Este Blog conterá a história de minha família, bem como narrações de fatos pitorescos e interessantes ocorridos pelas gerações. Famílias: Addeu e Miorin (famílias ascendentes: Addeo, Naddeo, Nadeu, Sabbeta, Corsini, Bacete, Doratiotto, Visentin, Gaeta, e outras). Acima estão as montanhas de pedras brancas dolomíticas. Maravilha do norte da Itália. Se quiser falar comigo, abaixo das postagens, clique em comentário e deixe sua mensagem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Batizado de Eugênio Miorin - Basílica de Nossa Senhora do Belém

Era um domingo de primavera na cidade de Itatiba, interior do Estado de São Paulo, naquele dia 20 de novembro de 1904. O sino tocava alegremente. Antonio Miorin e sua esposa Ângela Doratiotto, estavam diante da maravilhosa Igreja de Nossa Senhora do Belém, construída de Taipa (pau-a-pique), para batizar seu filho Eugênio Miorin. O Padre Francisco de Paula Lima os esperava para a cerimônia. Foram padrinhos Pedro Benedetti e Itália Miorin.

A Igreja, depois de reformada, foi honrada com um privilégio honorífico do próprio Papa, foi elevada a Basílica Menor de Nossa Senhora do Belém no ano de 1991 e ficou posta diretamente sob proteção apostólica do Pontífice. O Padre Francisco de Paula Lima, pelos seus méritos de honra, ficou sendo patrono do Museu da cidade que se chama Museu Padre Francisco de Paula Lima.

Foi o que encontrei no livro histórico de batizados do ano de 1904:

Igreja Nossa Senhora do Belém – Batismos do ano de 1904, folha 26 verso:

“EUGÊNIO – Aos vinte de Novembro de mil novecentos e quatro, batizei Eugênio, de quarenta dias, filho de Antonio Miorin e de Ângela Doratiotto. Padrinhos: Pedro Benedetti e Itália Miorin. O Vigário: Francisco de Paula Lima.”



Basílica Menor de Nossa Senhora do Belém

Em 1830 iniciou-se a construção da Igreja de Nossa Senhora do Belém (Igreja Matriz), em Itatiba (interior do Estado de São Paulo), hoje elevada a Basílica Menor diretamente sujeita à jurisdição do Papa. Sua construção durou até o ano de 1850, sob a direção do Padre Miguel Correa Pacheco.

Atualmente suas características de arquitetura já não são mais as mesmas da época de sua construção, já que foi reformada por diversas vezes. Chegou a ser reconstruída no ano de 1960, ocasião em que perdeu suas características Barrocas. O único marco que sobrevive desde o século XIX é a torre monumental, uma das mais altas, belas e grandiosas do interior paulista, edificada a partir de 1874 pelo Padre Francisco de Paula Lima (Patrono do Museu). Alguns dos vitrais maravilhosos, que ornamentam as janelas, foram elaborados pelo artista polonês Aeystarch Kaskurewicz, que veio ao Brasil em 1952, fugindo dos problemas causados pela II Guerra Mundial.

O corpo da Igreja foi reformado sucessivamente e em 1962, após 121 anos, toda a velha Matriz de taipa foi demolida, restando apenas a magnífica torre com seus históricos sinos, que sobreviveu até hoje. Sua reconstrução se deu muito rapidamente. E tanto sua história como sua arquitetura são maravilhosos.

Desde os primórdios da povoação sua vida esteve ligada à devoção a Nossa Senhora do Belém, Padroeira da Cidade de Itatiba, cuja data se comemora em 8 de setembro.

FONTES:

http://www.itatiba.sp.gov.br/Pontos-Turisticos/paroquias-e-igrejas.html

http://www.itatiba.sp.gov.br/Pontos-Turisticos/arquiteturas-religiosas/Pagina-2.html

http://cidade.portalitatiba.com.br/igrejas.htm

Todo o mérito de pesquisa do batizado de meu avô se deve ao primo Dr. Michael Vinicius de Oliveira, descendente de Itália Miorin, advogado na cidade de Maringá – Estado do Paraná – Brasil. Obrigado meu primo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mapa do Brasil desenhado por um veneziano


Mapa Geográfico do Brasil

Descrição: Este mapa do Brasil foi publicado por Giovanni Battista Albrizzi (1698-1777), um proeminente editor veneziano de livros e mapas. As notas no mapa, em italiano, incluem várias observações especulativas acerca das pessoas e da geografia do interior do Brasil, nessa época, ainda bastante desconhecido dos europeus. Albrizzi, que herdou o negócio do pai, fazia parte de uma família ativa na publicação e venda de livros em Veneza há 150 anos. Ele desempenhou um importante papel na vida intelectual da cidade e editou um boletim semanal, Novelle della Repubblica delle Lettere (Notícias da república das letras), que analisava e comentava os livros publicados por toda a Europa.


Brasil

Descrição: Este antigo mapa do Brasil é de Jacopo Gastaldi (cerca de 1500-cerca de 1565), um cartógrafo piemontês que trabalhou em Veneza e ascendeu à posição de cosmógrafo da República Veneziana. Gastaldi produziu mapas e ilustrações para partes de Delle Navigationi et Viaggi (Jornadas e viagens), uma compilação de diários de viagem do diplomata e geógrafo veneziano Giovanni Battista Ramusio (1485-1557). A obra de Ramusio compreendia mais de 50 memórias, incluindo os escritos de Marco Polo.

