo, velho e cego, os filhos não podiam cuidar como deviam de seu pai. Então acharam por bem arranjar uma nova esposa para ele, que pudesse cuidar dele. Mas estava difícil, pois não encontravam ninguém que fosse solteira ou viúva e que quisesse se casar com ele. Até que um dia um dos filhos conseguiu. Meu tio-avô Pedro Miorin dizia que a mulher era manca e não era muito bonita, mas também ele era cego... Desse segundo casamento nasceu uma filha que puseram o nome de Itália. Depois de crescida essa moça foi morar na cidade de Marília – interior de São Paulo – onde construiu sua própria família e descendentes. Não temos notícias dela, apesar de procurar muito.” Quem contou essa história ao caçula Pedro Miorin foi seu pai Antonio Miorin já no Brasil.

Outra história da cidade de Itatiba, o próprio meu tio-avô Pedro Miorin é quem conta:

“Em Itatiba, morava um homem muito ruim que se chamava “Cuba”. Ninguém gostava dele, pois ele só fazia maldades. Um dia ele morreu, porém como ele era muito ruim, ao invés de enterra-lo, embalsamaram ele e puseram o “Cuba” de pé, na porta da Igreja, para que todos que passassem por ele, pudessem belisca-lo. Quando eu era pequeno, sempre que minha mãe me levava na missa, eu passava por lá e beliscava ele."

Nota explicativa do "Cuba": Meu tio-avô Pedro Miorin, não era de mentir. Algo teria acontecido com esse tal de "Cuba". Depois eu vim a saber que, de fato, havia um boneco na porta da Igreja fazendo propaganda de alguma coisa, ou anunciando as festas juninas, ou outra coisa parecida. Minha bisavó Ângela Doratiotto Miorin, sabendo como seu filho Pedro era teimoso algumas vezes, procurava amedrontá-lo dizendo sobre o "Cuba" e o destino de pessoas ruins e teimosas. Ele, por ser criança, acreditava na existência do "Cuba" e procurava ser melhor filho.

É preciso dizer que a cidade de Itatiba foi construída totalmente incrustada em colinas, chegando a receber o apelido de Princesa da Colina, e posteriormente, por sua beleza natural, ficou sendo conhecida como a “Suissa Paulista”. Foi nessa cidade montanhosa que meu bisavô Antonio Miorin conheceu a minha bisavó Ângela Doratiotto. Casaram-se e tiveram vários filhos. Conheci apenas 11, de seus filhos:

1) Eugênio Miorin, meu avô materno, nascido em Itatiba, aos 17/10/1904, viveu no bairro da Mooca, trabalhou nas fazendas de café, em construção de ferrovias e depois na Congas – Companhia de Gás. Faleceu na Capital de São Paulo aos 30/10/1990.

2) Antonio Pedro Miorin – apelido “Tio Tunin” – Se estabeleceu no Bairro do Tatuapé (Capital de São Paulo) – falecido.

3) Giuseppe Miorin – apelido José ou “Tio Bepe” ou Tio Bipím), morava na cidade de Guarulhos em São Paulo – falecido.

4) Luiz Miorin (este ficou solteiro, tem muitas histórias sobre ele, uma delas é que sempre escondia doces para dar aos sobrinhos quando iam visita-lo – era querido por todos). Morava em Artur Alvim – São Paulo – falecido.

5) Rosa Miorin – apelido “Rosina”. Morava na cidade de Guarulhos (SP), tem uma única filha que fazia panetones na Industrias Bauduco. Faleceu com 100 anos de idade. Sua filha, conhecida pelo apelido de “nininha” chama-se Vitorina.

6) Celeste Miorin (morava no Paraná, depois mudou-se para o Bairro do Ipiranga em São Paulo). Era conhecida pela habilidade no cultivo de plantas e horticultura – Fazia sabão com abacate – falecida.

7) Ricardo Miorin (este era o primogênito) – Falecido.

8) Olívia Miorin (depois de casada ficou sendo Olívia Miorin Bertão) – morava na cidade de Campinas – SP – falecida em idade muito avançada.

9) Lucia Miorin (falecida).

10) Catarina Miorin – apelido “Tia Catina” – falecida.

