Este Blog conterá a história de minha família, bem como narrações de fatos pitorescos e interessantes ocorridos pelas gerações. Famílias: Addeu e Miorin (famílias ascendentes: Addeo, Naddeo, Nadeu, Sabbeta, Corsini, Bacete, Doratiotto, Visentin, Gaeta, e outras). Acima estão as montanhas de pedras brancas dolomíticas. Maravilha do norte da Itália. Se quiser falar comigo, abaixo das postagens, clique em comentário e deixe sua mensagem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sudtirol e o Norte da Itália


Quadro acima: Eduard Schönfeld (1839–1885): Weinernte in Südtirol / Wine harvest in South Tyrol (Oil on canvas, 60 x 85 cm)


Paul Linke (1844-1917): Landschaft aus Südtirol mit Blick auf die Marmolata

domingo, 24 de junho de 2012

Honra, nós sempre a teremos!

Quando eu fiz este Blog para registrar a história da imigração italiana e também sobre minha família, fiz questão de não fazer nenhum tipo de propaganda. Minha intenção não foi ter o blog apenas para minha família, mas para todos os descendentes de italianos que possam aproveitar as histórias que temos em comum, e assim poder trocar informações importantes na narrativa de nossa história Ítalo-Brasileira. Já faz anos que estou reunindo documentos e informações sobre minha família em especial, mas isso será matéria para o livro que estou escrevendo, sem qualquer pressa, há anos – esses fatos não constarão no Blog. Resgatar fragmentos históricos e reconstituí-los não é nada fácil, especialmente por que minha família se dispersou por todo o Brasil e pela Europa, e cada um levou consigo um fragmento histórico de nossa família. Esses fragmentos se completam como um enorme quebra-cabeça, e leva muito tempo para reunir todas as peças.

O que me deixou feliz foi o e-mail de um primo parabenizando-me pela iniciativa do Blog. Ele já conhecia sobre o livro, mas o blog era novidade. Disse-me que se sentia honrado com as referencias familiares e incentivou-me a continuar escrevendo.

Honra é um sentimento salutar. Causa-me alegria recordar fatos familiares, especialmente por que convivi com bisavós que eram imigrantes, e depois com meus avós que continuaram a tradição familiar, morávamos todos juntos. Esse foi o meu mundo desde minha infância até a minha juventude e maturidade.

Devemos nos honrar de nossos símbolos, de nossos Brasões familiares, de nossa história, de nossos costumes. E para justificar trago um trecho do livro “A Sociedade Orgânica e a Sociedade Totalitária”  (Tipografia São Carlos Ltda – Município de Rio Negrinho, Estado de Santa Catarina – Brasil) – escrito pelo Dr. Adolpho Lindenberg, proprietário da tão conhecida Construtora Adolpho Lindenberg:

A definição clara das peculiaridades, das características, dos valores próprios – numa palavra, da “personalidade” – de cada sociedade humana, é um ponto importante da verdadeira concepção de uma sociedade católica. Todas as coisas existentes no mundo têm um significado simbólico, que exprime uma perfeição divina. Ora, os melhores símbolos das perfeições de Deus nesta Terra são os próprios homens, que foram criados à sua imagem e semelhança, e as sociedades por eles constituídas. Os agrupamentos humanos, enquanto tais, devem fazer resplandecer as perfeições divinas de que são depositários, devem cercar-se de símbolos que exprimam os seus valores peculiares. Assim os outros homens e seus próprios membros neles poderão melhor contemplar uma imagem de Deus. É portanto, para dar gloria a Deus que cada agrupamento social deve ser desejoso de manifestar abundantemente a sua “personalidade”.

O contrário deste ideal de uma justa e rica “personalização”, que tanta glória dá a Deus, está na falsa modéstia de certas pessoas, que numa compreensão errônea da humildade, só pensam em “se esconder”, deixando assim , de dar um bom exemplo que tinham obrigação de dar, e, portanto, de realizar um apostolado que a Providência delas pedia. Uma autêntica concepção de humildade, segundo a Igreja Católica, ensina que há numerosas ocasiões em que no "esconder-se" não há manifestação de humildade, mas sim de pusilanimidade, de preguiça, de covardia, ou – quem sabe? – de orgulho. Isto, que é verdadeiro para os indivíduos, também o é, mutatis mutandis, para os agrupamentos sociais.

Na Idade Média, as sociedades procuravam manifestar-se de num modo muito visível e abundante: possuíam trajes característicos, músicas, emblemas próprios; tinham, às vezes, um modo particular de se exprimir e até de falar, instalavam-se em belas sedes, festejavam os feriados e realizavam suas cerimônias. Numa emulação que, bem compreendida, só pode ser fator de ânimo e de incentivo para a virtude, cada entidade procurava sobrepujar as suas congêneres, atraindo a atenção dos espíritos, sobre seus valores próprios, suas características, suas realizações, seus feitos tantas vezes gloriosos e heróicos.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Talian - dialeto Ítalo-Brasileiro


Quando os imigrantes italianos começaram a chegar no Brasil, a Itália estava recém-unificada, mas os imigrantes ainda conservavam o regionalismo de sua terra e seu dialeto. Italiano era um tipo de povo novo, nascido do Risorgimento, com o processo de unificação da Itália. Porém muitos ainda não estavam acostumados a Nação Italiana como um todo. Muitos imigrantes ainda conservavam os costumes e dialetos de sua região de origem, na Itália.

Cabe esclarecer que o Risorgimento é o movimento na história italiana que buscou entre 1815 e 1870 unificar o país, que era uma coleção de pequenos Estados submetidos a potências estrangeiras.

Na luta sobre a futura estrutura da Itália, a monarquia, na pessoa do rei do Piemonte-Sardenha, Vitor Emanuel II, da Casa de Saboia, apoiado pelos conservadores liberais, teve sucesso quando em 1859-1861 se formou a Nação-Estado, sobrepondo-se aos partidários de esquerda, republicanos e democráticos, que militavam sob Giuseppe Mazzini e Giuseppe Garibaldi.

A desejada unificação da Itália se deu assim sob a Casa de Saboia, com a anexação do Reino de Sardenha, da Lombardia, do Vêneto, do Reino das Duas Sicílias, do Ducado de Módena e Reggio, do Grão-Ducado da Toscana e do Ducado de Parma e dos Estados Pontifícios.

Muitos dos italianos imigrantes, conservavam aqui no Brasil o dialeto natal, especialmente os que vieram do Vêneto.

Imigrantes italianos começaram a chegar à região no final do século XIX. Na época, ainda não fora estabelecido um idioma italiano oficial na Itália, e o uso de dialetos ainda era predominante. Os italianos que imigraram para o Brasil eram de diferentes partes da Itália, mas no sul do Brasil predominaram os imigrantes do norte da Península Itálica, principalmente das regiões do Vêneto, Lombardia, Trentino-Alto Ádige e do Friuli-Venezia Giulia. Destes, cerca de 60% eram de língua e cultura vênetas.

O talian (ou vêneto brasileiro) é uma variante da língua vêneta (língua do norte da Itália) falada na Região Sul do Brasil, sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Nas primeiras décadas de imigração, havia grande resistência da comunidade italiana em se misturar com os brasileiros. O processo de integração foi lento. Esse isolamento durou cerca de cinqüenta anos, a contar do início da imigração, em 1875. No sul do Brasil, muitas colônias italianas eram situadas em regiões isoladas ou relativamente independentes da população brasileira. Isso permitiu a manutenção do uso da fala dialetal italiana por gerações.