Fonte: Biblioteca Digital Mundial - http://www.wdl.org/pt/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Euclydes Claudio Addeu e a Dona Michelina do Di Cunto

Demorei muito para escrever alguma postagem sobre meu pai, porque falar dele, das lembranças das coisas que ele me contava, muito me emociona. Porém não tive como evitar a lembrança de um fatinho que ele sempre me contava. Tal lembrança me veio ao ler um livro chamado “Mooca – 450 anos” do escritor Euclydes Barbulho. O autor, sem duvida nenhuma, é uma pessoa singular e acabei conhecendo-o através de minha prima Cristiane Addeu Buen famosa artesã de doces incluindo chocolates, e pães de mel. Na coluna lateral direita deste blog tem uma indicação dos chocolates finíssimos de minha prima onde direciona para as fotos das festas e eventos especiais e de altíssimo nível de seu produto.

Euclydes Barbulho, homem de singular importância no bairro da Mooca – que coincidência – era amigo do meu avô paterno João Addeu. Ambos trabalhavam na industria de fogões da Semer S. A. (dos Irmãos Semeraro – como meu avô falava). Esse mundo é pequeno demais e na Mooca as sucessivas gerações sucedem também na amizade.

Eu e Euclydes Barbulho nos encontramos para tratar de assuntos relativos à história das famílias e da Mooca, já que ambos éramos estudiosos e escritores. Nesse encontro fui presenteado pelo próprio autor do livro “Mooca – 450 anos”. Tive a alegria de ter ainda uma dedicatória especial: “Ao Euclydes, meu xará e escritor, que com sua simpatia conquista as pessoas e à mim, um forte abraço.” (assinatura de Euclydes Barbulho e a data de 06/05/2014)

Não posso deixar de dizer que me surpreendi com a gentileza do autor e sua atenção especial. Tantas histórias para contar, tantas recordações, saudades dos anos de ouro e da imigração italiana de nossos ancestrais. A grande coincidência de nós dois termos o mesmo nome: Euclydes – e ainda os dois com “y”.

Ao ler o livro “Mooca – 450 anos”, por um momento me esqueci do mundo deixei o livro cair de minhas mãos e viajei na lembrança do passado... Na página 188, conta a história da Família Di Cunto – hoje famoso restaurante, salgadinhos e doceria da Mooca. Nem sempre o “Di Cunto” foi assim, antes era uma simples padaria. E que padaria, ao modo italiano!

Nos idos anos de 1934, depois de mortos os pais Di Cunto, os filhos decidiram reabrir uma antiga padaria fundada pelo pai em 1896 no bairro da Mooca. Entre os irmãos estava a irmã Michelina casada com Lorenzo. Essa Dona Michelina conheceu meu pai bem menino. E pelo que meu pai contava ela era uma senhora muito boa. Logo falarei da Sra. Michelina. De inicio foi difícil, tiveram que reformar todo o prédio, pois estava desocupado há quatro anos. Lorenzo era um hábil carpinteiro e ajudou muito a colocar a casa em ordem. E em 14 de março de 1935, os irmãos Di Cunto reacenderam o forno restaurado. Para alegria dos italianos e descendentes na região, a padaria era uma maravilha.

Muito comum na época venderem por caderneta, que os fregueses se propunham a pagar no final do mês, e por várias vezes recebiam “calotes”. Caderneta era um caderno pequeno onde se anotava o valor das compras. Mas com muito esforço e dedicação venceram as dificuldades e hoje a Di Cunto é a potencia maravilhosa que todos gostam.

A Padaria Di Cunto estava estabelecida (e ainda é) na Rua Borges de Figueiredo, bem próxima a uma antiga vila (que hoje não existe mais) onde morava a família Addeu: O Nono Paschoal Addeu e sua esposa Renata Sabetta, com seus vários filhos. A vila de casas servia primeiramente para manter a família com os alugueis, depois serviu de morada para os filhos que foram se casando. Um dos filhos de Paschoal Addeu e Renata Sabetta, era o meu avô paterno João Addeu.

É curioso como as coisas acontecem. Andando tranqüilamente pelas ruas do bairro do Belém, João Addeu acabou tropeçando na calçada e se não fosse rápido das pernas teria caído no chão. O tropeção parece ter sido engraçado, pois uma moça que estava na janela de sua casa acabou dando uma suave risada. Foi então que meu avô viu que estava sendo observado e diante dessa moça, retribuiu com um sorriso. Esse foi o primeiro contato que meu avô teve com essa moça que depois acabou namorando e foi sua esposa: Zilda Gomes de Andrade (descendente de família da alta sociedade paulistana, especialmente por parte de mãe. Seu pai tinha um cargo de confiança do Estado de São Paulo).

Casando-se João e Zilda, por um espaço de tempo foram morar na vila da Rua Borges de Figueiredo, muito próximo da Padaria dos irmãos Di Cunto. Desse casamento, nasceu apenas um filho, meu saudoso pai, Euclydes Cláudio Addeu.