11) Pedro Miorin - O caçula. Era casado com Geralda, teve dois filhos Pedro e Paulo, e netos. Sua esposa Geralda era filha de italianos também, e por isso lhe chamavam carinhosamente de "Geraldina" e desse modo acabou ficando "Tia Dina". Esse meu tio-avô era de temperamento muito alegre, gostava muito de contar histórias da família e era muito hábil comerciante. Um dia contarei a história dos "irmãos Miorin". Vale muito a pena.

Meu avô Eugênio Miorin, aprendeu muito bem com seu pai e se tornou hábil na arte da poda da videira, o que fazia dar sempre frutos de ótima qualidade. Nas fazendas, colhiam café, plantavam. Muitas vezes eram solicitados em outra fazenda para ajudar na colheita do café e posteriormente do algodão. Quando estavam em Ribeirão Claro – no Estado do Paraná – meu avô Eugênio Miorin, casou-se com uma imigrante italiana do sul da Itália que vivia com sua família pelos lados de Campinas, numa fazenda conhecida como Arraial dos Souza. Ela era da família dos Nadeu (Nadeo, Naddeo) que vinha de Pellezzano, Província de Nápoles.

Dessa região, repleta de feitos heroicos, como já relatado neste blog, vinha um tipo de italiano cheio de fé, com canções e orações naturais de seu dialeto, com uma vontade de trabalhar que fazia admirar. Uma doçura de tratamento que não se encontrava fácil. Assim, meu avô Eugênio Miorin conheceu Rosa Nadeu, e casando-se em Ribeirão Claro, no Estado do Paraná (em 07/05/1932), foram posteriormente morar no Arraial dos Souza.

Rosa Nadeu, nasceu em Arraial dos Souza, Estado de São Paulo, aos 08/10/1910 e faleceu na Capital de São Paulo aos 22/05/1991.

Eugênio Miorin, nasceu em Itatiba, Estado de São Paulo, aos 17/10/1904, tendo falecido na Capital de São Paulo, aos 30/10/1990.

Porém a situação política no Estado de São Paulo estava ruim. Se falava em revolução e guerra. Era a década de 1930. Nova crise chegava. A República Velha vinha perdendo força diante dos acontecimentos anarquistas. Os Estados Brasileiros brigavam entre si, especialmente Minas Gerais e São Paulo. Os imigrantes, como minha família, foram obrigados a construir trincheiras nas terras por onde passariam os soldados. E depois disso foram obrigados a saírem correndo, porque os soldados estavam chegando e lá haveria confusão.

Meu bisavô Antonio Miorin com sua família, após terem aberto no solo as trincheiras, largaram tudo e saíram às pressas rumo à Capital de São Paulo, especialmente para o Bairro da Mooca, que era o local onde havia terras para vender e construir suas casas e para onde estavam indo uma grande parte de imigrantes.

Entre outros pertences, meu bisavô Antonio Miorin, levava nas costas um grande saco de pano, repleto de queijos. Porém ao subir a montanha, uma das pontas escapou de suas mãos, e ele viu muito surpreso e triste, a fileira de queijos rolando montanha abaixo... Isso lhe marcou tanto que durante muito tempo ficou contando e re-contando essa história, dos queijos maravilhosos que ele havia perdido.

Chegando no Bairro da Mooca, comprou um terreno e com seus filhos, Antonio Miorin, construiu uma casa muito especial onde morei por nove anos.

Fonte das fotos: internet, desconheço o autor.
Primeira foto: Foto-pintura dos meus bisavós Antonio Miorin e Ângela Doratiotto.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lembranças de minha bisavó Ângela Doratiotto Miorin


(Segundo informação do filho mais novo de minha bisavó, essa foto foi tirada no ano de 1918 - época em que a fotografia era rudimentar e que precisava de uma ajuda com pintura extra. Todos diziam que esse quadro era de minha bisavó Angela Doratiotto, e ficava pendurado na sala principal da casa). De fato, o quadro era de minha bisavó, mas não era ela quem estava no retrato. A foto era de Santa Basseto, a mãe de minha bisavó, pois na época da foto minha bisavó Angela Doratiotto tinha apenas 41 anos de idade.

Minha bisavó materna, com quem convivi durante nove anos, Ângela Doratiotto Miorin (falecida em 1968), me deixou muitas histórias para contar. Era casada com o imigrante Antonio Miorin (falecido em 1960). Eu sempre observava seu modo de ser, suas conversas com meu avô e com minha avó. Ela conversava em “português” e algumas vezes um pouco puxado para o “italiano”, mas por muitas vezes dizia frases no dialeto Vêneto. Eu entendia tudo o que ela dizia, e prestava muita atenção, repetindo as expressões e frases italianas com meus pais e meus avôs. Minha avó Rosa Nadeu Miorin gostava e sorria quando eu dizia essas frases.