O vêneto falado no sul do Brasil é arcaico quando comparado ao vêneto falado atualmente na Itália, pois é semelhante ao usado no século XIX. Ademais, com o advento da rádio e da televisão, começou uma forte interferência da língua portuguesa no vêneto falado pelos imigrantes no Brasil. Em decorrência, o vêneto brasileiro evoluiu de forma diferente da variedade falada na Itália, uma vez que incorporou itens lexicais do português e se manteve ligado à maneira como era falado no século XIX. Assim, usa-se o termo talian para diferenciar o vêneto falado no Brasil do dialeto vêneto hoje usado na Itália.

O talian é uma variante brasileira da língua vêneta, da mesma forma que o Riograndenser Hunsrückisch é um dialeto falado por descendentes de alemães no Sul do Brasil. O talian não é considerado uma língua estrangeira no Brasil, mas sim uma língua nacional brasileira, porém, sem status de língua oficial.

Peço a todos que lerem essa postagem, que não deixem de ver esse pequeno vídeo maravilhoso:


Também não deixem de ler El Brasil Talian:


Fontes de pesquisa:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Talian
http://pt.wikipedia.org/wiki/Risorgimento

Sotaque do Bairro da Mooca


Dizem que São Paulo tem um modo todo próprio de falar pela influência da imigração italiana. Especialmente no bairro da Mooca, para onde foram muitos imigrantes italianos e deixaram uma infinidade de descendentes que fazem questão de manterem a tradição de suas famílias. Comidas e festas típicas, clubes e associações, de tudo tem na Mooca; até um “sotaque” todo próprio. Segundo noticiou o Jornal “Folha de São Paulo” de 05 de junho de 2011, sob o Título: “Sotaque da Mooca pode virar patrimônio imaterial de SP”, o noticiário nos informa:

O "cantado" modo de falar da Mooca, bairro da zona leste de São Paulo, [...] pode se tornar o primeiro bem imaterial protegido da cidade. Está no Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico) um pedido para transformar o "mooquês" em patrimônio de São Paulo. A idéia é registrar e preservar esse jeito peculiar de falar de parte dos paulistanos. "Fico maravilhada com a ideia", afirma Crescenza Giannoccaro de Souza Neves, presidente da Associação Amo a Mooca.
Ela faz, porém, uma ressalva sobre uma característica atribuída ao modo de falar dos moradores do bairro: a falta de "s" nos plurais.
"Os imigrantes, quando chegaram, tinham dificuldade de dizer os plurais, pois era diferente da língua deles. Nós, descendentes, também falamos cantado, mas usamos bem os plurais." [...]
Crédito da foto:
http://olhonamooca.blogspot.com.br/

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Italianos! Para a América! Famílias Miorin e Doratiotto


Quem conhece bem o povo italiano e seus descendentes, sabe muito bem o quanto os laços familiares são importantes e o carinho que uns tem com os outros. Emotivo, carinhoso, falar em separação de família é coisa que choca muito.

O Italiano em si não gosta de guerras, porém quando se trata de defender sua pátria ou sua família, é muito unido e forte. Mas em que época não teve guerras na Itália? Invadida por vários povos, turbilhões revolucionários, guerras entre reinos internos... Porém uma guerra foi o suficiente para lançar não só a Itália, mas toda a Europa numa crise tremenda: a Revolução Francesa. A história nos conta fatos terríveis de perseguição à Igreja e ao Papa. E nesse ponto, não há católico como o italiano. Quando Napoleão invadiu a Itália, propondo seus ideais revolucionários de tornar-se o ditador soberano, os italianos resistiram bravamente. Minha família já havia recebido honrarias em outras épocas por ter defendido a Igreja Católica e o Rei. Agora com a ameaça de Napoleão, tornou-se evidente que a resistência italiana foi pesada, mesmo por que Napoleão havia prendido o próprio Papa e destronado o Rei de Nápoles para colocar em seu lugar José Bonaparte – seu irmão.

Consta na história que todos os italianos lutaram, desde os mais humildes – e minha família estava junto nessa guerra. Mas foram os calabreses que fuzilaram José Bonaparte. Eu já contei com detalhes essa história no postagem que fiz:

O fato é que, mesmo derrotado, Napoleão já havia disseminado o germe revolucionário pela Europa. E além disso, correntes revolucionárias continuaram a sacudir a Itália, bradando por sua unificação, provocando muitas guerras internas. Os anos se passaram.

A crise veio forte, para castigar um povo católico e heróico. Quem produzia alguma coisa, não conseguia vender. Meu Tri-avô Francesco Miorin era casado com Celeste Visentin (também pronunciado como Visintin), que tinha uma família numerosa (tanto na Região do Vêneto, quanto na Região de Friuli-Venezia Giulia), era produtor de uma coisa muito utilizada naquela época: Cordas, entre outras coisas. As cordas fabricadas por ele eram feitas de fibras vegetais plantadas em suas terras, assim como a "corda de sisal". Francesco Miorin começava a ficar preocupado, com seus negócios. Estava com dificuldade até para negociar com os austríacos. Toda a família sentia a grave crise. Nas cidades vizinhas, de onde vieram meus outros ascendentes a vida também estava difícil. Paschoal Doratiotto tinha dois filhos: Giovani e Guiseppe. Desses dois filhos brotaram dois grandes ramos dos Doratiotto no Brasil. Paschoal (meu tetra-avô), já idoso, sentia a terrível crise financeira que abalava a Europa (que mais tarde eclodiria a Grande Guerra); seu filho Giuseppe Doratiotto (meu Tri-avô) que morava em Treviso (Região do Vêneto) trabalhava como cozinheiro num seminário para poder sustentar sua família, mas a vida estava difícil. Giuseppe tinha uma casa numa praça, onde vivia com sua esposa Santa (da família dos Bacette) e seus filhos – entre esses filhos minha bisavó Ângela Doratiotto (que depois, já aqui no Brasil, veio a casar-se com meu bisavô Antonio Miorin). A Praça que moravam era muito bonita e tinha uma igreja no meio, segundo me contou minha própria bisavó.

De repente aparece a oportunidade de imigrar para a América. Muitas propagandas noticiavam que o paraíso estava na América, e que lá havia muitos empregos e grandes oportunidades. A Europa estava em crise, final do século XIX, quase iniciando o século XX e, em alguns anos, adentrava na primeira guerra mundial. Uma terra nova! Uma vida nova! Longe de guerras! Longe de crises! Paz para as famílias! A viagem para a América tornou-se uma febre.

A família Miorin vendeu suas terras e negócios e veio para a América (o Brasil, como chamavam na época), Eram, mais ou menos, 90 pessoas que embarcavam para o Brasil, trazendo uma mala cheia de dinheiro austríaco. Algumas notas desse dinheiro está guardado com meu Tio Dyrceu, pois apesar de não ter valor financeiro, tem um valor sentimental muito grande. Assim fez também a família Doratiotto e outras tantas famílias italianas do norte e do sul da Itália.

A despedida era muito triste, por que sabiam que jamais tornariam a se ver novamente. Deviam aguardar o trem que os levaria até o porto de Gênova, de onde sairiam os navios para o Brasil. Muitas lágrimas, muitos abraços, muita tristeza.

A despedida geralmente era numa igreja, onde assistiam a última missa em solo italiano, confessavam-se, comungavam, casavam-se quem ainda não fosse casado... E a todos o padre abençoava.

O apito do trem toca, era sinal de que haviam de partir. Todos embarcam às pressas, para não perder a viagem, correm pegar as crianças que estavam brincando, reúnem as pesadas bagagens, baús de madeira pesados, empurram-se para dentro do vagão de trem e espremidos procuram um lugar na janela, para poder olhar pela última vez para seus parentes que ficavam... uma última lágrima... Alguns gritavam: “nos re-encontraremos no Paraíso”.