Meu pai sempre me contava que, quando era pequeno, sua mãe pedia sempre que ele fosse na padaria Di Cunto comprar pães. E meu pai, ainda muito menino não tinha paciência de ficar aguardando na fila, e então ficava atrás da Dona Michelina pedindo insistentemente:

- Dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães; dona Michelina, me dê os pães.

Tanto que meu pai insistia, que a Dona Michelina passava meu pai na frente dos demais e lhe dava os pães e ele lhe dava o dinheiro que trazia enrolado na sua pequena mão. Não era comum ter o pãozinho que hoje conhecemos. O Pão era comprido e era chamado de bengala e vinha enrolado num papel.

Meu pai contava isso e ria muito, pois era uma outra época, onde as pessoas se conheciam e tinham um relacionamento muito bom e agradável.

Fonte: Livro “Mooca - 450 anos” de Euclydes Barbulho
As fotos são do meu pai quando era muito jovem.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Neyde Nadeu - uma homenagem

Dia 28 de maio de 2014, às 7:00’ horas, faleceu na cidade de São Paulo, Neyde Nadeu. A dor da perda é sempre dilacerante; muito mais forte quando amamos; indizível quando é de uma família de valor. E assim foi Neyde. Querida por todos, sempre dando bons conselhos, acolhendo a família sempre de braços abertos.

"É estranho e doloroso ver que, quem amamos já não está mais entre nós. A saudade vai aumentando cada vez mais e a lembrança que fica é sempre o sorriso." – Essas foram algumas das manifestações que colhi de alguns parentes por ocasião de seu passamento.

"Neyde sempre foi a mulher forte e digna. A mulher mais sincera, mais amiga... a grande educadora... Gostava de ouvir músicas italianas e assistia os programas da RAI (programa de televisão italiano)." - continuam manifestando os parentes.


Tenho escrito muito sobre a família Nadeu, que é o ramo materno de minha mãe. Tenho encontrado maravilhas para contar. A Neyde nos últimos anos de sua vida enviou várias contribuições para a história da família. Me escrevia sempre que podia. Era vontade dela ver a história escrita e incentivava essa iniciativa. Vejamos o que ela escreveu:

Euclydes, estou gostando de sua habilidade, pois pelos textos  que já li, estão maravilhosos, dignos de um grande escritor.  Fico feliz que tenha gostado do meu texto, pois é difícil retratar uma vida de 70 anos e  como lhe falei tem inúmeros detalhes, com o leiteiro que vinha com a cabra  e tomávamos o leite  na porta, meu  nono que adora e ia assistir às operas no Municipal, casamento  do tio Mario (ele era o meu xodó) gravado na minha memória, uma festona para a época , as viagens do meu pai  e minha mãe a Xavantes onde morava o tio Zé e por ai vai. Fico à disposição no que puder ajudar.

Não sei como andam as informações da Tia Catarina, que envolvem o tio Mario.  Mas eles tiveram quatro filhos, que você deve saber que são:Luiz Carlos Nadeu, Maria Lucia, Roberto Nadeu e Sonia.Escrevi o sobrenome dos homens porque eles também levarão o NADEU; para  outras gerações e pelo menos o Luiz Carlos tem filho homem, do Beto não me lembro se são mulheres ou homens, quase não tenho contato, mas isso é fácil de saber através  da Sonia, com quem  mais falamos, que mora com a Tia Catarina.   Tinha até pensado em mandar cópia do meu texto para a Sonia  ter uma idéia, mas achei meio temerário enviar sem consultar você e também não tenho certeza do que exatamente você quer.

Noutra ocasião, me escreveu falando mais da família:

Euclydes, como você mesmo disse, é muito difícil falarmos sobre nós mesmos. Vou tentar e você publique somente o que achar conveniente. Faça um resumo [...].

O que me lembro  e que eventualmente possa te interessar é:

Da união de Eraquillo Nadeu e Maria Priolli Nadeu, primeiro filho homem de Vicente Nadeu e Joanna Corsini, nasceram os filhos: Neyde, Nair, Neuza Maria  e Nilton/Nilce gêmeos. 

Lembro-me, da minha  infância, que éramos muitos humildes, mas muito dignos e  morávamos em uma casa  muito pequena mais cheia de muito amor. Éramos em doze pessoas, (nono, nona, Ana, Natal, papai, mamãe e meus irmãos). Lembro também que o fogão era  a lenha e sempre tinha  em cima dele, no teto, um varal de lingüiças feitas em casa para  que as mesmas  ficassem  defumadas. O macarrão, a pasta, também eram feitos em casa ou pela nona ou minha mãe, excelente cozinheira.

A nossa primeira geladeira, (isso há mais ou menos 60 anos atrás), era abastecida com pedras de gelo que eram deixadas no portão diariamente.  Televisão não existia na época. Tínhamos um rádio com uma caixa enorme e principalmente à noite nos reuníamos para  ouvi-lo, pois durante o dia todos trabalhavamos ou estudavamos. Não se jantava ou almoçava ouvindo rádio, ficávamos todos sentados à volta de uma mesa enorme: coisa inexistente hoje em dia.