Quando ela estava bem idosa, um pouco antes dos noventa anos de idade, uma vez estava na porta de casa, observando o movimento da rua.

Quando eu vi que ela estava na porta, quis ir para lá para ficar fazendo companhia para ela que eu amava muito. Foi só eu me aproximar, para poder presenciar a cena pitoresca:

Dois meninos andavam pela rua, com uma tartaruga na mão. Ao passarem por minha bisavó, perguntaram:

A senhora não quer a tartaruga?

Ao que ela respondeu:

Essa é a bola do meu filho*, me dê aqui. O menino esticou a mão e ela pegou a pesada tartaruga, jogando-a para dentro de casa.

Os meninos conseguiram se livrar da tartaruga, riram e se foram embora.

Foi assim que eu “ganhei” a tartaruga que viveu longos anos conosco. (*Minha bisavó, me chamava de "filho", tal o carinho que tinha comigo).

(Esta foto, provavelmente, foi tirada no ano de 1938. Minha bisavó estava com 61 anos de idade).

Alguns anos antes, eu era pequenino, havia ficado gripado e com febre.

Não me lembro disso, porque era muito pequeno, mas minha mãe me contou que essa minha bisavó várias vezes sentou-se na minha cama e chorou vendo-me adoecido.

Inenarráveis os momentos de alegria que eu tinha ao conviver com todos eles. Parece que essa característica carinhosa ela transmitiu a todos os seus filhos, porque eu via neles sempre muito carinho e atenção. Tanto os seus filhos como suas filhas, que eram meus tios-avós, mas que eu chamava simplesmente de tios, sempre me recebiam muito bem, eram todos alegres e muito educados.


(Esta foto foi tirada, provavelmente, no ano de 1945, minha bisavó estava com 68 anos de idade, e já haviam nascido minha mãe e seus dois irmãos que eram pequenos e estavam presentes nessa foto)


Quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, ganhei de presente, do meu saudoso pai, um patinete muito bonito. Os antigos patinetes eram muito melhores do que os modernos, pois tinham duas rodas grandes e um pedal traseiro que era o breque ou freio.

Como eu morava numa casa grande, com um quintal grande, andava com meu patinete pelo corredor lateral. Ia e vinha muito contente. Ela, minha bisavó Angela Doratiotto Miorin, debruçada no murinho que ladeava a casa, só me observava com os olhos, mas parecia estar admirada com alguma coisa.

De repente chega o meu avô materno, Eugênio Miorin, saindo de dentro da casa, e, andando calmamente, fica ao lado dela, sua mãe, para ver o que ela estava fazendo... Ao ver a presença dele, ela olhou para ele e disse: Cada coisa que inventam, um brinquedo que anda só com duas rodas.

Eu ouvi o que ela disse por que passava bem próximo a eles, naquele momento. Ela, que era imigrante italiana, chegara muito jovem no Brasil, passara toda sua juventude nas fazendas com sua família, como a grande maioria dos imigrantes, não estava acostumada com as modernidades da cidade grande. Meu avô deve ter entendido bem a observação de sua mãe.

Isso me deixava muito contente, porque eu gostava muito das histórias que ela e meus avôs me contavam, porque continham uma realidade vivida pela família que eu tanto admirava.


(Esta foto, provavelmente, foi tirada no ano de 1966 ou 1967, pelo meu pai. Minha bisavó estava com 90 anos de idade. Do lado esquerdo estava meu avô Eugênio Miorin e no meio estava eu)

Num dia com muito sol, estranhei que não era minha mãe que veio me buscar na escola, mas uma vizinha muito amiga da família. Mas como ela falou que minha mãe tinha mandado ela me buscar, então fui com ela. O mais estranho de tudo, para mim, é que não fui levado para minha casa, mas para a casa de uma irmã dela que ficava numa outra rua, mas próximo da minha.