Chegando em Gênova desembarcavam. Os primeiros navios que partiram para a América eram a vela, e demoravam por volta de três meses... Mas estes agora em que meus descendentes estavam aguardando já eram navios a vapor, demoravam apenas um mês para chegar ao Brasil.

Havia notícia de que um navio já havia afundado, morrendo todos os tripulantes. Isso preocupava a todos, pois enfrentar o mar bravio e desconhecido, em busca de uma terra nova causava temor. Mas com fé no coração, esses nossos bravos antepassados, olhando para o alto, confiavam em Deus e partiam cheios de esperança em busca de uma vida melhor.

Consta no livro “Trajetória dos Imigrantes” da Casa da Imigração de São Paulo, que os italianos embarcavam nos navios cantando:  “partimos com nossa honra”... isso por que jamais cederam às revoluções anarquistas que sacudiram a Itália. Consta também que, nos navios, o heróis imigrantes – iam rezando seus terços.

Na Casa do Imigrante consta o registro de que trouxeram da região do Vêneto até um sino.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Saudade e a origem da letra itálica

De dentro do avião eu olhava para baixo e, em meu coração, me despedia daquela terra abençoada da Itália. Estava saindo de Roma em direção à Sevilha, na Espanha. Um pensamento me inquietava: não conseguia pronunciar saudade em italiano. Somente depois eu vim a saber que a palavra saudade só existe no idioma português. Quantos sentimentos juntos a palavra saudade agrega. Tanta coisa dita numa só palavra: saudade. Hoje eu escrevo saudade em itálico, lembrando que até na arte de escrever Veneza deu sua contribuição: o ITÁLICO.

Essa arte de escrever com as letras um pouco deitadas para a direita, que presume a pressa de quem a escreve, fez surgir um tipo de letra nova, denominada Itálico.

O mundo já conheceu várias formas de escritas. Antigamente havia até escolas de caligrafias onde se aprendia a letra tipo bastão, a letra de forma, a letra corrida, a letra desenhada, a letra decorada, etc. Até uns anos atrás a letra gótica era usada pelos povos germânicos nos seus livros.

Lembro-me que havia até um caderno especial de caligrafia, onde se praticava os inúmeros exercícios que a professora dava para se aprender os diversos tipos de letras.

O estilo de caracteres denominado Itálico foi inventado pelo veneziano Teobaldo Manuzio em 1501 (Dica do Word), e começou a ser usado na França 1557.

O alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, é o sistema de escrita alfabética mais utilizado no mundo. Utilizado pelos romanos a partir do século VII a. C., derivou do alfabeto etrusco, que por sua vez evoluiu a partir do alfabeto grego.

Essas letras servem para escrever a língua portuguesa e a maioria das línguas da Europa ocidental e central e das áreas colonizadas por europeus. Ao longo dos séculos XIX e XX, o alfabeto latino tornou-se também o alfabeto preferencialmente adotado por um número considerável de outras línguas, em especial pelas línguas indígenas de zonas colonizadas por europeus que não tinham sistemas de escrita próprios.

Itálico é um tipo de letra, que utiliza caracteres cursivos, e que pode ser aplicado em quase todos os outros tipos de letra.

Cursivo é o nome que se dá a qualquer estilo de escrita à mão projetada para a agilidade na escrita. Nas línguas que utilizam os alfabetos latino e cirílico as letras da palavra são geralmente ligadas umas às outras, o que permite que a palavra inteira seja escrita com um único traço. Em português, esta escrita pode ser denominada de escrita à mão.

As letras cursivas costumam ser bastante diferentes das suas equivalentes impressas ("letras de forma"). Na cursiva hebraica e na cursiva romana, as letras não costumam ser conectadas.

Não há uma regra gramatical quanto ao uso do estilo de fonte itálico. Contudo, no Brasil, as normas ABNT recomendam o emprego do itálico para destacar palavras ou frases em língua estrangeira.

fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_latino

http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lico

http://pt.wikipedia.org/wiki/Letra_cursiva

Dicas úteis do Word

sábado, 26 de maio de 2012

Tratado Germânico - Imigração - Cidadania Italiana

Para quem estuda Cidadania ou Genealogia uma dica interessante:

No ano de 1815, após o Tratado de Viena, o Trentino foi anexado ao condado do Tirol. Daquele ano e até depois da Grande Guerra – para ser mais exato, até 31 de dezembro de 1923 –, os registros de nascimento foram conservados junto às Paróquias, as quais também funcionavam como cartório.

Muitos livros perderam-se, mas os que restaram foram microfilmados, na metade dos anos oitenta, para facilitar a consulta.

Agora, os dados de cada pessoa (cerca de 1,28 milhões) foram compilados, através de trabalho que levou diversos anos, num “Índice” que colocamos à disposição dos estudiosos e daqueles que queiram reconstruir a história da própria família. (vide no link abaixo)


Tratado Germânico: os cidadãos italianos nascidos na região de Trento; esta região foi invadida pela Áustria, e todos os italianos que lá permaneceram, voltaram a ser italianos, e os que vieram para o Brasil antes de 1920, perderam a cidadania, passaram a ser Austríacos.

Fonte: Boletim do 3° RDT, publicação mensal do Terceiro Cartório de Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil das Pessoas Jurídicas - ano X, julho de 1996, número 112.

Por isso os brasileiros descendentes de italianos nessas condições não podem requerer e nem adquirir a cidadania italiana. Porém, é preciso estudar cada caso. Para quem quiser saber um pouco sobre como adquirir a Cidadania Italiana, consulte meu blog:


Depois da Primeira Guerra Mundial o Mapa da Europa se modificou muito. O Tirol, belíssima por sua história e por suas paisagens acabou sendo dividido em dois: O Norte do Tirol passou a fazer parte da Áustria e o Sul do Tirol passou a fazer parte do Norte da Itália. Assim também a gloriosa Prússia. A última capital da Prússia foi Berlim e os dois soberanos foram a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos e a Casa von Hohenzollern. A Prússia foi abolida, de fato, pelos nazistas. Uma parte da Prússia passou a pertencer à Alemanha e a outra parte passou a ser da Polônia. Dessa forma, e através de tratados de guerra os paises europeus se modificaram, alterando a sua legislação e por conseqüência os direitos de cidadania.

A Itália antes de 1861:

Para efeito de estudo, apresento como estava dividida a Itália antes do ano de 1861:

1) Reino do Piemonte – Capital: Turim – Situação política: Reino do Piemonte (Victor Emanuel I, conde de Cavour como 1° ministro)

2) Lombardia – Capital: Milão – Situação política: Província do Império Austro-Húngaro (Dinastia Habsburgo)

3) República de Veneza – Capital: Veneza – Situação política: Governo dos Doges, tutelada pelo Império Austro-Húngaro

4) Reino das Duas Sicilias – Capital: Nápoles – Situação Política: Reino dos Bourbons (ramo espanhol)

5) Estados Pontifícios – Capital: Roma – Situação política: Governo do Papado

6) Grão-ducado da Toscana – Capital: Florença – Situação política: Grão-duque D’Áustria

7) Ducado de Parma – Capital: Parma – Situação política: Duque de Parma

8) Ducado de Módena – Capital Módena – Situação política: Duque de Módena

domingo, 13 de maio de 2012

Itália indescritível


A Itália  é indescritível. Não é apenas o país mais belo do mundo; é qualquer coisa fora e acima deste mundo, assim mais ou menos pendurada a meio do caminho entre o Céu e a Terra. E isso não decorre somente das riquezas artísticas, de todas as épocas – que os etruscos, os gregos, os romanos, a Idade Média e a Renascença ali acumularam. Nem só da natureza, estupenda: céu que a gente olha, espia, vê, e não acredita estar vendo; crepúsculos fabulosos, que parecem também de mentira; e um mar lindamente impossível, que despende poesia como se despendem energias de um átomo desintegrado. Nem das reminiscências da História e da Legenda. Nem apenas da luz, que nas outras terras significa apenas claridade, ao passo que, na Itália, quase  de cidade para cidade.