Era a hora em que discutíamos todos os problemas do dia. A vida para nós naquela época era de muita dificuldade. O nono, papai e tio Mario trabalhavam na Prefeitura. Papai era fiscal, essa função hoje não existe mais.

Apesar  de tudo éramos  muito felizes, tínhamos muita união que até hoje, principalmente eu, faço de tudo para mantê-la,  pois hoje em dia com todo o  progresso e modernidade, fica difícil.  Alias isso é típico e bem próprio de família italiana.

Daquela época me lembro  que o nono  (eu era ainda muito jovenzinha), me levava  no carnaval  para ver o corso na Av. São João, era a gloria  para mim. Íamos de bonde, às vezes aberto ou outras no camarão (bonde fechado para quem não sabe). Também ficou registrado na minha memória que ele me levava sempre nos comícios. Ele me tinha sempre por perto e eu era a queridinha dele.

Final de ano, ou seja, Natal e Ano Novo eram aguardados com a maior pompa possível. Naquela época não existia a ceia. A  mesa era colocada  na hora do almoço e ficava montada o dia todo, com aquela comilança,  bem conhecida dos italianos e muito vinho. Voltando no tempo lembro que a tia Rosa* e tio Eugenio** sempre estavam, se não para o almoço era para o jantar. Vinham  também o pessoal de Ourinhos, Tio Zé e tia Antonietta como tambem  o pessoal de Potirendaba, tia Jacomina e filhos.    Natal para o papai sem a presença do tio Zé (pai da Zélia)    não era Natal e não tinha graça.

Nota do Blog: * e ** Tia Rosa e Tio Eugênio são os meus avós maternos, Rosa Nadeu era irmã do pai da Neyde (Eraquillo Nadeu, ou Tio Roque, como era conhecido)

Ainda me escreveu uma última vez, o qual também transcrevo:

Meus pais sempre foram muito trabalhadores e minha mãe um exemplo de mulher, uma avó maravilhosa, batalhadora que  trabalhava fora, cuidava da casa e dos filhos e fomos muito bem educados por ela, pena que Deus a levou muito cedo, 59 anos, quando já estávamos  com  uma situação bem definida, mas torno a repetir, foi muito feliz enquanto viveu. Não deixamos que faltasse nada a ela.

Quanto ao papai, após sua aposentadoria, muito jovem ainda, realizou o sonho da vida dele que era ter uma chácara. A principio com apenas uma casa de pau a pique e as plantações que ele fazia. A coisa que o deixava mais feliz era quando alguém ia passear lá, pois lá, para ele, era o paraíso. Com o passar do tempo, esse casebre virou uma boa casa, com todo conforto, piscina,  churrasqueira etc. Acabou ganhando o nome de “Recanto do Roque”*** (pois todos o conheciam como Roque). Esse lugar, que realmente era maravilhoso, desfrutamos de festas e reuniões memoráveis e inesquecíveis e que, infelizmente, pela falta da presença física, já não se repetem com a mesma intensidade. Em memória a ele, continuamos, na medida do possível, mantê-la ativa e, sempre que podemos, desfrutamos do lazer que ela proporciona e que é muito gostoso.

Nota do Blog: *** Nesse sítio uma vez meu Tio Roque pediu para eu acompanha-lo. Eu era muito pequeno ainda. Então fomos nós três: Eu, o Tio Roque e sua boníssima esposa Tia Maria. Esse fato merece uma postagem especial, pois muitas coisas boas aconteceram nos três dias em que passei com esses meus Tios-Avós maravilhosos.

Com trabalho e dedicação vencemos as dificuldades e hoje  vivemos um outro mundo, com conforto e modernidade. Eu, assim como meus irmãos estudamos, conseguimos trabalhar em boas empresas e, automaticamente, conseguimos vencer. Considero-me uma vitoriosa. Aposentei-me exercendo a função de secretária de diretoria na multinacional Alcan Alumínio do Brasil S. A. Hoje em dia aproveito o tempo com ginástica, hidro, pintura e afazeres manuais, que gosto muito. Viajei bastante. Adoro todos meus sobrinhos com a mesma intensidade.

Abraços, Neyde

sábado, 23 de maio de 2015

O Palácio da Família Corsini

O Palazzo Corsini al Parione é um dos mais suntuosos palácios privados de Florença, situando-se no nº 10 do homónimo Lungarno Corsini, frente ao Rio Arno.

Os Corsini fixaram-se na estagnada cena florentina do século XVII como a mais rica família da cidade, depois dos Grão-Duques, naturalmente. Na realidade, a origem da casa é florentiníssima, com uma ascendência iniciada na Baixa Idade Média como banqueiros, constelada por algumas importantes personagens como Santo André Corsini, Bispo de Fiesole no século XIV, e caracterizada por uma riqueza cada vez mais crescente, graças ao rendimento do Banco Corsini, sobretudo no estrangeiro, em particular na praça de Londres, onde se tornou numa das mais importantes instituições financeiras da capital inglesa. 

O patrimônio acumulado foi reinvestido em numerosos terrenos, sobretudo nos Estados Pontifícios, por cuja magnanimidade não tardou que chegasse o título de Marquês para o chefe da família, mais tarde transformado em Príncipe pelo Papa Urbano VIII. Em 1740, Lorenzo Corsini foi eleito como Papa Clemente XII, coroando uma ascensão social com a duração de séculos.