Ninguém me dizia nada, e eu também não perguntava, apenas onde estava minha mãe. Elas diziam que minha mãe pedia para eu ficar um pouco lá com elas. Como eu as conhecia, eram amigas da família de longa data, fiquei por lá, mas impaciente para chegar em casa. Mesmo que brincassem comigo, meus pensamentos estavam em minha mãe. Eu percebia que entre eles havia um mistério, conversavam baixo para eu não ouvir. Isso me causava um sentimento estranho. Depois de algumas horas, resolveram me levar para casa. Quando cheguei lá tive uma surpresa, minha família toda reunida, havia mais de 40 pessoas, entre irmãos de meu avó, de minha avó, primos que moravam longe. Logo que me viu, minha prima Regina veio brincar comigo, mas os outros permaneciam sérios e alguns muito tristes. Tínhamos um quintal muito grande, com plantações e horta, com vários animais de estimação. Árvores frutíferas davam uma sombra muito saborosa e o canteiro de flores de minha avó dava a cor e o perfume devido à tão aprazível lugar.

O que teria acontecido? Não se sabia, apenas havia tristeza no ambiente. Algo muito estranho para mim. Logo, minha tia Celeste (filha de minha Bisavó, irmã de meu avô Eugênio – que eu chamava de tia, mas era minha tia-avó) me chamou. Não falou nada. Aliás, ninguém falou. Mas eu tudo percebi.

Quando entrei na sala, puder ver minha bisavó morta, na urna funerária, em cima da mesa, com muitas flores, e uma renda branca que lhe cobria seu corpo. Antigamente, se velava os finados na própria casa. Ela tinha 92 anos de idade e eu 9 anos de idade. Tinha nascido em Treviso, região do Vêneto (Norte da Itália) em 15 de janeiro de 1876 - filha de Giuseppe Doratiotto e de Santa Basseto. Seu avô paterno chamava-se Paschoal Doratiotto.

Minha tia-avó Celeste Miorin disse: deixe ele se aproximar. Jamais poderei descrever o sentimento que passava em minha alma. Como eu era pequeno, me levantaram e eu então pude beijar os pés de minha bisavó. Beijei, com muito amor, aqueles pés que andaram na Itália; os pés vieram de longe e que andaram em solo do interior paulistano deste meu querido Brasil, e que depois caminharam até a Capital de São Paulo, no Bairro da Mooca, onde morou e transmitiu a seus filhos, netos e bisnetos, a boa educação, os bons costumes e a honra de ser descendente de italianos.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Jogo de Bocha e os Imigrantes Italianos


Enquanto meu avô paterno gostava de malha, meu avo materno, Eugênio Miorin, gostava de bocha. Muitas vezes acompanhei meu avô Eugênio ao campo de Bocha. Vi várias vezes ele jogando e ele era muito bom. Chegou a ser campeão e ganhou uma medalha. Era muito estimado por seus amigos que carinhosamente chamavam-lhe de “vovô”. Às vezes, faziam brincadeiras apostando que quem perdesse pagava a cerveja no final do jogo. Como meu avô não bebia cerveja, para ele vinha o refrigerante guaraná, que bebia com satisfação da vitória obtida.

Assim como o jogo de Malha, o jogo de Bocha também foi trazido para o Brasil pelos imigrantes italianos.

O Campo de bocha é retangular e é chamado de cancha. Tem a medida de 26,50 metros de comprimento por 4 metros de largura. Guias laterais na cancha, 30 centímetros de altura, não deixa as bolas saírem do campo. Quando eu visitava as canchas, todas tinham o chão feito de terra batida.

É composto de 6 bolas (bochas) e um bolim (bola pequena). As bochas têm 10,7 centímetros de diâmetro e pesam entre 900 a 950 gramas. O bolim (bola pequena) tem de 3,5 a 4 centímetros de diâmetro. As bolas são maciças, de madeira e sem furos, diferentes apenas nas cores que distinguem as equipes.

As bochas são lançadas com a mão. Pode ser jogado por duas pessoas ou mais. São divididos em duas equipes, cada qual com as bolhas de coloração diferente.

O esporte consiste em lançar as bochas e situa-las o mais perto possível do bolim, previamente lançado. O adversário, por sua vez, tentará situar as suas bochas mais perto ainda do bolim ou remover a bola do adversário. Podem ser lançadas devagar rolando sobre o campo, às vezes dando-lhe efeito, ou podem ser lançadas pelo ar atingindo as bochas do adversário “espirrando-as” para longe do bolim.