[...] a gente italiana é, entre todas, a mais bonita e a mais simpática, a mais humana de todas, a mais alegre.

(João Guimarães Rosa, Carta aos pais. Paris, 3.9.1950)

domingo, 6 de maio de 2012

As janelas de outrora

Meus avós paternos já haviam mudado de casa algumas vezes, mas jamais sairam do Bairro da Mooca, na capital de São Paulo. Numa dessas mudanças, há muitos anos atrás, foram morar na Rua Siqueira Bueno (uma das ruas principais do bairro). Quando meu pai me levava para ir visitar meus avós, eu olhava com admiração uma grade de madeira que havia na janela que dava para o quintal. A grade estava muito bem feita, com pequenos vãos de tal forma que quem estava dentro via quem estava fora, mas quem estava fora não via quem estava dentro. Achava isso muito interessante. Atribuia isso ao capricho do meu avô que sempre fazia as coisas com precisão e arte.

Porém somente mais tarde eu vim a saber que aquelas grades eram resquícios de São Paulo antigo e que um dia o governo havia se insurgido contra elas. Mais uma vez o governo se metendo em coisas particulares, injustamente.

A história de São Paulo fala dessas lindas grades de madeira.

“Costumes que custaram a acabar”

Durante mais de trezentos anos existiram rótulas na Cidade de São Paulo. Aquele gradeado de madeira, com seu estilo árabe peninsular, escondeu muita coisa, principalmente o tímido amor das paulistanas. Um viajante francês de 1840 já se queixava: “têm-se a impressão de que se é espreitado por toda a parte; entretanto as ruas de São Paulo são quase desertas”. Referia-se, naturalmente, às indiscretas rótulas...

Haviam-nas em toda a parte, desde as casas pobres de taipa até os sobradões enfeitados de azulejos dos fazendeiros apatacados. Um dia, porém, em nome do progresso, resolveram derrubá-las e nasceu uma discussão terrível. uns a favor, outros contra. A polêmica saiu dos becos e foi para as colunas dos jornais. “O Constitucional”, em 21 de outubro de 1854, protestava assim:

“O Constitucional” noticiou que o sr. tenente-coronel Luz, solícito pelo bem da municipalidade, projetava, segundo se lhe informara, propor à deliberação da câmara da capital a necessidade de vedar a abertura das portas e janelas para a rua. Como tanto o bem como o mal neste mundo tem defensor, por isso já houve alguém a dizer que convinha não declarar guerra às pobres rótulas, que são muito cômodas: - cômodas em que sentido? para ocultarem-se as famílias, as vidraças cobertas com esteiras da China nas janelas baixas, como se pratica em Santos, no Rio de Janeiro, etc., produzem o mesmo efeito. e ocultarem-se de quê? Somos nós um povo de cucas! Demais, vai ai grave questão de moralidade: é bom refletir sobre o estímulo de tudo que se esconde. As pequenas povoações do nosso litoral, várias vilas e cidades do interior prescreveram as esteiras de palha, ou de pau dos seus edifícios; estamos nós mesmos adiantados, e a nossa moralidade é inferior à delas? De resto é fora de questão que muito melhora de aspecto a capital da província com a providência projetada, que os perigos das abalroadas nas janelas desaparecem; e quem sabe que influência exercerá nos nossos costumes?”

Passaram-se os tempos, e, apesar de tudo, continuaram as rótulas. Em fins de dezembro de 1873, eis que a câmara municipal tomava a deliberação de pôr-lhes um termo. um edital, publicado na imprensa local, dizia o seguinte:

“de ordem da Ilma. Câmara Municipal declaramos que o prazo improrrogável para a substituição de rótulas, postigos, cancelas, portas ou janelas de abrir para fora, finda-se em 31 do corrente mês; e, para que ninguém alegue ignorância, findo esse prazo, o infrator será multado em 5$000, e mais no de fazer a obra a sua custa. São Paulo, 22 de dezembro de 1873. O fiscal do distrito do norte, João Antonio de Azevedo. O fiscal do sul, Pedro Nolasco da Silva Fonseca”.

A 1o de janeiro de 1874, o “Diário de São Paulo”, na primeira coluna da primeira página, publicava a seguinte nota veementíssima:

“Ao povo - a Constituição Política do Império garante o direito de propriedade em toda a sua plenitude; e se é isto verdade incontestável, é igualmente certo que a câmara municipal não pode obrigar os proprietários a tirarem ou mudarem as rótulas dos seus prédios; e fazendo-o comete um escandaloso atentado contra a Lei Fundamental do Estado. A lei não pode ser retroativa; nem pode condenar ou proibir hoje o que se consentiu que se fizesse ontem; não pode alterar aquilo cuja fatura permitiu. A câmara não pode dar padrões para as construções; mas abusa do seu poder ordenando a alteração da forma dos prédios, contra os interesses dos proprietários. o povo tem o direito de resistência contra ordens ilegais; deve opor-se a este escândalo.

Entretanto, com o passar dos anos, aos poucos, as rótulas foram saindo das janelas paulistanas. Em 1880, a maioria das casas já não usavam mais.

Fonte:
São Paulo de Nossos Avós - Raimundo de Menezes
Ilustrações de Belmonte, publicada no livro “Rotulas e Mantilhas” de Edmundo Amaral

OBS: Na foto acima, a casa de minha avó paterna com as rótulas. Minha avó Zilda no meio com suas duas irmãs Ismênia e Eduarda. O seu irmão Jorge não está na foto. O homem é marido da Eduarda e chamava-se: Francisco D'Assis Monteiro de Castro, vulgo "nene" (sub-delegado regional do Bairro do Belenzinho, Capital de São Paulo).

sábado, 28 de abril de 2012

A avó materna de minha mãe e Santo André Corsini

A avó materna de minha mãe, portanto, minha bisavó, descende de um antigo ramo familiar italiano, cujo sobrenome é Corsini. Ao estudar mais a fundo a genealogia de minha família me deparei com uma história muito interessante que transcrevo a seguir:

A história de Santo André Corsini - A seriedade de uma conversão

André, de “lobo” transformou-se em “cordeiro”, e de “cordeiro” em “pastor”.

Um dos grandes Santos do fim da Idade Média, oriundo de uma das mais nobres famílias da brilhante Florença do século XIV.

Nicola e Peregrina pertenciam à nobre e antiga família dos Corsini, de Florença (Itália). À força de orações e promessas, obtiveram do Céu um filho, que consagraram à Virgem no convento dos carmelitas.Entretanto, na véspera do parto, Peregrina sonhara que havia dado à luz um lobinho que, entrando numa igreja, transformara-se em amável cordeiro. André, o filho que nascera na festa desse Apóstolo, em sua infância e adolescência realmente assemelhava-se mais a um lobo do que a um cordeiro. Era desobediente, briguento, mundano, não respeitava nem pais nem mestres, e passava o tempo na caça e no jogo. Não é de se admirar que tivesse rixas constantes em casa.

Certo dia, quando devia ter pouco mais de 15 anos, ele maltratava a mãe, que o repreendia pelos seus desmandos. Nesta ocasião, em lágrimas, ela lhe disse: “És bem o lobo do meu sonho”. O rapaz ficou surpreso. “Que lobo? Que sonho? Conta-me tudo”. Peregrina narrou-lhe então o sonho que tivera, acrescentando que, quando ele nascera, os pais o haviam consagrado à Virgem. E que seu proceder era o oposto do que eles esperavam dele.