O Palazzo Corsini al Parione é o principal palácio da família Corsini em Florença. No terreno onde foi erguido encontrava-se uma casa de Maquiavel (obtida, por via herditária, por Maddalena, mãe de Bartolomeo Corsini, em 1650), o Casino del Parione, com parque, do Grão-Duque Fernando II de Médici, erguido sobre casas confiscadas a Bindo Altoviti e adquirido pelos Corsini em 1649, e outras propriedades adquiridas até 1728, entre as quais também se encontrava a casa do advogado Tommaso Compagni.


 Bartolomeo Corsini começou a construção do novo palácio em 1656, inicialmente com o contributo do arquiteto Alfonso Parigi o jovem, ao qual sucedeu, na década seguinte, Ferdinando Tacca e depois, de 1679 a 1683, Pierfrancesco Silvani: à intervenção deste último é atribuído o projeto contemporâneo em forma de "u" e a singular escadaria de forma helicoidal, documentada como tendo sido construída naqueles anos. Depois da morte de Silvani (1685), sucedeu-lhe Antonio Maria Ferri, a quem é devida grande parte do que se pode ver atualmente: os três corpos articulados em torno dum pátio central, a escadaria monumental, a fachada com o original vuoto na parte central. Típicos do período tardo-barroco são os terraços no último andar, decorados por estátuas e vasos em terracota. Algumas fontes indicam certas datas da edificação: em 1687 foi iniciado o lado do rio; em 1690, a fachada; em 1699, o edifício foi mencionado na Guida di Firenze de Raffaello del Bruno, entre outras. A conclusão definitiva dos trabalhos só se deu, contudo, em 1737, embora nem todo o projeto tenha sido executado: do Arno vê-se como a fachada é assimétrica pela falta do corpo esquerdo em direção à Ponte allá Carraia. Também era necessário aplanar uma nova estrada para criar um acesso monumental em direção à cidade, através do corte da Via del Parione até à Via della Vigna Nuova no sítio do Palazzo Rucellai.

Palazzo Corsini al Parione.
O palácio assinalou a passagem do estilo meirista para o barroco em Florença: o usp dos corpos avançados, o terraço central, as janelas com arcos elípticos, os áticos com a balaustrada decorada por vasos e estátuas, eram, todos eles, elementos então inéditos para Florença, os quais seriam frequentemente copiados, sobretudo nos edifícios suburbanos como as villas e os casini.

 

Interiores:

No andar térreo encontra-se uma graciosa gruta artificial, obra de Ferri executada entre 1692 e 1698 com as contribuições do estucador Carlo Marcellini e dos pintores Rinaldo Botti e Alessandro Gherardini.

Do pátio central pode aceder-se à escadaria helicoidal de Silvani e à escadaria monumental de Ferri. Esta última apresenta uma decoração de estátuas neoclássicas e é coroada pelas estátuas do Para Clemente XII, no primeiro andar, e de Lorenzo Corsini, no segundo, esculpida por Carlo Monaldi e disposta por Ticciati em 1737. 

Numerosos são as salas e salões ricos de afrescos, decorações e tapeçarias originais. No andar nobre (piano nobile) abre-se uma loggetta com afrescos executados entre 1650 e 1653 por Alessandro Rosi e Bartolomeo Neri. A pouca distância está presente o majestoso Salão do Trono (Salone del Trono), de grandiosas proporções e ricamente decorado, com colunas e lesenas ao longo das paredes, com uma galeria superior de estátuas antigas e com bustos de vários autores setecentistas colocados sobre as portas e janelas. No teto encontra-se o afresco com a "Apoteose da Casa Corsini" (Apoteosi di Casa Corsini), de Anton Domenico Gabbiani e assistentes, de 1696: entre as cenas representadas, duas figuras aladas levam um modelo do palácio até ao céu.

A sala seguinte é o Salão de Baile (Sala da Ballo), com a abóbada pintada por Alessandro Gherardini. As salas que se seguem formam uma sucessão de preciosos ambientes, com pinturas executadas, entre 1692 e 1700, por Anton Domenico Gabbiani, Cosimo Ulivelli, Píer Dandini, Giovanni passanti, Rinaldo Botti, Andréa Landini e Atanásio Bimbacci, entre outros. Notáveis são, também, as portas e janelas.

O primeiro andar também hospeda vários quadros, a chamada Galleria Corsini, a mais importante coleção privada de arte em Florença, centrada na pintura seiscentista e setecentista italiana e européia, mas contendo, também, alguns interessantes testemunhos da arte renascentista. A coleção foi começada por Dom Lorenzo Corsini, sobrinho do Papa Clemente XII, em 1765.