Ao contrário do jogo de malha, onde cada jogador ou equipe ocupa uma ponta do campo, no bocha todos ficam num mesmo lado, podendo lançar duas bolas de cada vez. A primeira bola a ser lançada, certamente é o bolim, em seguida começam as disputas para quem se aproxima mais e ganha mais pontuação.

Hoje em dia a pratica deste esporte vem evoluindo cada dia mais, pois é um esporte atrativo que envolve desde crianças até idosos. Hoje os jovens são em grande maioria os que disputam os campeonatos estaduais e nacional.

Fonte:
"O Bolim" – N.º 35 de 10 de dezembro de 2003.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bocha

A foto acima, que foi tirada da wikipédia, mostra os jogadores conferindo a pontuação.

sábado, 25 de maio de 2013

O Jogo de Malha e os Imigrantes Italianos


Quando eu era menino, ia com meu pai ou meu avô num campo próximo de minha casa ver o jogo de malha. Meu pai chegou a jogar malha algumas vezes e meu avô paterno, João Addeo (antes era Addeu), que era um excelente artesão em metais, construiu um jogo de malhas particular.

Eu gostava muito de ver aqueles discos de metal brilhante deslizando e girando de forma interessante sobre uma mistura de pó meio avermelhado parecendo areia bem fina que tinha no campo de malha. Cada qual tinha sua arte em fazer o lançamento dos discos e faze-los chegar ao seu destino com elegância e precisão.

Foram os italianos que trouxeram para o Brasil o jogo da malha, segundo consta na história da imigração. Você conhece “Malha”?

Malhas são discos feitos em aço tendo o diâmetro de 9 centímetros no mínimo e 11 centímetros no máximo. Devem ter os seus pesos entre 600 e 800 gramas. Também são obrigadas a ter uma forma mais grossa no centro e mais fina nas bordas (135 milímetros no centro).

No jogo há dois pinos, um de cada lado do campo, que podem ser de madeira de forma cilíndrica, com 18 centímetros de comprimento com ponta cônica arredondada, e 3 centímetros de diâmetro.

O Campo onde se joga malha é retangular e tem 36 metros de comprimento por 2,5 metros de largura (que é o campo interno). Tem também um espaço de dois metros (interno) para cada jogador para o arremesso da malha. O espaço entre os dois pinos deve ser de 34,30 metros.

O campo deverá ter seu piso revestido com material que possibilite o perfeito deslizamento das malhas.

Pode ser jogado entre duas pessoas ou mais. Os jogadores lançam os discos que vão deslizando no campo até atingir o pino do adversário podendo derruba-lo ou somente se aproximar dele. No caso de apenas aproximar, ganha os pontos a malha que adentrar o circulo onde está localizado o pino e se aproximar mais dele. Se derrubar o pino, o jogador ganha 4 pontos. Se dentro do círculo tiver maior aproximação do que seu adversário, ganha apenas 2 pontos. Se não derrubar o pino e nem adentrar no círculo, não ganha pontos.

Quando se joga apenas com duas pessoas, uma de cada lado, cada jogador joga duas malhas de cada vez. Revezando-se, são seis jogadas para cada jogador.

Quando se joga em dupla, os jogadores também jogarão duas malhas por vez, revezando-se. Porém somente será considerada uma jogada, depois de todos terem jogado.

Fonte do texto: Wikipédia, a enciclopédia livre
Foto retirada da internet, desconheço o autor.

sábado, 6 de abril de 2013

Roma sparita - Parte 2

Via Del Ricovero 

 Tumulo Adriano Tevere Castel S Angelo

 Via Capocciuto Nel Ghetto

 Via Della Lungaretta

 Via Giulio Romano

 Vicolo Capocciuto In Ghetto

Vicolo Della Volpe

As referências dessas pinturas acima, bem como sua fonte, se encontram na postagem anterior intitulada "Roma sparita - Parte 1".

Roma sparita - Parte 1

Ettore Franz Roesler (1845-1907) nasceu em Roma, em uma família de banqueiros de origem alemã. A partir de 1870 dedicou-se à pintura. Sua mais famosa obra consiste em uma série de 120 aquarelas intitulada “Roma sparita” (Roma desaparecida), comprada em 1908 pelo museu do Palazzo Braschi (em Roma). Retratou ele aquela cidade que começava a desaparecer em diversos de seus aspectos pitorescos para dar lugar às mudanças que a invasão dos territórios pontifícios (incluindo Roma, a 20 de setembro de 1870) acarretaria.