André, tocado pela graça, ficou muito comovido. Saiu de casa e dirigiu-se à igreja do convento carmelita, onde se prostrou aos pés da Virgem do Povo, a quem fora consagrado. E rezou do fundo da alma: “Ó gloriosíssima Virgem Maria! Aqui tens, a teus pés, o lobo feroz e repleto de culpas que a ti recorre humildemente. Já que és a Mãe do Cordeiro sem mancha, cujo sangue nos lavou e remiu, rogo-te que me limpes, e de tal maneira convertas minha cruel natureza de lobo, que de hoje em diante seja eu mansíssimo e fidelíssimo cordeiro, digno de ser-te oferecido como vítima e servir-te até minha morte em tua santíssima Ordem Carmelitana”.

Quanto tempo passou ele ali, prostrado aos pés da Virgem? Os ofícios terminaram, a igreja se fechou, e os irmãos leigos começaram a limpeza do recinto para o dia seguinte. Um deles descobriu o jovem. Que fazia ali àquela hora? “Leve-me ao Superior, por favor”, pediu o rapaz. Em frente a ele, caiu de joelhos e suplicou que lhe desse imediatamente o hábito da Ordem. Mas todos conheciam sua família e seus desregramentos. O Superior titubeou, argumentou que nada lhe faltava em sua abastada família; por que queria tudo abandonar? André explicou-lhe a graça que acabara de receber, e que queria cumprir os votos dos piedosos pais. Estes foram chamados e, exultantes, deram sua licença. Recebeu o hábito em 1318, sendo daí para a frente um novo homem.

É claro que uma pessoa, tendo vivido tanto tempo ao sabor de seus caprichos e mau temperamento, sem um remédio eficaz não se transformaria de vez. André utilizou para isso o método de “agere contra” — quer dizer, agir de maneira totalmente oposta ao vício ou defeito que queria combater. Para domar seus maus impulsos e espírito de independência, tornou-se o mais obediente e mais observante noviço. Vivera ele em meio ao excessivo luxo e comodidades? Agora escolhia para si o mais velho hábito do convento e lançava mão de ásperas penitências, disciplinas e contínuos jejuns. Para isso também observava um rigoroso silêncio, mortificava a vista, ouvidos e paladar, e dedicava longas horas à oração. Suportava o escárnio de seus antigos companheiros de libertinagem e o desprezo de alguns parentes. Sua conversão fora verdadeiramente profunda, e ele abraçou com entusiasmo o caminho da perfeição.

O demônio não podia resignar-se a perder assim definitivamente aquele que fora tanto tempo sua presa. Não o deixava em paz, assaltando-o com violentas tentações. Mas André recorria a Nossa Senhora e neutralizava assim os assaltos do espírito infernal.

Um dia, quando ele estava encarregado da portaria durante o jantar da comunidade, bateram com insistência na porta do convento. André, que tinha ordem de não deixar entrar nenhum estranho, abriu apenas um pequeno postigo na porta e viu um garboso senhor acompanhado de vários criados. — “Abre depressa, pois sou teu parente e não posso consentir em que permaneças mais tempo entre esses indigentes. Teus pais também querem que saias, pois escolheram e elegeram para tua esposa uma jovem nobre e formosa”. Respondeu que não o reconhecia por parente, que seus pais estavam satisfeitos com a estadia dele lá, e que não abriria por não ter licença. Reconhecendo no embusteiro o pai da mentira, com o sinal da Cruz fê-lo fugir.

Para praticar a humildade, mesmo depois de professar, André pediu para sair pedindo esmolas para o convento nas ruas onde moravam as pessoas mais proeminentes da cidade e alguns parentes seus. De muitos deles recebia insultos e repreensões, sob alegação de que desonrava o nome da família.
Professo, em nada diminuiu suas austeridades. Sua vida tornou-se de contínua penitência. Jejuava várias vezes por semana e dormia sobre palha, trazendo à cintura rude cilício.

A Providencia logo o premiou com o dom dos milagres e da profecia. Assim, curou milagrosamente de uma horrível úlcera na perna um tio mundano e viciado no jogo, trazendo-lhe, com a saúde do corpo, a da alma. Um dia, atendendo às insistências de um amigo, aceitou ser padrinho de seu filho. Na hora da cerimônia, quando tinha a criança nos braços, começou a soluçar. Quando lhe perguntaram o porquê das lágrimas nesse momento, respondeu: “Eu choro porque este menino nasceu para sua perda e ruína de sua casa”. E isso sucedeu. Crescendo, o infeliz traiu sua pátria, sendo executado pela justiça e cobrindo de infâmia toda a família.

Frei André foi enviado pelos seus superiores a Paris, onde havia a mais famosa universidade da época, para aperfeiçoar-se na teologia. Quando voltou, foi eleito prior do convento de sua cidade.

Vagando em 1360 a Sé de Fiésole, perto de Florença, o clero escolheu Frei André para ser seu bispo. Mas este, sabendo da escolha, escondeu-se na Cartuxa de Florença. Depois de muito o procurar inutilmente, o clero de Fiésole resolveu reunir-se e escolher outro bispo. Nesse momento entrou no recinto um menino de três anos, que disse: “Deus escolheu André para prelado; ele está em oração na Cartuxa, onde o encontrareis”. Ao mesmo tempo o Anjo da Guarda de André apareceu-lhe, também na figura de um menino vestido de branco, e lhe disse: “Não temas, André, porque eu serei teu guardião, e Maria será em todas as coisas tua ajuda e tua protetora”. O Santo dirigiu-se a Fiésole, encontrando-se no caminho com o cortejo daqueles que o vinham buscar.

Sabendo da grande responsabilidade que tem um bispo, André, para obter o auxílio divino, aumentou ainda mais suas austeridades e penitências, de modo tal que é dificilmente compreensível para o homem amolecido de nossos dias. Basta dizer que ele se disciplinava até o sangue todos os dias, durante o tempo em que rezava os Sete Salmos Penitenciais e algumas ladainhas. Usava um cinto de ferro junto à carne e um cilício.

Ele não falava jamais com mulheres, a não ser o mínimo indispensável, e não tolerava ouvir lisonjeiros. Visitou toda sua diocese, procurando reafervorar seu clero e diocesanos. Fez uma lista de todos os pobres de sua cidade, sobretudo dos pobres envergonhados, a quem socorria secretamente. Chamavam-se “pobres envergonhados” pessoas pertencentes à nobreza ou outras classes elevadas, que haviam caído na miséria. Durante um ano de carestia, deu aos pobres tudo o que tinha. Um dia em que já havia dado todo o pão disponível, surgiram outros pobres. Os pães se multiplicaram milagrosamente, satisfazendo a todos.
Às quintas-feiras ele lavava os pés de doze pobres, dando-lhes depois generosa esmola. Certa vez um deles tinha na perna uma úlcera tão asquerosa, que quis impedir ao bispo de tocá-la. Mas apenas o santo o fez, a perna curou-se imediatamente.

Seu espírito doce e pacífico serenava toda querela, pois tinha o dom de restabelecer amizades e acabar com discussões. Por isso o Papa Urbano V o mandou como núncio a Bolonha, cidade na qual havia guerra entre duas facções. Ele não só obteve a pacificação geral, mas reuniu entre si a nobreza e o povo com os laços de uma caridade mútua.

O santo trabalhava também para reparar os templos. Assim, reedificou sua catedral, que estava em ruínas.
Aos 71 anos de idade, quando celebrava a Missa de Natal, Nossa Senhora apareceu-lhe, prevenindo-o de que viria buscá-lo no dia dos Santos Reis. André preparou-se bem, pôs em ordem todos os negócios de sua diocese, e esperou a hora da morte recitando com os presentes o Símbolo dos Apóstolos, de Nicéia e de Santo Atanásio. Quando cantava o “Nunc dimittis servum tuum, Domine” (Deixai partir agora vosso servo, Senhor), entregou sua alma a Deus.