Atualmente, o palácio, em parte ainda habitado pelos Príncipes Corsini, é usado como sede de exposições e eventos (como a Bienal de Antiguidades (Biennale di Antiquariato), anteriormente hospedada no Palazzo Strozzi, podendo ser visitado.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Palazzo_Corsini_al_Parione

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Beatificada Maria Corsini – exemplo de família cristã

Os irmãos Rosa Nadeu (minha avó materna), Ana Nadeu, Eráquilo Nadeu (Tio Roque), Antonieta Nadeu e Mario Nadeu – infelizmente todos já falecidos, eram filhos de Vicente (Vincenzo) Naddeo e de Joanna Corsini. Assim, ao estudar o ramo materno de minha mãe acabo entrando num universo de maravilhas tanto do lado da Família Naddeo (atual Nadeu e variações), quanto do lado da Familia Corsini. Logo que fui informado sobre a Beatificação de Maria Corsini, pelo Papa João Paulo II, tratei de estudar o assunto para publicar aqui. Logo achei a postagem abaixo, transcrita do site: Acidigital. Vejamos o que consta:

Em meio a uma multidão de famílias, os esposos Luigi e Maria Corsini Beltrame Qattrocchi foram beatificados na Basílica de São Pedro, apesar das inclemências do clima.

Sua beatificação, sem dúvida alguma, ajudaria a relançar novamente os valores próprios de uma vida cristã, tão pisoteados por uma sociedade hedonista e uma cultura de morte, assim como também estaria sendo impulsionado o sentido cristão do matrimônio como caminho de santidade.

Maria Corsini nasceu em Florença em 24 de junho de 1881; enquanto Luigi Beltrame nasceu em Catânia em 12 de janeiro de 1880. Ambos se conheceram em Roma quando eram adolescentes e se casaram na basílica Santa Maria Maior em 25 de novembro de 1905.

Os dois foram criados no seio de uma família católica e desde pequenos praticaram fervorosamente sua fé, assistindo todos os domingos a Missa e participando dos sacramentos. Devido a este legado, decidiram criar a seus filhos nos princípios e valores da fé católica.

Em 1913, a jovem família atravessou um momento doloroso e bastante incerto quando a gravidez de Maria teve sérias complicações e os médicos prognosticavam não sobreviveria ao parto, e nem mesmo o bebê não nascido.

Ainda que os doutores manifestassem que o um aborto poderia salvar a vida de Maria, esta consultando a seu esposo decidiu confiar na proteção divina. E embora a gravidez tenha sido dura, tanto mãe como filho, milagrosamente, sobreviveram. Esta experiência levou toda a família a consolidar sua vida de fé e trabalhar duro por seus anseios de santidade.

Maria deu à luz a mais três crianças; seus dois filhos homens professaram o sacerdócio; Filippo é agora o Mons. Tarcísio da diocese de Roma (com 95 anos de idade) e Cesare é o P. Paolino (92 anos de idade), um monge trapense.

A filha mais velha, Enrichetta (com 87 anos de idade), a que sobreviveu a essa difícil gestação, constituiu um lar segundo o modelo de seus pais; enquanto que sua irmã Stefania ingressou na congregação dos beneditinos, sendo conhecida por todos como a Madre Cecília, e que faleceu em 1993.

Os três irmãos estiveram presentes na beatificação de seus pais.

A família Beltrame Quattrocchi foi conhecida por todos por sua ativa participação em muitas organizações católicas. Luigi foi um respeitado advogado, que ocupou um cargo importante dentro da política italiana. Maria trabalhou como voluntária assistindo aos etíopes durante a Segunda guerra mundial.

O agora Beato Luigi foi chamado à Casa do Pai em 1951, e a Beata Maria, sua fiel esposa, o fazia posteriormente em 1965.

A Congregação para a Causa dos Santos tratou este caso como algo especial, e com a aprovação do Papa João Paulo II, esclareceu-se o caminho para sua beatificação assim que foi reconhecido um milagre de sua intercessão.

O Prefeito desta Congregação, Cardeal José Saraiva Martins, afirmou que era impossível beatificá-los separadamente devido a que não dava para separar sua experiência de santidade, a qual foi vivida em comum e tão intimamente. "Seu extraordinário testemunho não podia permanecer escondido", enfatizou o Purpurado.

Pelo menos 40 mil pessoas assistiram à cerimônia de beatificação dos esposos, que se realizou no interior da basílica de São Pedro devido a forte chuva que desatou desde as primeiras horas da manhã. O plano original contemplava a realização da cerimônia na Praça São Pedro.

Também assistiram à cerimônia os dois filhos homens do matrimônio. Filippo e Cesare que concelebraram a Missa de beatificação com o Papa João Paulo II. A terceira, Enrichetta, estava sentada entre os peregrinos que lotaram o maior templo da cristandade.

Em sua homilia, o Santo Padre assegurou que os esposos beatos, durante mais de seus 50 anos como matrimônio souberam viver "uma vida ordinária de maneira extraordinária". "Entre as alegrias e as preocupações de uma família normal - afirmou o Papa - souberam realizar uma existência extraordinariamente rica de espiritualidade. No centro, a eucaristia diária, à que se acrescentava a devoção filial à Virgem Maria, invocada com o Terço recitado todas as noites, e a referência a sábios conselhos espirituais".

O Pontífice manifestou que os esposos "viveram à luz do Evangelho e com grande intensidade humana o amor conjugal e o serviço à vida". "Assumiram com plena responsabilidade a tarefa de colaborar com Deus na procriação, dedicando-se generosamente aos filhos para educá-los, guiá-los e orientá-los no descobrimento de seu desígnio de amor", acrescentou.