Arco Delle Azimelle In Ghetto

Fontana Di Ponte Sisto

Governante com bambino

Piazza Di San Pietro In Vincoli

Tevere C Massima


Torre
fonte das fotos e do texto:

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Explicações importantes

Faço essas explicações para quem não está habituado a consultar blogs. Acredito que estes esclarecimentos sejam de muita importância para que se aproveite o máximo dos textos das postagens, especialmente quem quer acompanhar a história da família.

O Blog oferece recursos de várias ordens, mas os recursos que podem servir para consulta, são basicamente dois.

Para quem abre a página do blog, pode ver que no centro estão os textos das postagens, mas há uma coluna do lado esquerdo que oferece um “plus”, um algo a mais. Encontramos nessa coluna da esquerda foto de brasões, de imagens e de informações. Clicando-se sobre essas fotos, automaticamente abre uma página a que se refere a foto. Os Brasões da família, terão sua explicação, mas ainda não foram feitos os textos para isso; mas em breve será feito.

Os dois recursos úteis para quem acompanha o blog são assim chamados: ARQUIVO DO BLOG e RECEBA POR E-MAIL AS POSTAGENS GRATUITAMENTE. É só observarmos na coluna esquerda do blog que acharemos esses dois benefícios.

Explicação:

ARQUIVO DO BLOG: As matérias escritas neste blog, são armazenadas e reunidas por mês. Terminando o mês, aparece apenas o nome do mês e, entre parênteses, a quantidade de textos que foram escritos naquele mês. Depois os meses são agrupados por ano. Observe que há um pequeno triangulo cinza ao lado dos anos e dos meses. Clicando-se nos triângulos, abre-se as pastas de e aparece o título das postagens. Escolhe-se a postagem que quiser e clicando nelas, é direcionado automaticamente para a postagem, podendo ser lida em sua integralidade. Assim, com esses recurso as pessoas podem ler todas as postagens que quiserem desde a mais antiga até a mais recente. Dica muito importante para quem quer saber a história desde o início.



RECEBA POR E-MAIL AS POSTAGENS GRATUITAMENTE: Esse outro item, pode ser encontrado também na coluna esquerda do blog. Há um campo para colocar seu e-mail. Escrevendo seu e-mail corretamente e clicando em “Submit”, automaticamente será enviado para o seu e-mail um aviso de confirmação. Ao abrir seu e-mail posteriormente, vai notar esse aviso de confirmação. Para validar sua assinatura gratuita, você deve clicar no link que ele indicar. Fazendo isso, está tudo pronto. Automaticamente, toda a vez que for feita uma publicação, você receberá em seu e-mail uma sinopse da postagem. O serviço é gratuito. Seu e-mail jamais aparecerá em lugar algum, e nem servirá para outra coisa senão enviar a você as atualizações das postagens, quando houver. Caso você não queira mais receber os e-mails, pode cancelar quando quiser. O serviço de cancelamento é automático e imediato. Quando receber um e-mail com a sinopse da postagem é só clicar em “cancelar” ou “”unsubscribe” e imediatamente seu e-mail será retirado da lista de envios e sua assinatura gratuita será cancelada. Tudo é feito de forma automática.

OBSERVAÇÃO: Para os que residem no exterior, há o “translate” (tradutor), que é o primeiro item da coluna esquerda do blog. Clicando nele, pode ser escolhido o idioma que você quer ler o blog. E todo o blog fica automaticamente traduzido para qualquer idioma.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Grande Guerra

Tenho falado da religiosidade dos imigrantes italianos que vieram ao Brasil, de sua postura monárquica e de seus costumes tradicionais. De fato, o grande historiador Dr. João Fábio Bertonha disse que:

No sul do país [Brasil], a presença majoritária de nativos da região do Vêneto criou uma identificação imediata entre “italiano” e católico. (Revista História Viva)

Passavam as guerras, passavam as Revoluções, mas o espírito religioso ainda continuava vivo na Europa. Somente uma guerra de porte mundial poderia acabar de vez com a antiga Europa. E essa guerra veio: A chamada “Grande Guerra” ou primeira guerra mundial. Houve uma profunda transformação nos Estados Europeus. A Prússia, um país soberano governado pelos Cavaleiros Teutônicos, que havia pressionado a Áustria a devolver Veneza aos italianos, foi dissolvida e seu território dividido entre os países vizinhos (Polônia, Lituânia, Rússia e Alemanha). O Tirol, onde Andréas Hofer, bravamente defendeu a Monarquia Austríaca – a Casa da Áustria, ficou dividida entre a Áustria e a Itália. Quando Mussolini assumiu o poder na Itália, ele proibiu as pessoas de terem em suas casas, quadros de Andréas Hofer – o que era muito comum na Itália do Norte.