História extraída da Revista Catolicismo de fevereiro de 2003

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Familia Addeu recebe homenagem

A Família Addeu recebe homenagem da Câmara Municipal de São Paulo. Em abril de 2012, através de carta dirigida ao meu saudoso pai, que também chamava-se Euclydes, o vereador Adilson Amadeu assim se manifestou:

"Prezado Senhor,
A Moóca completa em 2012 o seu 456° aniversário e, como parte das comemorações, criamos o Título da "Família Amiga do Bairro" com o objetivo de homenagear aqueles que diretamente ou indiretamente trabalham pela valorização de sua história, costumes e tradições. Esperamos que essa singela homenagem sirva não apenas como uma prova do nosso reconhecimento, mas também como incentivo para a manutenção e fortalecimento das atividades comunitárias e cívicas que garantirão a transmissão da cultura local às futuras gerações. Cordialmente. Adilson Amadeu - Vereador."


Eu já tinha feito esta postagem em abril de 2012. Porém alguns meses depois a Família Miorin (de minha mãe) também recebeu homenagem por ser uma Família que cultiva sua história, costumes e tradições. Quem recebeu esta homenagem foi meu tio Dyrceu. (Este post-scriptum foi postado no dia 21 de agosto de 2012)

sexta-feira, 23 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Burgo de antanho e a Marca Barbante

Certamente os mais jovens não ouviram falar a expressão “marca barbante”. Em outros tempos, a produção de cerveja no Brasil era artesanal. Apesar de ser utilizado cevada importada, não tinha a qualidade das cervejas alemãs. Essas cervejas nacionais feitas artesanalmente eram armazenadas em garrafas fechadas com rolha. Acontecia que, por muitas vezes, devido à má pasteurização e a fermentação, a rolha não agüentava a pressão e “explodia”. Para evitar esse tipo de perda amarrava-se a rolha com um barbante. Como essas cervejas não tinham boa qualidade, começou-se a chamar de “marca barbante” tudo aquilo que não era muito bom. Daí a expressão muito usada até uns anos atras: “Marca Barbante”.

Como seria a cidadezinha de São Paulo pelos idos de 1852? Os cronistas já procuraram reconstruir-lhe o aspecto. Era despovoada e suja. Modorrava ao sol.

Boiadas rumavam para os campos realengos do Ibirapuera. Pelas ruas transitavam os carros de bois carregados de cereais, de lenha, de terra, de pedras, de madeiras para construções.

O ano de 1872, foi de grande progresso que alvoroçou o paulistano. Inauguraram-se os lampiões a gás e logo depois as “diligências por trilhos de ferro”.

O serviço de bondes, propriamente puxados a burro, só se iniciou a 2 de outubro de 1872, na presidência de João Teodoro. Eram minúsculos, muito estreitos e comumente tinham três bancos. os maiores contavam cinco. Só em 1887 foi inaugurada a linha do Brás, “partindo da estação seis bondes embandeirados até o ponto final que era a estação do norte”.

Nos últimos tempos da monarquia, trafegavam 34 carros de passageiros e 9 de carga. havia linhas para a Liberdade, Moóca, Brás, Marco da Meia Légua, Luz, Santa Cecília e Consolação. Os carros tinham sete ou oito bancos, e eram puxados por um ou dois burros.

Em tão ditosos tempos, os grandes passeios que se podiam fazer de bonde em São Paulo eram dois. a primeira dessas excursões no “Marco da Meia Légua”, pelos confins do Belenzinho, na estrada da Penha. O Marco constituía uma espécie de recanto campestre. havia por lá umas chácaras, numa das quais morava um pacato e bonachão germânico, o João Boemer, que possuía uma fábrica de cerveja chamada “cerveja da penha”, a 500 réis a garrafa! A estrangeira ou a do rio - marcas Pá, Viena, Franzizkaner - eram vendidas a 1$500 (um mil e quinhentos contos de réis)! vejam: coisa só para rico...

O outro passeio era a “volta da consolação”. assim se chamava o circuito do bondezinho que rodava pela rua Dona Maria Antônia, indo da rua Dona Veridiana para a da Consolação, por onde regressava à cidade e vice-versa. A rua Dona Maria Antônia - descrevem-na os que a viram - era um bonito pedaço de estrada barrenta, ornada de vegetação luxuriante e barranqueiras pitorescas. De lá se avistava a cidade, ao longe.

Na rua da Consolação, mais ou menos da igreja para cima, não havia calçamento, e era toda enxameada de casinholas miseráveis, que rareavam à proporção que a gente se aproximava do Cemitério da Consolação, completamente fora do perímetro urbano. Aquilo por ali já era mato. basta dizer que, ao redor do campo santo, havia uns capões densos e cerrados, de causar medo, onde se escondiam bichos e onde o paulistano, nos dias de domingo, ia caçar perdizes.

Depois do cemitério, estendia-se a velha estrada de pinheiros, verdadeiro sertão bruto! Quem se arriscasse por ali tinha de ir bem armado, do contrário, corria perigo. De noite, então, nem é bom falar. Não havia valentão que se atrevesse. A coisa era de pôr os cabelos em pé.

Os bondezinhos puxados a burros rolaram pelas nossas ruas até o dia 3 de maio de 1900, quando foram substituídos pelos carros elétricos da light. A linha Ponte Grande - Santana funcionou ainda por algum tempo.

Os bondes movidos a eletricidade chegavam até a Ponte Grande. Daí até Santana os passageiros iam nos calhambeques da Empresa de Bondes de Santana. Os famigerados bondezinhos de burros, apesar dos pesares, prestaram bons serviços, embora de vez em quando, “os distintos cavalheiros de cartola e colarinho duro” tivessem de descer para rebocá-los sobre os trilhos. E isso rolou durante mais de 20 anos, portanto até o começo daquele século. Foi quando os paulistanos, diante do surto sempre vertiginoso da cidade, que crescia e começava a progredir a olhos vistos, passaram a reclamar transportes melhores e adequados. A grita era grande. Dali a pouco, a Light & Power encampava os serviços.

A última linha de burros foi a de Santana, uma empresa à parte.

(São Paulo dos Nossos Avós – Raimundo de Meneses)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

La Ligrie, L'Allegrie e o LADINO

No Norte da Itália, além do idioma italiano e seus respectivos dialetos, também há um outro idioma utilizado, de origem muito antiga, chamado LADINO. Note que o LADINO, não é uma variante do italiano e nem um dialéto, mas um idioma próprio.

O LADINO (ladino em italiano, ladin em ladino, ladinisch em alemão) é uma língua reto-românica falado por 55.000 pessoas nas montanhas dos Alpes Dolomíticos da Itália entre as Regiões do Trentino-Alto Ádige e do Vêneto. Porém é língua oficial nas Províncias autônomas de Bolzano e Trento.

Dou um exemplo da língua ladina:

A Oração “Pai Nosso” em Ladino: “Pere nost, Che t’ies em ciel, al sie santifiché ti inom, al vegne ti regn, sia fata tia volonté, coche en ciel enscì en terá.”

A Oração “Pai Nosso” em Latim: "Pater noster, qui es in caelis: sanctificetur Nomen Tuum; adveniat Regnum Tuum; fiat voluntas Tua, sicut in caelo, et in terra."

A Oração “Pai Nosso” em Italiano: “Padre nostro che sei nei cieli, sia santificato il tuo Nome, venga il tuo Regno, sia fatta la tua Volontà come in cielo così in terra.”

Para poder explicar melhor recorremos à “Wikipédia, a enciclopédia livre” na internet.