[...] "Uma autêntica família, fundada no matrimônio, é em si mesma uma 'boa notícia' para o mundo".

[...]
fonte: Acidigital

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os dois extremos: a bisavó e a bisneta

Odete Bonato Colombo (descendente da Família Addeu) e sua graciosa neta (Isadora Simões Bovani). A importância da Família Colombo na vida da Família Addeu merece uma postagem especial, eis que é rica em fatos e detalhes de grande importância (oportunamente falarei sobre isso).

A família Addeu tem muitas histórias para contar. Difícil reunir todas numa só postagem. Por isso pretendo fazer aos poucos, postando as histórias por partes.

Aqui vai uma parte da história:

Francisco Addeu era casado com Maria Baptista Fiorilla Addeu e tiveram dois filhos. Ela ficou viúva prematuramente e perdeu também um dos filhos muito jovem, vítima de uma patada de cavalo enquanto ajudava a mãe, no trabalho. Isso fez com que a Viúva Maria Baptista (minha trisavó) se apegasse demasiadamente ao seu único filho sobrevivente: Paschoal Addeu (meu bisavô), tratando-o de forma muito especial, pois temia que o mesmo pudesse acontecer a ele.

Vindos da província italiana de Salerno, na Região da Campânia, cuja capital é Nápoles, se estabeleceram no Brasil, no Bairro da Mooca, na Capital de São Paulo. Diferentemente de muitos imigrantes, esse ramo da família Addeu não foi trabalhar na lavoura e nas fazendas, mas se aglutinou na região urbana, trabalhando nas cidades. A cultura italiana, dessa forma, estava também reunida nos bairros urbanos da nossa cidade de São Paulo.

Maria Baptista Fiorella Addeu, era uma trabalhadora incansável. Era também muito esperta para negócios vivendo do comércio, na Mooca. O Conde Matarazzo, com quem ela comercializava produtos, falava sempre que “era melhor negociar com 20 homens do que com a Maria Baptista”, visto que ela era muito boa para negócios e não perdia o preço. Com isso ela acabou comprando uma vila de casas na Rua Borges de Figueiredo (Bairro da Mooca – Capital de São Paulo).

Com o seu trabalho, mais os alugueis que recebia das casas da vila, vivia sossegadamente. Seu filho Paschoal (meu bisavô paterno) jamais precisou trabalhar enquanto esteve solteiro, vivendo das rendas de sua Mamarella (forma carinhosa e italiana de chamar a mãe). Mesmo porque a mamarella, não o deixava trabalhar porque tinha medo de perdê-lo de acidente, como aconteceu com o irmão. 

No entanto, nem sempre a juventude permanece para sempre. E ao completar a maioridade, Paschoal conheceu uma imigrante italiana muito bonita, Renata Sabetta, e com ela se casou. Na época, casar-se sem estar trabalhando era uma anormalidade, mas assim ocorreu. Sua vida de casado foi um episódio a parte e irei contar numa outra oportunidade, eis que foi repleta de fatos interessantes também. Tiveram dezesseis filhos sendo a primeira, Maria Baptista Addeu que depois se casou com José Augusto Bonato, e estes por sua vez tiveram uma única filha chamada ODETE (a simpática prima do meu pai, nas fotos acima. Esta última foto acima mostra Odete com seus pais).

Odete casou-se com Orlando Colombo, passando a ser chamada de Odete Bonato Colombo e teve três filhos: Maria Angela, Augusto Pedro e Carlos Alberto. Como toda família, tiveram que enfrentar os problemas que surgiram pelo caminho, porém os seus três filhos estudaram em ótimos colégios, tiveram formação universitária, e uma formação e educação ilibadas, sendo dignos de elogios.


Deixo minha prima Maria Angela Colombo Simões, narrar com suas próprias palavras a interessante história da família:

Odete foi a primeira neta dos nonos Paschoal e Renata

Filha única da filha mais velha do casal, Maria Baptista e do bem sucedido guarda-livros Augusto José Bonato, Odete, nascida em 25 de outubro de 1926, permaneceu como única criança da família, por quase dez anos, sendo muito mimada pelos seus pais, avós e tios. Sua escolaridade foi grande para a época e para nossa família. Estudou até o segundo ano científico, no Colégio São José, de onde teve de sair por problemas financeiros e depois estudou bordado no Colégio Santa Maria, onde bordou todo seu enxoval, o que era costume entre as moças prendadas da época. Estudou também piano, chegando a dar aulas deste instrumento para ajudar no orçamento da casa. 

(Notícia ao lado foi publicada no jornal: “Correio Paulistano” de 23 de novembro de 1939)

Aos treze anos, perde o pai, vítima de enfarto e volta a morar com a família, na vila da Rua Borges de Figueredo, na Moóca, de propriedade de seus pais, até casar-se em 29 de maio de 1950, com Orlando Colombo, com quem viveu por 57 anos e teve três filhos: Maria Angela, Augusto Pedro e Carlos Alberto e 6 netos: Daniela, Guto e Felipe do casamento de Maria Angela com Fausto; Camila do casamento de Augusto com Jane e Marina e Manuela filhas do Carlinhos com Patrícia.