Os imigrantes italianos que vieram ao Brasil antes de 1914 (Grande Guerra), ainda conservavam muito viva a Religião Católica em seus corações.

Minha irmã caçula, me deu de presente um livro, que gostei muito, chamado: “O Século de 1914 – Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do século XX, de Dominique Venner – Editora Civiização”. Foi nesse livro que encontrei um texto muito esclarecedor:

Desde há muito tempo, escreveu Voltaire em 1751, que se podia considerar a Europa como uma espécie de Grande República, dividida em diversos Estados, uns monárquicos, outros mistos, mas compartilhando todos um fundo comum de religião, compartilhando todos uns mesmos princípios de direito público e de política desconhecidos nas outras partes do mundo. É em virtude desses princípios que as nações européias não reduzem à escravatura os prisioneiros, que respeitam os embaixadores dos seus inimigos e que concordam na sábia política de manter entre si um equilíbrio de poderes iguais. (Voltaire, introdução a Le Siècle de Louis XIV, 1751)

Essa civilização, que Voltaire traça assim uma definição parcial, conquanto esclarecedora, sobrevivera à Revolução Francesa e aos choques da modernidade ao longo de todo o século XIX. Foi destruída entre 1914 e 1918.

Graças a Deus, muitos de nossos parentes já estavam no Brasil, quando essa terrível Grande Guerra eclodiu.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Minha História

Escrever a história de uma família não é tarefa fácil, especialmente para mim que quase não tenho tempo livre. Mesmo assim estudei muito e reuni inúmeros depoimentos desde os mais antigos da família que tive contato, até os mais jovens. Reuni muitas fotos e documentos. Enfim, já se passaram muitos anos de pesquisa, estudo e organização de documentação familiar e histórica. Aos poucos estou conseguindo registrar o que há de mais importante. Acredito que se eu não fizesse esse trabalho, ninguém o faria, ao menos de forma tão completa, abrangendo a imensa árvore genealógica de meus avós paternos e maternos.

Tive notícia de que numa cidade do interior do Estado de São Paulo, estavam escrevendo a genealogia de minha família, mas apenas do lado materno de minha mãe. Não me consta de que tenham concluído o trabalho.

Tive conhecimento de que do lado paterno de meu pai, uma irmã de meu avô, também havia contratado uma pessoa para fazer o levantamento genealógico da família Addeo. Também não concluiu o trabalho, e essas pesquisas somente serviram para conversas familiares.

Então, vendo inacabados os trabalhos iniciados, tive a iniciativa de narrar a história inteira, desde a mais remota notícia de família. Acredito que escrever pequenos capítulos, narrando fatos pitorescos familiares, acompanhados dos acontecimentos da época, seria uma forma agradável de ler. Assim coloquei em prática.

Meu pai tinha o hábito de visitar seus parentes e os parentes de minha mãe, por isso tive contato com muita gente, tanto do lado paterno, quanto do lado materno. Cheguei a conhecer minha bisavó materna, com quem convivi durante nove anos. Meu bisavô materno me segurou no colo quando eu era pequeno. Tive um grande convívio com todos os meus avós.

De família muito numerosa, meus tios-avôs sempre me narravam acontecimentos históricos e familiares de sua juventude. Meus primos e primas, hoje espalhados pelo Brasil, Europa, Oriente Médio e Estados Unidos, sempre se reuniam, quando crianças, na casa de minha avó.

Assim, escrevendo o “livro da família”, que neste blog está reproduzido apenas uma pequena parcela, tenho a certeza de que vou trazer fatos que poucos conhecem e que tenho o dever de registrar.