Depois da caída do Império Romano, o idioma Ladino – que era falado em todo o arco alpino da Récia Romana - foi perdendo terreno frente às invasões bárbaras. Para o ano 1000, o ladino estava reduzido nas áreas do atual Alto- Ádige. Atualmente se encontra consolidado ao redor dos Alpes Dolomíticos e regiões vizinhas.

Tem que ser anotado que o LADINO também tem suas variações de conformidade com o local que é falado. Entre as variantes a mais notável é o Ladino Dolomítico, falada fluentemente em Val di Fassa (Trentino), Val Gardena, Val Badia, Marebbe (Alto Ádige) e Livinallongo, Colle e Ampezzo (Vêneto). Esses territórios que pertenceram à MONARQUIA DOS HABSBURGOS até 1918, constituem o chamado Laden.

Em Vêneto, para além da área Ampezzo inquestionavelmente ladino, a língua é falada no Cadore e Comelico sob a forma de LADINO CADORE, reconhecido como tal, embora por razões históricas e políticas nesta área é por vezes ignorado com relação ao ex-Laden território adjacente Austro-Húngaro, onde o impulso para o reconhecimento de minoria étnica e linguística tem sido historicamente mais forte.

No oeste do Trentino em vez disso, Val di Nom, Val di Sole, Val di Peio e Val di Rabbi, são dialetos comuns de Ladin indubitávelmente, mas atualmente não é politicamente reconhecido como tal, e o seu desenvolvimento têm uma forte influência da Lombardia. Estes dialetos são também referidos LADINIANO ANAUNICO.

Fonte: http://it.wikipedia.org/wiki/Lingua_ladina

LA LIGRIE (canção tradicional friulana em LADINO)

E la ligrie 'e jè dai zòvins (3 v.)
e nò dai vécjos nò dai vécjos maridaz.

Le an piardùde biel lant a messe (3 v.)
e in chè di e in chè di che son sposaz.

Rit. Ciribiribin doman l'é festa
ciribiribin non si lavora
ciribiribin g'ho l'amorosa
ciribiribin d'andà a trovar.

E cjolmi me, cjolmi ninine (3 v.)
che jo ti doi di mangjâ bem.

http://www.musicamedia.it/68allegrie.htm

TRADUÇÃO PARA O ITALIANO:

E l'allegria la vien dai giovani (3 v.)
e no dai vecchi no dai vecchi già sposa'.

E l'han perduta andando a messa (3 v.)
e da quel dì e da quel dì che son sposa'.

Rit. Ciribiribin doman l'é festa
ciribiribin non si lavora
ciribiribin g'ho l'amorosa
ciribiribin d'andà a trovar.

E prendi me, o mia ninina (3 v.)
che io ti dò da mangiar dò da mangiar ben.

http://www.youtube.com/watch?v=WNkD9V2-KOQ

http://www.youtube.com/watch?v=wCSIdQpSTeM

TRADUÇÃO PARA O PORTUGUES:

E a alegria vem dos jovens
e não dos velhos, não dos velhos casados.

E eles perderam indo à missa
Aquele dia, aquele dia em que iam casar.

Ciribiribin amanhã é a festa
Ciribiribin não se trabalha
Ciribiribin Eu tenho o amor
Ciribiribin para encontrar.

E leve-me, ó minha menina
que eu dou eu dou de comer, de comer bem.


Crédito da foto do mapa acima:
http://www.portalveneza.com.br/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Reino de Nápoles


Do Norte da Itália vieram meus ascendentes de sobrenome Miorin e Doratiotto (Região do Vêneto). Também tenho parentes que vieram da Região de Friuli Venezia Giulia (ainda Norte da Itália).

Porém do meu lado paterno, a familia antiquíssima e medieval dos Donaddeo, depois deu origem a dois ramos gigantes e tradicionais: Os Naddeo (depois: Nadeo; e depois já no Brasil: Nadeu); e os Addeo (que no Brasil se dividiu em outros dois grandes grupos: Addeo e Addeu). Sou descendente tanto dos Nadeu quanto dos Addeu - parentes entre sí do grande grupo familiar medieval Donaddeo. Esta parte familiar pertenceu ao sul da Itália ao Grande Reino de Nápoles.

O Reino de Nápoles foi na Idade Média um Reino riquíssimo e de vasto Império, sabendo-se que o Rei de Nápoles, sendo muito católico, dava grandes somas de dinheiro como donativo para as Cruzadas.

O Reino de Nápoles foi um Estado que existiu, com alguns intervalos, do século XIII ao século XIX, cujo território abrangia as atuais regiões italianas da Campânia, Calábria, Puglia, Abruzzo, Molise, Basilicata, e alguns territórios do atual Lácio (Gaeta, Cassino, e áreas atualmente na província de Rieti, como Cittaducalle, Amatrice, Cicolano, etc.)

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_de_N%C3%A1poles

Teve origem na antiga cidade grega de Neapolis. Foi conquistada pelos romanos no século IV AC. No século VI, passou para domínio bizantino e, no século VIII, constituiu-se em ducado independente. Em 1139, passou a pertencer ao Reino da Sicilia. A universidade foi fundada em 1224. Passou a ser, no final do século XIII, a capital do reino. Em 1282, passou para a coroa de Aragão, sendo denominado Reino de Nápoles. No século XVIII, passou a ser independente, sendo anexado ao Reino da Sardenha em 1860 e ao da Itália em 1861. Nessa cidade, nasceram os Papas: Bonifácio V, Urbano VI, Bonifácio IX, Paulo IV, e Inocêncio XII.

Localizada no golfo de Nápoles, no Mar Tirreno, é um porto de grande importância e o principal centro industrial e comercial do sul do país. É, também, um centro turístico pois nos seus subúrbios localizam-se vários locais de interesse: o vulcão do monte Vesúvio, as ruínas de Pompéia e de Herculano e as ilhas de Capri e de Ischia. O seu centro histórico foi declarado patrimônio mundial pela UNESCO.

Nápoles, nos dias de hoje, é reputada como sendo uma das cidades mais perigosas da Europa, por causa de sua elevada taxa de pobreza (32%) e a elevada taxa de criminalidade e desemprego. Todos os anos, ocorrem centenas de mortes causa das guerras de clãs dentro da máfia local, a Camorra.

http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%A1poles

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A música daquela época


Falei do aspecto religioso da histórica Itália, porém outros aspectos enriqueceram o passado histórico: as artes.

Inegável que a Itália foi o berço da música. Grandes maestros foram estudar música na Itália para depois tocarem na Corte da França, Áustria, etc.

Entre tantos grandes músicos italianos, vou mencionar um da terra de meus bisavós: Vivaldi.

Li uma história de que pelos idos anos de 1700 um talentoso músico italiano, soube do prodígio “Vivaldi” e quiz ver com seus próprios olhos quem era esse violinista do qual todos falavam. Ao chegar na Região do Vêneto, assistiu um concerto onde Vivaldi demonstrou sua arte. Dizem que o tal músico ficou tão admirado pela perfeição com que Vivaldi, com seu arco, atacava as cordas que achou melhor entrar na escola de música novamente.

Depois de sua morte, Vivaldi ficou esquecido por 100 anos, mas depois estudantes o re-descobriram ao estudar os grandes músicos que copiaram algumas musicas suas, entre eles: Bach.

Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 4 de março de 1678 – Viena, 28 de julho de 1741), compositor veneziano do estilo barroco. Era conhecido como il prete rosso (o padre ruivo), por ser um sacerdote de cabelos ruivos. Era o mais velho de sete irmãos. Ingressou no seminário aos 15 anos de idade, foi ordenado em 23/09/1703. Mas posteriormente foi dispensado de rezar missa por problemas de saúde e então passou a se dedicar inteiramente para a música.