Conta minha mãe que durante todo noivado dela com meu pai (Orlando Colombo), ela passou tocando, no piano, trechos de óperas que ele, cantava, embora fosse desafinado. Mas isso passava despercebido pela família que o incentivava, principalmente minha avó que era sua fã ardorosa.

A Vila na Rua Borges de Figueiredo era inicialmente herança do nono Paschoal. Por problemas financeiros, ela teve de ser hipotecada e para que a família não ficasse sem teto, meu avô Augusto José Bonato comprou a propriedade, permitindo que a família continuasse morando lá.

Odete e Orlando, sempre mantiveram contacto com a família e quando os filhos éramos pequenos, foram responsáveis, junto com o meu tio-avô Armando Addeu, pelas reuniões de natal e fim de ano de toda família.

Sempre recebíamos, em nossa casa da Mooca, visitas constantes dos primos Euclydes Cláudio Addeu, Milton Balboni e Rodolfo Bastiglia e dos tios-avós: Luiza Addeu, Romualdo Addeu, João Addeu, Zilda Gomes Addeu e Isolina Bastiglia.

Entretanto de todos os tios-avós, com quem mais convivemos foi com a família da tia-avó Carmen (Carmela Addeo Gonzalez), que segundo minha mãe, substituiu minha avó na vida dela e com quem tínhamos uma grande ligação e da família do tio-avô Armando Addeu, de quem éramos vizinhos e que se sentiu responsável por ela desde a morte prematura do pai e que segundo palavras dela “a acompanhou até o casamento”.

Das primas, embora ela tivesse uma ligação quase que fraterna, com a Dionea (filha da tia-avó “Carmen” Carmela Addeo Gonzalez), a preferida sempre foi sem dúvida, a Rosa Maria (filha do tio-avô Armando Addeu), de quem é também madrinha de batismo e de casamento.

Dos primos, o queridinho foi sempre o Augustinho (Augusto, filho do tio- avô Armando Addeu), de quem foi também madrinha de casamento e comadre, por ter batizado sua segunda filha, a Cristiane.

Muito rígida com a educação dos filhos, tinha entre nós o “doce” apelido de “come-gente”!

Tínhamos uma casa de praia, no litoral de São Paulo, que durante anos foi palco de felizes recordações. Na mesma praia tinham casa também a Dionea (filha da tia-avó Carmela) e o tio-avô Armando Addeu, o que aumentava nossa convivência, pois estávamos sempre juntos, tanto nos feriados, quanto nas férias.

Outra característica: suas amizades sempre foram antigas e duradouras. Suas melhores amigas são a amiga de infância a tia Nininha e a tia Jandira, amiga de quase 60 anos, com as quais mantém contacto até hoje.

Gostaria de salientar a importância de meus pais na formação médica do meu irmão Augusto, pois é muito difícil para os pais sustentarem um filho em uma faculdade de medicina, arcando com a mensalidade, custeando também a moradia, e principalmente o lado emocional, pois ele saiu de casa com apenas 18 anos.

Quanto ao Carlinhos – meu irmão caçula, meus pais simplesmente mudaram todo rumo da vida dele, através de um grande gesto de amor. Quem sabe a história da nossa família, sabe do que estou falando...

Quanto a mim, foi inegável o apoio dos meus pais na criação de meus filhos, dois deles com problemas gravíssimos de saúde. Se não fosse pela ajuda e pelo apoio de meus pais, eu teria sucumbido. Minha filha Daniela, hoje advogada, é casada com Fabio Bovani e tem uma filhinha linda chamada Isadora (foto acima)

Minha mãe Odete cuidou do meu pai, que nos últimos anos estava deprimido, com a saúde bastante debilitada e com a visão muito comprometida, até o ultimo dia de sua vida. Uma vez meu pai ficou internado por quase dois meses e minha mãe ficou cuidando dele a ponto de contrair uma baita anemia.

Outra vez, eles vieram para São Paulo e meu irmão Augusto Pedro foi buscá-los para jantar. Meu pai que tinha muita dificuldade de visão e se apoiava em tudo, apoiou-se na porta do carro. Nessa hora, minha mãe, distraída, bateu a porta e com isso arrancou a ponta do polegar dele.

Passaram-se uns dias... No dia do aniversário do meu pai, eles estavam conversando sobre tudo, e meu pai disse a ela: não posso me queixar da vida, criei e formei meus filhos e vivi tanto, que deu até tempo de você me arrancar um pedaço de dedo fora. Lembravam disso rindo.

Nos dez últimos anos da sua vida de casada, minha mãe foi morar em Valinhos (interior do Estado de São Paulo), permanecendo lá até quatro anos atrás, quando teve um problema sério de coração e decidimos que, embora ela fosse independente, por problemas de saúde, ela não deveria morar mais sozinha. Hoje, estamos muito contentes desfrutando de sua companhia.

Atualmente está com 88 anos, e é a sobrevivente mais velha do clã dos Addeu e embora diga que se sente um robô, pois usa óculos; aparelho auditivo; tem prótese dentaria sobre implante; estente e marca passo no coração, o importante é que ela está conosco e lúcida para aproveitar a companhia das pessoas que a amam.

NOTA DO BLOG: FELIZ ANIVERSÁRIO TIA ODETE! Obrigado minha prima Maria Angela, por me trazer tão comovente história.