Foi sugerido vários títulos ao livro, como “A Saga da Família”, “Os Imigrantes”, “Os heróis da tradição”... Mas, pelo fato dos nossos ancestrais serem profundamente muito católicos, e por isso lutaram, ganhando inúmeras homenagens, resolvi que seria mais adequado chamar o ramo familiar de “Ramo de Ouro” ou “Branche D’Or” (em francês) conforme consta na primeira postagem deste blog.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Familias Balboni e Addeu - Lembranças

Ainda não falei sobre minha avó paterna, que pertencia à respeitada família paulistana. Meus avós paternos chamavam-se Zilda e João (da família dos Addeu). O pai de minha avó paterna Zilda, chamava-se Adelino e trabalhava em cargo de alta confiança no antigo Tribunal de Justiça de São Paulo. Faleceu quando minha avó era muito jovem. Zilda e seu irmão Jorge, ainda pequenos, ficaram sob os cuidados de sua mãe Alzira que conservara, por sua vez, uma educação esmerada herdada de sua mãe Dona Maria Gabriella. Infelizmente Alzira também faleceu logo, passando, os dois irmãos menores Zilda e Jorge, a morarem com suas irmãs mais velhas.

Em outra postagem falarei mais detalhadamente sobre esse assunto, apesar de já ter feito duas postagens sobre a antiga cidade de São Paulo:

http://branchedorfamilia.blogspot.com.br/2012/05/as-janelas-de-outrora.html

http://branchedorfamilia.blogspot.com.br/2012/03/o-burgo-de-antanho-e-marca-barbante.html

Quem me escreve, relembrando alguns fatos da época é minha prima Beth Balboni – hoje empresária de destaque no ramo dos eventos sociais e assessoria de imprensa:

http://bethbalboni.blogspot.com.br/

Descendente da Família Addeu, Beth Balboni (Elizabeth Paschoa Balboni) é filha de Milton Balboni e de Elisa Paschoa Balboni, neta de Luiza Addeu (casada com Humberto Balboni), bisneta de Paschoal Addeu (imigrante italiano, meu bisavô, falecido em 10/12/1951) e trineta de Francisco Addeu casado com Maria Baptista Fiorilla Addeu (meus triavós).

Seu irmão Hegberto Paschoa Balboni, atualmente é repórter cinematográfico.

[...]
Uma das lembranças boas que tenho da minha infância é das tardes de domingo quando, juntamente com meus pais e meus irmãos, íamos visitar a Tia Zilda e o Tio João.

O Tio João com aquela voz rouca, gorduchinho e sempre com uma carinha muito boa! Ele era bem engraçado e gostávamos muito das histórias dele.

A Tia Zilda aquela doçura de pessoa, sempre muito atenciosa, e depois de uma bate papo gostoso que acontecia nestas visitas, preparava um delicioso lanche da tarde. Me lembro até hoje do cheirinho do café fresco vindo da cozinha, da mesa posta com todo o carinho, com muita variedade, o café com leite quentinho, o pão fresquinho, bolo, o queijo prato em peça que cortávamos com o cortador de queijo, e a deliciosa conversa que continuava enquanto tomávamos café.

Quando eles se mudaram para a mesma rua que moravam você e sua família, ai a visita acabava se estendendo, pois acabávamos sempre indo até sua casa, conversar com seu pai, ver como estavam sua mãe, você e suas irmãs.
Nossa, estou aqui escrevendo e parece que retornam todos os aromas daquelas tardes, a felicidade de momentos simples, mas que nos deixavam gratificados e renovados na volta para casa.

Da mesma forma, sempre que sinto o cheiro de tinta a óleo para pintura de tela, imediatamente me remeto à casa dos Bastiglia, recordando das nossas visitas à família, do pé de goiaba que tinha entre a cozinha e o ateliê, de quando, mesmo sem ser alfabetizada ainda, ia lá para ter aulas de piano com o Roberto (ele tinha um método especial para crianças que ainda não tinham sido alfabetizadas).

Tudo isso me causa uma grande nostalgia, pois era um tempo em que éramos muito felizes na simplicidade das coisas. Muitos anos depois consegui perceber e valorizar que a verdadeira felicidade está nos momentos mais simples da vida, mas sempre acompanhados de pessoas muito especiais pra nós.

É uma pena que a vida atribulada, que a maioria de nós tem hoje, nos impeça de estreitar mais os contatos com nossos parentes. Cada um tomou seu rumo, o rumo que escolheu ou o que a vida acabou impondo.

As vezes eu e minha mãe nos perguntamos sobre o paradeiro de alguns familiares, mas por total falta de contato não temos como saber.
Mas...mesmo assim a vida segue.

Sua prima, Beth Balboni