Seu pai, Giovanni Battista Vivaldi, violinista, ensinou-lhe os segredos da música e assim tornou-se um excepcional virtuose, a ponto de substituí-lo, na orquestra da Capela Ducal de São Marcos.

Antonio Vivaldi se dedicou ao ensino de violino num orfanato de moças chamado Ospedale della Pietá em Veneza, uma instituição exclusivamente feminina com excelente reputação artística, criada para acolher jovens órfãs ilegítimas. Além de organizar concertos beneficentes, Vivaldi preparava as jovens para carreira de professoras de música, canto e prática instrumental. Algumas órfãs mais bem dotadas para a música, formaram uma orquestra. Os visitantes se surpreendiam ao ver mocinhas tocando instrumentos "insólitos", como clarineta e oboé.

Pouco tempo após a sua iniciação nestas novas funções, as crianças ganharam-lhe apreço e estima; Vivaldi compôs para elas a maioria dos seus concertos, cantatas e músicas sagradas.

Não faltaram más línguas que pudessem difama-lo com insinuações maliciosas com as moças, porém nada nunca foi provado. Vivaldi era um padre que tinha problemas de saúde, e Anna Giraud, uma das discípulas que ficou famosa como contralto, estrelando suas óperas em turnês pela Europa (Roma, Amsterdã, Praga, Viena) durante 14 anos, tinha reputação de mulher séria e não a de quem se envolve em ligações consideradas escandalosas para a época. No entanto, a maioria dos biógrafos de Vivaldi insinua um caso amoroso entre os dois.

Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. A mais conhecida da série de concertos para violino e orquestra é Le quattro stagioni ("As Quatro Estações").

No auge de sua fama, Vivaldi mudou-se para Viena, para trabalhar na corte do rei, mas este morreu antes de sua chegada. Um ano depois, em 28 de julho de 1741, sofrendo de uma “inflamação interna”, Vivaldi morre na casa da família Satler, que o acolhera.

Vivaldi, tal como muitos outros compositores da época, terminou sua vida em pobreza. Encontra-se sepultado na Universidade Tecnológica de Viena, na Áustria. Foi-lhe dada uma sepultura anônima de pobre. Porém na Catedral de St. Etienne foi rezada uma missa de réquiem, onde um dos cantores foi o, então muito jovem, Joseph Haydn.

Sua música viria a cair no esquecimento até os anos de 1900, quando é re-descoberta.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Formação religiosa de meus ancestrais e os Licores


Ao escrever a história de minha família, muitas vezes, me vejo na obrigação de descrever também o lugar e a época, o ambiente e os costumes, nos quais viveram nossos antepassados, pois tudo isso ajuda a formar uma visão mais completa. A busca de livros idôneos, as músicas de época, a indumentária, o dia-a-dia, os fatos históricos, sempre foi minha preocupação. Minha biblioteca tem livros muito bons que adquiri ao longo de minha vida, e que foi composta por uma meticulosa, insistente e interminável busca.

Um dos fatores que muito me ajudou a entender os costumes e certos hábitos de pessoas mais antigas de minha família, foi o tipo de formação religiosa que tiveram.

Também, não é de se admirar que tivessem uma admirável conduta Católica, pois toda a Itália estava repleta de Santos do maior quilate.

Começamos pelo Grande São Francisco de Assis. O mundo se maravilhou com seus ensinamentos e que perduram até os nossos dias. Sem contar Santa Clara, que enfrentou um ataque de mouros carregando consigo o Santíssimo Sacramento, obtendo a retirada do inimigo. E ao pronunciar seu santo nome os lobos se afastavam das cidades.

Muito de fala em ataque de lobos, que havia aos montes nas florestas da Itália. Também bem ao norte havia ursos. Contam as crônicas que os homens se reuniam para ir caçar ursos. Para que fossem protegidos do frio da neve, suas esposas ou namoradas preparavam um licor a base de amêndoas, para que levassem consigo e bebessem enquanto caçavam os ursos. E como era feito com amor, tinha o sabor muito aveludado, esse licor ficou sendo conhecido por “amaretto”, e por que era na época de inverno e de caça aos ursos, ficou sendo conhecido como “Amaretto dell’Orso” – licor esse muito apreciado até os dias de hoje. Uma versão do licor menos aveludada e mais forte era conhecida como “Amaretto DiSaronno”.

Entre licores e Santos... que passado abençoado....

Natural da Espanha e extremamente inteligente, de uma força apostólica enorme, viajou por todo o Norte da Itália, convertendo muitas pessoas até Roma: Santo Inácio de Loyola. Sua atuação apostólica na Itália foi tão grande e benéfica que chegou a ser odiado até a morte por homens revolucionários e sua grandiosa Companhia de Jesus foi muito perseguida pelos maus.

Até de Portugal veio um grande santo fazer de Padova sua morada, tanto que sendo Santo Antonio de Lisboa, passou a ser conhecido como Santo Antonio de Pádua. Na cidade de Padova (ou Pádua) há uma igreja lindíssima com as relíquias deste grande santo.

Deixei para o final deste artigo o mais importante. Não importante pela santidade por que santidade não se compara, mas pela importância de sua vocação. Sendo Patriarca na cidade de Veneza, Giuseppe Melchiorre Sarto foi eleito o Chefe Supremo da Igreja: O Papa São Pio X, tão próximo de nossa época, nos deixando encíclicas e documentos importantíssimos.

Não posso numerar aqui a quantidade de Santos que, de Norte a Sul da Itália, enriqueceram a história italiana, pois são muitos. Citei apenas alguns que se destacaram de forma extraordinariamente bela e grandiosa no curso da História da Itália e que de certa forma, direta ou indiretamente, contribuíram para a formação dos nossos ancestrais. Pois o ambiente é formado pelos homens de sua época.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Origem dos dialetos italianos

Quando minha mãe começou estudar alemão, fiquei impressionado ao ver a facilidade com que ela aprendia e progredia no seu estudo do idioma germânico. Bem depois, quando comecei a estudar a história de minha família, é que eu entendi a grande influência da Alemanha e mais especialmente da Áustria no Norte da Itália, bem como a inclusão das terras do Sul do Tirol no Norte da Itália. Meu bisavô tinha olhos azuis bem claros e meu avô materno, os olhos verdes escuros. Quando falavam entre sí, inclusíve com minha bisavó, o dialeto de Vêneto era bem presente.

O dialeto vêneto pode ser diferenciado do italiano veneziano, o dialeto do italiano influenciado pelas características venezianas locais, que também é falado na região. (Veneza é a Capital do Vêneto) Compare:

Vêneto: Marco el xe drio rivar ("Marco está chegando")
Italiano veneziano: Marco (el) sta rivando
Italiano padrão: Marco sta arrivando

Muitas regiões italianas já tiveram um substrato lingüístico diferente antes da conquista da Itália pelos romanos: o norte da Itália tinha um substrato celta (essa parte da Itália era conhecida como Gália Cisalpina, "Gália desse lado dos Alpes"), o substrato Ligúrico, ou o substrato Vêneto. A Itália central tinha um substrato etrusco, e o sul da Itália tinha substratos itálicos e gregos.

Tudo isso começou uma diversificação no modo de falar o latim (a língua do Império Romano).

Devido à longa história de separação em pequenos Estados e a colonização por potências estrangeiras (especialmente França, Espanha e Áustria-Hungria) que a Itália sofreu entre a queda do Império Romano do Ocidente e a unificação italiana em 1861, foi uma ampla oportunidade para a diversidade lingüística.

Por outro lado, a expressão "dialetos italianos" é imprecisa visto que os dialetos não derivam do italiano padrão, mas diretamente do latim falado, frequentemente chamado de Latim vulgar: foi o italiano que foi derivado dos dialetos e não o sentido contrário.

http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_da_It%C3%A1lia